segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A longa e estranha história das dietas da moda para emagrecer

 

 
Hieronymus Bosch

As dietas para emagrecer que entram na moda são em geral soluções de curto prazo

Melissa Wdowik
3 DIC 2017


“De todos os males que afetam a humanidade, não conheço nem imagino nenhum mais angustiante do que a obesidade.”


Assim começava a carta sobre excesso de peso escrita por William Banting, provavelmente o primeiro livro de dieta para emagrecer já publicado. Banting, diretor de uma funerária com sobrepeso, publicou o livro em 1864 para compartilhar seu sucesso, que propunha substituir uma ingestão excessiva de pão, açúcar e batatas por carne, peixe e hortaliças, principalmente.


Desde então apareceram dietas da moda em múltiplos formatos. Até que ponto as pessoas estão dispostas a chegar para alcançar a silhueta desejada? Como professora de nutrição e comportamento alimentar, tenho a sensação de que a história das dietas para emagrecer demonstra que a vaidade supera o bom senso.


Dietas líquidas

Vamos voltar a 1028, o ano que nasceu William, o Conquistador. Sadio na maior parte de sua vida, o rei acabou tão obeso em seus últimos anos que se submeteu a uma dieta líquida composta quase exclusivamente de bebidas alcoólicas. Perdeu peso suficiente para conseguir montar seu amado cavalo, mas um acidente equestre lhe causou por fim uma morte prematura.

Conhecemos um caso em que supostamente consumir mais álcool do que comida aumentou a longevidade. Em 1558, o aristocrata italiano Luigi Cornaro restringiu sua alimentação a 340 gramas de comida e 397 mililitros de vinho por dia. Dizem que viveu até os 102 anos, o que rendeu a seu método o nome de Dieta da Imortalidade.

Na década de 1960, foi introduzido outro plano centrado no álcool, a dieta do beberrão. Incluía comidas “masculinas” como carne e peixe, junto com todo o álcool que seu seguidor desejasse.

O poeta Lord Byron atribuía seu aspecto magro e pálido ao vinagre com água. Essa prática ressurgiu na década de 1950 na forma da popular dieta do vinagre de maçã, que recomenda tomar uma mistura em partes iguais de mel e vinagre de sidra. A versão mais recente, que carece de respaldo científico, afirma que três pequenas colheradas de vinagre de maçã antes de comer diminuem a fome e reduzem a gordura. 

Limpezas

As dietas líquidas “mais limpas” e depurativas foram criadas supostamente para limpar o corpo de toxinas, apesar de nossa capacidade natural para isso. Em 1941, o entusiasta da saúde alternativa Stanley Burroughs criou a mãe de todas as dietas purgativas, a Master Cleanse, ou dieta da limonada, para eliminar a vontade de junk food, álcool, tabaco e drogas. Tudo que se precisava fazer era tomar uma mistura de suco de limão taiti ou siciliano, calda de bordo, água e pimenta-malagueta moída seis vezes por dia durante pelo menos dez dias. Beyoncé voltou a popularizá-la em 2006, afirmando ter perdido 10 quilos em duas semanas,

O médico televisivo Dr. Oz e outros promoveram desde então suas próprias versões, que variam em duração e nos alimentos permitidos. A maioria inclui um laxante diário e grandes quantidades de água.

A dieta da última chance, publicada em 1976, consistia em beber um líquido com muito poucas calorias várias vezes por dia. O principal ingrediente era uma mistura de subprodutos animais preparados com couro, chifres e tendões. Essa “vitamina de carne” foi retirada do mercado porque vários seguidores da dieta morreram.

Mais recentemente, tornou-se popular o plano do suco verde. Muitos se interessaram pela promessa de uma profunda depuração e uma rápida perda de peso, enquanto para outros parecia uma forma mais fácil de consumir mais frutas e hortaliças. Uma das receitas originais propunha maçã, aipo, pepino, couve crespa, limão e gengibre.
 
Dietas dos famosos

Andy Warhol usava um método diferente para manter a forma. Dizem que quando ia aos restaurantes pedia pratos que não gostava, e então mandava para embrulhar para viagem. Depois, dava a algum morador de rua.

Dormir era outra possibilidade. Contava-se que Elvis Presley era defensor da dieta da Bela Adormecida. Dizem os rumores que as longas jornadas de sono conseguidas com o uso de soníferos o impediam de comer.

Em um esforço recente para imitar os famosos, a incrível dieta de 48 horas de Hollywood foi seguida pela milagrosa dieta de 24 horas de Hollywood, que substitui a comida por uma mistura de shakes e diversos complementos alimentares.
Emagrecer rapidamente

No início do século XX, o empresário com sobrepeso Horace Fletcher emagreceu e transformou as dietas de emagrecimento em um fenômeno da cultura popular com sua dieta da mastigação. Recomendava mastigar a comida até que se tornasse líquida, para evitar comer em excesso.

Outro método que dizem que se tornou popular na primeira década do século XX foi a dieta da solitária. Em teoria, a pessoa ingeria uma tênia ou pílulas de tênia. O verme viveria no estômago e consumiria parte do alimento. Apesar de terem sido encontrados anúncios publicitários da época, não há provas de que se vendessem realmente tênias.

Para conseguir uma perda sustentável de peso e mantê-lo é necessário reduzir a ingestão de calorias e aumentar os níveis de atividade, com ou sem pomelo ou repolho

Ao longo dos anos, outras dietas atraíram admiradores com a promessa de baixar facilmente de peso graças a um alimento milagroso. Houve a dieta do pomelo (ou grapefruit), que recomenda meio pomelo a cada refeição; a dieta da manteiga de amendoim e a dieta do sorvete, que prometem que se pode comer a quantidade que se deseje desses dois manjares, diariamente; e a dieta Xangrilá, de 2006, que afirmava que era possível reduzir a fome tomando azeite de oliva uma hora antes de cada refeição.

Um exemplo que se destaca é a dieta da sopa de repolho, popularizada por famosos na década de 1950. A ideia era não comer nada além de sopa durante sete dias. A receita original propunha uma mistura de repolho, hortaliças e água e cebola desidratada, mas outras versões acrescentavam ingredientes como frutas, leite desnatado e carne de vaca. Volta a entrar na moda uma vez a cada dez anos, e a Internet sempre ajuda a difundi-la. 

Ideias alternativas

Algumas dietas e as teorias que as respaldam iam além da comida.

Em 1727, o escritor Thomas Short observou que as pessoas com sobrepeso moravam perto de pântanos. Sua dieta para evitar pântanos recomendava mudar-se para afastar-se desses locais.

Em vez de se afastar dos pântanos, a dieta da luz recomenda não comer. Alguns seguidores afirmaram, em uma entrevista realizada em 2017, que a comida e a água não eram necessárias, e que eles subsistiam à base de espiritualidade e luz. O jejum prolongado conduziria finalmente à inanição, mas foram vistos devotos da dieta comendo e bebendo.

Em 2013, apareceu algo mais perigoso, a dieta da bola de algodão. Seus seguidores declaravam consumir até cinco bolas de algodão de uma vez, afirmando que saciavam e assim perdiam peso. Devido a seu infeliz efeito de causar obstrução intestinal, a dieta logo perdeu popularidade.

Mas nem todas as ideias incomuns são ruins. A dieta de cores dos sete dias, publicadas em 2003, sugeria comer todo dia alimentos de uma única cor. Por exemplo, o dia vermelho incluía tomates, maçãs e morangos. Essa proposta na verdade defende alimentos saudáveis, não industrializados ou restrições absurdas.

Apesar de chamativas, as dietas para emagrecer que entram na moda são em geral soluções de curto prazo. Talvez produzam no início uma perda de peso rápida, mas é mais provável que se deva ao fato de que quem as segue reduz as calorias em relação a sua dieta habitual, e com frequência consistem em perda de água.

Seria melhor pensar que não existe segredo simples para emagrecer. Para conseguir uma perda sustentável de peso e mantê-lo é necessário reduzir a ingestão de calorias e aumentar os níveis de atividades, com ou sem pomelo e repolho. 


Melissa Wdowik é professora adjunta de Ciências da Alimentação e Nutrição Humana na Universidade Estatal do Colorado. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site The Conversation.

Cláusula de divulgação: Melissa Wdowik não trabalha para nenhuma empresa ou organização que possa ser beneficiado deste artigo, nem a assessora, possui ações nelas ou recebe financiamento. Também não declara outras vinculações relevantes além do cargo acadêmico mencionado.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site The Conversation
 
Fonte:  https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/14/ciencia/1510658654_171692.amp.html

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A CHINA DE XI


Xi toma el control total del futuro de China

Michael Roberts

05/11/2017


Xi Jinping ha sido consagrado como líder más poderoso de China desde Mao Zedong después de que un nuevo legado de pensamiento político con su nombre fuese incluido en los estatutos del Partido Comunista. La simbólica medida se produjo el último día del XIX Congreso, que duró una semana en Beijing, en el que Xi se ha comprometido a dirigir la segunda mayor economía del mundo hacia una “nueva era” de poder e influencia internacionales.

En la ceremonia de clausura en el Gran Salón del Pueblo de la época de Mao, se anunció que el pensamiento de Xi sobre el “socialismo con características chinas para una Nueva Era” quedaba inscrito en los estatutos del partido. “El Congreso acuerda por unanimidad que el pensamiento Xi Jinping ... constituye [una de] las guías de acción del partido en su constitución”, afirma una resolución.

Al mismo tiempo, se anunció el nuevo Comité Permanente del Politburó de siete miembros. Todos estos líderes supremos tienen más de 62 años y por lo tanto no serán elegibles para convertirse en secretario general del partido dentro de cinco años. Lo que significa con toda seguridad que Xi tendrá un tercer mandato, algo sin precedentes, como líder del partido hasta 2029 y así seguirá a la cabeza de la máquina de estado chino toda una generación.

Lo que esto me dice es que, bajo Xi, China nunca iniciará el desmantelamiento del partido y la máquina del estados para desarrollar una 'democracia burguesa' basado en una economía de mercado plena y capitalista. China seguirá siendo una economía fundamentalmente dirigida y controlada por el estado, con los ‘sectores claves' de la economía de propiedad pública y controlada por la elite del partido.

Las empresas extranjeras no encuentran esta perspectiva atractiva, como era de esperar. En una encuesta de enero entre 462 empresas de Estados Unidos de la Cámara Americana de Comercio en China, el 81 por ciento dijo que se sentían menos bienvenidos en China, mientras que más del 60 por ciento tienen poca o ninguna confianza de que el país abrirá aún más sus mercados en los próximos tres años.

De hecho, China sigue ocupando el puesto 59 entre los 62 países evaluados por la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico en términos de apertura a la inversión extranjera directa. Al mismo tiempo, la IED es cada vez menos importante para la economía: en 2016 representó poco más del 1 por ciento del PIB de China, por debajo del 2,3 por ciento en 2006 y un 4,8 por ciento en 1996.

Una causa de preocupación aún mayor para las multinacionales son los planes de Beijing para replicar tecnologías extranjeras y apoyar a sus ‘campeones nacionales’ que puedan exportarlas globalmente. Un programa puesto en marcha en 2015, llamado Hecho en China 2025, tiene como objetivo hacer que el país sea competitivo dentro de una década en 10 industrias, incluyendo aviones, vehículos de nueva energía, y la biotecnología. China, bajo Xi, tiene como objetivo no sólo ser el centro manufacturero de la economía mundial, sino también ocupar un lugar destacado en innovación y tecnología para competir con los EEUU y otras economías capitalistas avanzadas dentro de una generación.

Beijing tiene como objetivo impulsar la cuota de robots de fabricación nacional a más del 50 por ciento de las ventas totales en 2020, que fue ya del 31 por ciento el año pasado. Las compañías chinas como E-Deodara Robot Equipments, Siasun Robot & Automation y Anhui Efort Intelligent Equipments aspiran a convertirse en multinacionales, desafiando a compañías similares como ABB Robotics de Suiza y la japonesa Fanuc por el liderazgo en unmercado de 11 mil millones de dólares.

Bajo XI, China también ha redoblado esfuerzos para construir su propia industria de semiconductores. El país compra alrededor del 59 por ciento de los chips que se venden en todo el mundo, pero los fabricados en el país representan sólo el 16,2 por ciento de los ingresos de las ventas globales de la industria, de acuerdo con la consultora PwC. Para cambiar esto, Made in China 2025 destina 150 mil millones de dólares de inversión en 10 años. Un informe de enero de 2017 del Consejo Presidencial de Asesores en Ciencia y Tecnología de EE UU detalla los amplios subsidios de China a sus fabricantes de chips, la obligación de las empresas nacionales de comprar sólo a proveedores locales, y el requisito de que las empresas estadounidenses transfieran tecnología a China a cambio de acceso a su mercado .

Y el imperialismo estadounidense tiene miedo. El secretario de Comercio de Estados Unidos Wilbur Ross ha descrito el plan como un “ataque” al “genio americano.” En un excelente nuevo libro, The US vs China: Asia’s new cold war?, Jude Woodward, un asiduo visitante y conferenciante en China, señala las medidas desesperadas que los EEUU está adoptando para tratar de aislar a China, bloquear su progreso económico y cercarla militarmente. Pero también afirma que esta política está fallando. China no está aceptando el control que la quieren imponer las multinacionales extranjeras; está desarrollando continuamente vínculos comerciales y de inversión con el resto de Asia; y, con la excepción del Japón de Abe, está teniendo éxito en mantener a los estados capitalistas asiáticos ambivalentes entre la 'mantequilla' de China y las 'armas' de Estados Unidos. Como resultado, China ha sido capaz de mantener su independencia del imperialismo estadounidense y del capitalismo global como ningún otro estado.

Esto nos lleva a la cuestión de si China es un estado capitalista o no. Creo que la mayoría de los economistas políticos marxistas están de acuerdo con la teoría económica dominante que asume o acepta que China es capitalista. Sin embargo, no es mi caso. China no es capitalista. La producción de mercancías con fines de lucro, basada en relaciones espontáneas del mercado, es lo que caracteriza al capitalismo. La tasa de ganancia determina sus ciclos de inversión y genera crisis económicas periódicas. Esto no se aplica en China. En China, la propiedad pública de los medios de producción y la planificación del estado siguen siendo dominantes y la base de poder del Partido Comunista se basa en la propiedad pública. El ascenso económico de China se ha conseguido sin que el modo de producción capitalista sea dominante.

El “Socialismo con características chinas” es una bestia extraña. Por supuesto, no es 'socialismo' de acuerdo con ninguna definición marxista o de control obrero democrático. Y ha habido una expansión significativa de las empresas privadas, tanto nacionales como extranjeras en los últimos 30 años, con el establecimiento de un mercado de valores y otras instituciones financieras.

Pero la gran mayoría del empleo y la inversión tiene lugar a través de empresas públicas o por instituciones que están bajo la dirección y el control del Partido Comunista. La mayor parte de las industrias competitivas globales de China no son multinacionales de propiedad extranjera, sino empresas estatales chinas.

Y puedo proporcionar algunas pruebas que, en la medida que yo sepa, no han sido planteadas por otros comentaristas. Recientemente el FMI publicó una serie de datos completa del tamaño del sector público y de su inversión y su crecimiento, que se remonta 50 años para todos los países del mundo. Estos datos ofrece algunos resultados sorprendentes.

Demuestran que China tiene un stock de activos del sector público por valor de 150% del PIB anual; Sólo Japón tiene algo similar con el 130%. Todas las otras economías capitalistas importantes tiene menos del 50% del PIB en activos públicos. Cada año, la inversión pública de China en relación al PIB es de alrededor del 16% en comparación con el 3-4% en los EEUU y el Reino Unido. Y aquí está la cifra decisiva. El volumen del stock de activos productivos públicos en relación con los activos del sector capitalista privado en China es tres veces mayor. En los EEUU y el Reino Unido, los bienes públicos son menos del 50% de los activos privados. Incluso en las 'economías mixtas' de India o Japón, la proporción de activos públicos en relación con los privados solo es del 75%. Esto demuestra que en China la propiedad pública de los medios de producción es dominante - a diferencia de cualquier otra economía importante.


Un informe de la Comisión de Revisión Económica y de Seguridad Estados Unidos-China encontró que “La parte de propiedad y control estatal de la economía china es grande. Basándose en suposiciones razonables, parece que el sector público visible- las empresas estatales y las entidades controladas directamente por las empresas estatales, representan más del 40% del PIB no agrícola de China. Si se consideran las contribuciones de las entidades controladas indirectamente, colectivos urbanos y empresas municipales públicas, la proporción del PIB de propiedad y control del Estado es de aproximadamente el 50%”. Los grandes bancos son propiedad del Estado y sus políticas de crédito y de depósito están dirigidas por el gobierno (para disgusto del Banco Central de China y otros elementos pro-capitalistas). No hay flujo libre de capitales extranjeros dentro y fuera de China. Los controles de capital son impuestos y aplicados y el valor de la moneda se manipula según los objetivos económicos (para gran disgusto del Congreso de Estados Unidos y los fondos de cobertura occidentales).

Al mismo tiempo, el aparato del Partido Comunista / estado se infiltra en todos los niveles de la industria y la actividad en China. De acuerdo con un informe de Joseph Fang y otros ( http://www.nber.org/papers/w17687 ), hay organizaciones del partido en cada corporación que emplea a más de tres miembros del partido comunista. Cada organización del partido elige a un secretario del partido. El secretario del partido es el eje central del sistema de gestión alternativa de cada empresa. Esto amplía el control del partido más allá de las empresas estatales a las empresas privatizadas y las empresas propiedad de los gobiernos locales en el sector privado o “nuevas” organizaciones económicas” como se las llama. En 1999, sólo el 3% de ellas tenía células del partido. Ahora la cifra es de casi el 13%. Como señala el informe: “El Partido Comunista Chino (PCC), controla la promoción profesional de todo el personal de alto nivel en todas las agencias reguladoras, todas las empresas de propiedad estatal (EPE), y prácticamente todas las principales instituciones financieras de propiedad estatal (EPE) y las posiciones determinantes del partido en todas, menos las empresas más pequeñas, no públicas, que siguen sometidas a una dirección leninista”.

La realidad es que casi todas las empresas chinas que emplean a más de 100 personas tienen un sistema de control basado en células del partido. Esta no es una reliquia de la era maoísta. Es la estructura actual establecida específicamente para mantener el control del partido en la economía. Como el informe de Fang dice: “El Departamento de Organización del PCCh gestiona todas las promociones de alto nivel de todos los bancos, reguladores, ministerios y organismos gubernamentales, empresas estatales, e incluso muchas empresas no públicas, designadas oficialmente. El partido promueve a gente en los bancos, agencias reguladoras, las empresas, los gobiernos y los órganos del Partido, gestionando gran parte de la economía nacional en un gran cuadro de gestión de recursos humanos. Un cuadro joven y ambicioso puede comenzar en un ministerio estatal, unirse a los mandos intermedios de un banco público, aceptar un alto cargo del partido en una empresa cotizada, ser promovido a un puesto de regulación superior, aceptar el nombramiento como alcalde o gobernador de provincia, convertirse en un CEO de un banco público diferente, y quizás por último, ascender a los escalones superiores del gobierno central o el PCCh - todo gracias al Departamento de Organización del PCCh”.

El Partido Comunista de China es mencionado en los estatutos de muchas de las mayores empresas del país, que describen al partido como un elemento director que juega un papel central de “una manera organizada, institucionalizada y concreta” y “provee dirección [y] gestiona la situación general”.

Hay 102 empresas estatales clave con activos de 50 billones de yuanes, que incluyen empresas públicas de petróleo, operadores de telecomunicaciones, generadores de energía y fabricantes de armas. Xiao Yaqing, director de la Comisión de Supervisión y Administración de Activos Estatales del Consejo de Estado (SASAC), escribió en la publicación de la Escuela Central del Partido Tiempo de Estudio que cuando una empresa estatal tiene un consejo de administración, el jefe del partido también tiende a ser el presidente del consejo. Los miembros del Partido Comunista en las empresas estatales forman el “el fundamento de clase más sólido y fiable” que permite al Partido Comunista gobernar. Xiao califica la idea de la “privatización de los bienes del Estado” como un pensamiento mal orientado.

Estos 102 grandes conglomerados contribuyeron el 60 por ciento de las inversiones exteriores de China a finales de 2016. Las empresas estatales, incluyendo China General Nuclear Power Corp y China National Nuclear Corp han asimilado tecnologías, a veces occidentales con cooperación o sin ella, y ahora tienen proyectos en Argentina, Kenia, Pakistán y el Reino Unido. Y la gran ‘Nueva Ruta de la Seda' para el centro de Asia no está dirigido a obtener beneficios. Se trata de expandir la influencia económica de China a nivel mundial y extraer recursos tecnológicos y naturales para la economía nacional.

Esto también contradice la idea común entre algunos economistas marxistas de que la exportación de capital de China para invertir en proyectos en el extranjero es producto de la necesidad de absorber el 'excedente de capital' doméstico, similar a la exportación de capital de las economías capitalistas antes de 1914, que Lenin consideró una característica clave del imperialismo. China no está invirtiendo en el extranjero a través de sus empresas estatales debido a un 'exceso de capital' o incluso porque la tasa de ganancia de las empresas estatales y capitalistas esta cayendo.

Del mismo modo, la gran expansión de la inversión en infraestructura a partir de 2008 para contrarrestar el impacto del colapso del comercio mundial desde la crisis financiera global y la Gran Recesión que golpea las economías capitalistas no ha sido un gasto público a través del endeudamiento de tipo keynesiano, como la mayoría de los economistas y (algunos) marxistas argumentan. Fue un programa de inversiones de las corporaciones estatales planificada y financiada por los bancos de propiedad estatal dirigidos por el Estado. Fue lo que Keynes llamó una 'inversión socializada’, pero que nunca fue puesta en práctica en las economías capitalistas durante la Gran Depresión, porque hacerlo sería sustituir el capitalismo.

La ley del valor del modo de producción capitalista opera en China, principalmente a través del comercio exterior y la entrada de capitales, así como a través de los mercados internos de bienes, servicios y fondos. Por lo que la economía china se ve afectada por la ley del valor. Eso no es realmente sorprendente. No se puede 'construir el socialismo en un solo país' (y si un país está bajo una autocracia y sin democracia obrera, es así por definición). La globalización y la ley del valor de los mercados mundiales se filtran a la economía china. Pero el impacto es 'distorsionado', 'frenado' y bloqueado por la 'interferencia' burocrática del estado y la estructura del partido hasta el punto de que todavía no puede dominar y dirigir la trayectoria de la economía china.

Es cierto que la desigualdad de la riqueza y el ingreso en China bajo el 'socialismo con características chinas' es muy alta. Hay un creciente número de multimillonarios (muchos de los cuales están relacionados con los líderes comunistas). El coeficiente de Gini de China, un índice de desigualdad de los ingresos, ha pasado del 0,30 en 1978, cuando el Partido Comunista comenzó a abrir la economía a las fuerzas del mercado, a un máximo del 0,49 justo antes de la Recesión Global. De hecho, el coeficiente Gini de China ha subido más que en cualquier otra economía asiática en las últimas dos décadas. Este aumento fue en parte el resultado de la urbanización de la economía en la medida en que los campesinos rurales han emigrado a las ciudades. Los salarios urbanos en los talleres y las fábricas están dejando atrás cada vez más los ingresos de los campesinos (no es que los salarios urbanos sean nada del otro mundo, porque a los trabajadores de montaje de i-pads de Apple se les paga menos de 2 dólares la hora).


Pero también es en parte el resultado de la élite que controla las palancas del poder y se está enriqueciendo, permitiendo al mismo tiempo que algunos multimillonarios chinos ‘florezcan’. La urbanización se ha ralentizado desde la Gran Recesión y también lo ha hecho el crecimiento económico y el índice de desigualdad de Gini se ha reducido un poco.


La economía china se protege parcialmente de la ley del valor y la economía capitalista mundial. Pero la amenaza de la 'vía capitalista' permanece. De hecho, los datos del FMI muestran que, mientras que los activos del sector público en China siguen siendo casi dos veces mayores que los activos del sector capitalista, la brecha se está cerrando.


Bajo Xi, parece que la mayoría de la élite del partido continuará con un modelo económico que está dominado por las corporaciones estatales dirigidas a todos los niveles por cuadros comunistas. Esto es debido a que incluso la elite se dan cuenta de que si adopta la vía capitalista y la ley del valor se convierte en dominante, se expondrá al pueblo chino a una inestabilidad económica crónica (booms y crisis), a la inseguridad de empleo e ingresos y a mayores desigualdades.

Por otra parte, Xi y la élite del partido están unidos en su oposición a la democracia socialista como cualquier marxista la entendería. Desean preservar su régimen autocrático y los privilegios que se derivan de él. La gente todavía tienen un papel que jugar. Han luchado batallas locales por el medio ambiente, sus pueblos y sus puestos de trabajo y salarios. Pero no han luchado por más democracia o poder económico.

De hecho, la mayoría apoya al régimen. Los chinos apoyan al gobierno, pero están preocupados por la corrupción y la desigualdad - las dos cuestiones que Xi afirma que está combatiendo (pero en las que fracasará).

Una reciente encuesta realizada por el Centro de Investigación Pew encontró que el 77% de los encuestados creen que su forma de vida en China necesita ser protegida de la “influencia externa”. El politólogo Bruce Dickson colaboró con expertos chinos para estudiar la percepción pública del Partido Comunista de China gobernante. Los investigadores llevaron a cabo entrevistas directas con unas 4.000 personas en 50 ciudades de todo el país. Dickson concluyó: “No importa cómo se mida, no importa qué preguntas se pregunten, los resultados indican siempre que la gran mayoría de la gente está realmente satisfecha con el status quo”.


Parece que Xi y su banda durarán bastante tiempo.


Michael Roberts
es un reconocido economista británico, que ha trabajador 30 años en la City londinense como analista económico y publica el blog The Next Recession. 
 
Fuente: https://thenextrecession.wordpress.com/2017/10/25/xi-takes-full-control-of-chinas-future/ 
 
Traducción: G. Buster 
 
Via SIN PERMISO (http://www.sinpermiso.info/textos/xi-toma-el-control-total-del-futuro-de-china)
 
 

domingo, 29 de outubro de 2017

A inteligência artificial vai mudar o futuro da música?

Fonte: http://picssr.com/


Novo programa gerador de música provoca temores de que compositores se tornem supérfluos. Especialistas discutem aspecto criativo e humano envolvido na produção musical, assim como democratização da indústria criativa.

Especialistas apontam novas possibilidades na música com inteligência artificial
Neste ano, a cantora e personalidade do YouTube Taryn Southern celebrou o lançamento do seu álbum pop "I AM AI", que foi produzido inteiramente com um software de inteligência artificial (AI, na sigla em inglês). Ela usou um programa chamado Amper, um gerador de música open source.

Após fornecer informações como duração, tempo e chave, Southern deixou que o software fizesse a composição e a produção. Depois ela reorganizou as várias partes fornecidas para criar uma música estruturada. Sua estreia foi saudada como o "primeiro álbum produzido inteiramente com um software de inteligência artificial".

Parte de uma nova onda de composição de música AI e startups de produção como Jukeeck, Groov.AI e Humtap, o Amper é um serviço on-demand, que oferece músicas originais baratas e sem royalties para todos, de cineastas a anunciantes.

Como muitas tecnologias revolucionárias, a inteligência artificial gera receios de ruptura e redundância. Para compositores e produtores independentes que criam música original para o mercado publicitário, por exemplo, um aplicativo que pode fazer o mesmo trabalho em um prazo menor e por menos dinheiro é uma perspectiva assustadora.

John Groves, diretor da Groves Sound Communications e um peso-pesado internacional em termos de música para fins comerciais, não está preocupado com a possibilidade de se tornar redundante. Na verdade, ele disse estar "muito animado" com o avanço da inteligência artificial.

"Isso irá causar arrepios na nossa indústria", disse. "Mas temos que dar uma olhada no ritmo e perceber que as novas possibilidades superam os efeitos disruptivos."

Já Nick Collins – autor de uma série de livros sobre música e cofundador da Chord Punch, uma gravadora independente que lança trabalhos com base em algoritmos – lembra antigos temores da indústria musical em relação a novas tecnologias.

"É como o sindicato dos músicos que protestou contra a chegada do MIDI (Interface Digital de Instrumentos Musicais) na década de 1980", observou. "Olhe para todas as possibilidades criativas que surgiram a partir dessa tecnologia."

Valerio Velardo, diretor da Melodrive, startup pioneira da área de música dinâmica para videogames (trilhas sonoras que mudam de acordo com eventos no jogo), afirmou que o mundo está às vésperas da "próxima onda de democratização" dentro das indústrias criativas.

"Hoje em dia todos têm uma câmera digital de alta qualidade em seu telefone, mas isso não significa que os fotógrafos profissionais tenham desaparecido", disse ele. "Acho que será o mesmo com a AI. Duvido que o papel do compositor será prejudicado por esta tecnologia."

Computadores criativos

Mesmo assim, a estreia bem-sucedida da AI dentro da indústria da música pop desafia os preceitos comuns, em especial o de que a imaginação artística e a criatividade são traços inerentemente humanos, que não podem ser reproduzidos por computadores.

Robô vai virar cantor de ópera

"A música representa um desafio", disse à DW Steven Jan, pesquisador de música da Universidade de Huddersfield. "É uma das exigências mais cognitivas, mecânicas e emocionais de todas as atividades humanas, o que dificulta sua criação por um computador. É a última fronteira da AI."

"Ainda estamos em uma fase de criatividade exploratória", disse Velardo, referindo-se à forma como os sistemas AI são capazes de aprender e operar de forma criativa dentro dos limites de um espaço conceitual e, em última instância, imitar estilos de música estabelecidos.

Até o momento, no entanto, a criatividade transformadora, ou a capacidade de criar novos estilos musicais além desses limites conceituais, permanece fora do alcance. Velardo chama isso de "o santo graal da criatividade computacional".

Som humano

Então como a AI afetará a indústria da musical? Será que ela levará a uma maior previsibilidade na música? Collins diz que não, ressaltando que há "um número suficiente de programadores trabalhando em diferentes projetos para criar um ambiente diversificado".

A incorporação de computadores ao processo criativo já permitiu a quebra das divisões de trabalho entre compositores e intérpretes. Embora o advento da música eletrônica e de diferentes softwares já tenham provocado uma enorme onda de democratização do processo de criação, a AI poderia levar esse processo um passo além.

Mas o artista desaparecerá? Pascal Pilon, diretor da Landr, uma startup que usa big data e machine learning (aprendizado automático) para automatizar o processo final de produção musical conhecido como masterização, não pensa assim.

"Música é contar histórias, gostamos da personalidade do artista. Não acho que as pessoas vão querer ouvir música feita exclusivamente por computadores", disse ele.

De fato, a maioria das pessoas que desenvolvem essas tecnologias são compositores. O artista audiovisual e compositor eletrônico vanguardista Ash Koosha disse ao jornal The Guardian: "Estou tentando preparar música digital de uma maneira que ela não perca os valores humanos e não resulte não caminhe numa direção em que você simplesmente deixa a máquina decidir o que é música."

O musicólogo John Blacking escreveu de maneira semelhante em seu livro How Musical Is Man? (sem tradução no Brasil) que a música é, em última instância, "o som humanamente organizado".

Fonte:  http://www.dw.com/

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Inteligência Artificial




Glauco Arbix, desde São Petersburgo

Nos Estados Unidos, as pesquisas sobre inteligência artificial (IA) vêm de longe. Mas aceleraram de modo extraordinário nos últimos cinco anos, por conta da velocidade dos computadores, do aumento de sua capacidade de armazenamento, da queda de seu custo e, principalmente, pela sofisticação de sua pesquisa. Os avanços atuais ocorrem nas universidades, em empresas de alta tecnologia como o Facebook, Amazon, Apple, Google, IBM mas também em empresas industriais, como a Tesla e Nvidia.

Em sintonia com essa trajetória, o Conselho de Estado chinês anunciou em julho seus planos para fazer da China o principal centro de Inteligência Artificial em 2030. Empresas como a Baidu, Alibaba e Tencent, que já tinham foco em IA, serão agora mais incentivadas e vitaminadas pelo Estado.

Na mesma linha, a Rússia revelou suas intenções com a IA em setembro. O presidente Vladimir Putin afirmou que a “inteligência artificial é o futuro, não só da Rússia, mas também da humanidade”. E cravou as intenções do estado russo de se destacar na disputa nesse campo do conhecimento, tido como pré-condição para comandar o mundo.

O ponto central é que as novidades ligadas a IA atingem as pessoas diariamente, com dispositivos cada vez mais precisos de reconhecimento de imagens, voz, de face, de tradução, de captação de tendências e até mesmo de identificação do gosto de cada um. Áreas como a saúde, transporte, varejo, bancos, energia, manufatura e agricultura já vem sendo desestabilizadas por muitos desses avanços, que prenunciam tempos difíceis para aqueles que insistem em permanecer céticos em relação ao potencial da IA. Empresas de todo tipo e porte, instituições como as universidades e os governos estão instados a se envolver na geração e ampliação desse corpo de conhecimento, principalmente porque há questões de fundo ligadas à IA que não encontram resposta fácil. Questões caras a qualquer sociedade, já que envolvem transformações na economia, em valores éticos, legais, regulatórios, além de incidirem fortemente sobre pobreza, desigualdade, privacidade, emprego e renda, para não citar a educação, calcanhar de Aquiles do nosso país e fundamental para a imensa maioria dos trabalhadores.

Com essas preocupações, aqui de São Petersburgo vejo o professor Alexi Samsonovich do Departamento de Cibernética do Instituto de Engenharia e Física de Moscou, declarar que os pesquisadores russos estão no limite de anunciar um “major breakthrough” em IA.

Os ares são de segredo, mas o tema de máquinas emocionalmente inteligentes frequenta as conversas. Samsonovich já havia feito anúncio semelhante em Nova Iorque, há algumas semanas. O que se sabe é que ele e sua equipe desenvolvem atualmente um Ator Virtual, que seria capaz de planejar, fixar objetivos e apresentar caminhos para ampliar a relação entre as pessoas. A ver, pois os resultados podem se mostrar como mais uma promessa não cumprida da IA.

O instigante, porém, é a disposição existente para enfrentar desafios ambiciosos, o que é fonte de energia e de atração de uma legião de jovens pesquisadores que passam a trabalhar com os olhos no futuro.

Como brasileiro, confesso que sinto um pouco de inveja desse entusiasmo. O Brasil poderia fazer muito mais nesses domínios com a qualificação de seus pesquisadores. Nos tempos de hoje nosso país se perde e atira no próprio pé com os cortes indiscriminados em Ciência, Tecnologia e Inovação, como vem ocorrendo. É uma pena. Como na época do boom da microeletrônica, o Brasil corre o risco de perder mais uma grande oportunidade de dar um salto.

Minha universidade, a USP, com certeza poderia concentrar esforços e reunir pesquisadores e pesquisadoras das engenharias, da matemática, física, de todas as humanidades na construção de um grande polo de Inteligência Artificial, fundamental para animar redes no Brasil e no exterior.

Seria bom se os candidatos a reitor da USP, em meio ao processo eleitoral que culminará com a eleição no final deste mês, pelo menos piscassem como sinal de simpatia pelo tema. É a forma concreta de se batalhar pela valoração da pesquisa, sem se perder nos meandros da ideologia, como o meio mais eficaz de se colocar a USP no mesmo nível que as grandes universidades do mundo.

Outubro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

¿Qué hacemos con el miedo?

 

Alberto Tena 05/09/2017


El temor, la inseguridad, la percepción del riesgo son características de las sociedades humanas que no podemos simplemente relegar al núcleo de construcción del fascismo, e incluso rechazar como emociones oscuras.

Que entre los sentimientos más importantes que gobiernan nuestras vidas esté el miedo parece algo que podríamos asegurar sin el apoyo de muchos datos ni contrastados análisis. En la actualidad, se han acuñado conceptos como posverdad para intentar hablar de los populismos, y tratar así de identificar la supuesta irracionalidad de estos sentimientos en política. Pero la verdad es que estos siempre han estado presentes, y entre ellos el miedo y la búsqueda de seguridades, que, como estamos viendo ahora mismo en la campaña electoral francesa, sigue estando en el centro de los problemas europeos.

Para el psicoanálisis, el miedo se produce cuando la angustia, la pulsión del cuerpo sin objeto, encuentra un objeto al que agarrarse. Cuando las personas relacionan directamente la angustia que sienten con algo específico y permanente, la angustia se constituye en una fobia. La fobia aparece para atar ese conflicto entre la pulsión y su representación, su identificación con un objeto concreto que se ata a tu identidad. Cuando vemos que la mayor parte de los derechos y seguridades que tenemos a nuestro alrededor se desmoronan, el miedo puede manifestarse en fobia; como la xenofobia, miedo al extranjero, con la que se está dando una respuesta en todo Occidente en estos momentos. Esta angustia en torno a la que se constituye el miedo es de esas emociones que se vuelven muy pegajosas a nuevas representaciones y que mucho tienen que ver en general con la gente que tiene poca seguridad material a la hora de afrontar al futuro. Por eso, en general, la búsqueda de seguridad y protección ha estado tradicionalmente muy vinculada a las demandas del movimiento obrero y de los colectivos con menos poder social.

Cuando hablamos de seguridad, a secas, pensamos en un posible Ministerio de Seguridad y Defensa, que nos proteja frente a otros externos, y, en los últimos tiempos, se nos vienen a la cabeza con gran preocupación Marine Le Pen y Donald Trump. Desde el primer día que escuchamos hablar de ellos, la seguridad y protección de sus nacionales frente a los extranjeros mexicanos o islámicos, o contra la globalización y la Unión Europea y sus oligarquías, ha sido la bandera que ha ondeado en cada uno de sus discursos. La seguridad como bandera para construir comunidades políticas cerradas, con menos derechos y menos democráticas. Pero el miedo, la inseguridad, la percepción del riesgo son características de las sociedades humanas que no podemos simplemente relegar al núcleo de construcción del fascismo, e incluso rechazar como emociones oscuras. Ya se sabe, el miedo lleva a la ira, la ira lleva al odio, el odio lleva al sufrimiento, el sufrimiento al lado oscuro. En algún momento de esa cadena es fundamental hacernos cargo de estos sentimientos colectivos. Estas emociones han sido en realidad uno de los ejes fundamentales en torno a los que se han construido muchas de las instituciones más útiles y avanzadas para el movimiento obrero y para las personas con menos poder en nuestras sociedades.

“Seguridad Social” probablemente pueda significar cosas distintas para personas distintas, pero en general tenemos la idea de que trata sobre del deseo colectivo de tener una mayor protección frente a los múltiples problemas de la vida (por lo general en el mercado de trabajo), frente a la enfermedad, a las privaciones materiales y a la incertidumbre; e igual nos acordamos del Fondo de Reserva que vemos en los gráficos cada día en el telediario en bajada continua; y alguna gente, en los colectivos, plataformas y centros sociales, que les han permitido construir pequeños espacios de tejido comunitario; o las familias como último resorte de protección al que acudir cuando algo va mal. El 17 de noviembre de 1881, en el célebre discurso de Bismarck en el Reichstag, en el que se dijo eso de “es necesario un poco de socialismo para evitar tener socialistas”, en realidad, también se reconoció por primera vez colectivamente la misión de responsabilizarse del cuidado de todos los miembros de la sociedad sin que fuera la caridad la que tuviera que ocuparse de ello. En los siguientes años se fueron adoptando una serie de leyes sobre seguros contra los accidentes de trabajo, la invalidez y la vejez, y un sistema legislativo del que todavía hoy el sistema alemán conserva muchas de las características. Si tuviéramos que encontrar una única frase para definir el espíritu de lo que han sido los Estados de Bienestar de la posguerra, nos quedaríamos con la definición de Lord Beveridge según la cual todos los países democráticos avanzados deberían aspirar a poder garantizar a todos los ciudadanos la “seguridad de la cuna a la tumba”.

Actualmente nos enfrentamos a nuevos riesgos sociales: la globalización, el desempleo tecnológico, el fenómeno de los trabajadores pobres, los cambios en los roles familiares debido a la incorporación masiva, si bien incompleta y precarizada, de las mujeres al mercado de trabajo, el envejecimiento de la población y la inmensa cantidad de trabajo de cuidados socialmente necesarios que esto conlleva, el desempleo juvenil, o, en el caso español en especial, la extensísima pobreza infantil. Los sistemas de “seguridad social” bismarckianos nunca se imaginaron que podía suceder algo como la aparición de los trabajadores pobres. El pleno empleo y una familia (unas mujeres) constituían las bases para el bienestar. Pero ese sistema de Bienestar no está pensado para los problemas a los que tienen que hacer frente la mayoría de la población porque está construido bajo supuestos sociales que ya no se corresponden con la realidad: el pleno empleo como normalidad a partir de la cual se consolidan derechos; y la familia, fundamentalmente un grupo de mujeres, como institución que se iba a encargar de las tareas que permiten sostener una vida que pueda ser después empleada por alguien en el mercado de trabajo, para producir valor, ganar dinero, estatus social y de ahí una serie de derechos y condición de ciudadanía.

Una de las propuestas de mayor calado en cuanto a cambio de perspectiva en relación a las políticas que tienen que llevar cabo los Estados de Bienestar para afrontar estos nuevos riesgos es la de la Renta Básica. Y aunque tradicionalmente sus defensores hayan apuesto el acento en su capacidad de generar mayor libertad (real) para las personas, la seguridad, es también uno de los elementos clave. De los diferentes proyectos piloto que se han puesto en práctica en todo el mundo, uno de los más famosos es el que se hizo entre 1974 y 1979 en Dauphin, Canadá. El experimento consistió en proporcionar una renta de forma incondicional a toda la población con un cálculo inversamente proporcional a los ingresos que cada persona percibía por su empleo. La mayor estudiosa de lo que ahí sucedió es la economista Evelyn L. Forget, que realizó un trabajo especialmente profundo en lo que tiene que ver con el análisis de variables vinculadas a la salud, hospitalizaciones, salud mental etc. Todos esos indicadores mostraron mejoras considerables, pero no exclusivamente entre los individuos que recibían finalmente esa renta. Cuando Evelyn Forget trató de explicar por qué sucedía esto también entre las personas que no estaban recibiendo esos ingresos -- su salario superaba el umbral establecido en ese momento-- dijo que la clave era que esta renta que se garantizaba a las personas era percibida por los ciudadanos como una especie de póliza de seguros contra la pobreza en el futuro, y era esto lo que activaba toda una serie de mecanismos virtuosos vinculados a la salud en toda la zona de Dauphin. Las políticas de protección social deben ocuparse tanto de quienes ahora mismo están en situaciones de privación total y son los más vulnerables, que se entiende normalmente como los sujetos de las políticas de protección social, como de quienes en este momento están mejor, pero tienen la necesidad de sentirse seguros ante la posibilidad de circunstancias adversas en algún momento de su ciclo vital.

La seguridad ha sido una de las ideas fundamentales que ha sido capaz de organizar el orden político surgido de entreguerras que ahora está en crisis. La existencia de una subjetividad organizada, capaz de imaginar horizontes vitales sin demasiados sobresaltos, ha sido una de las claves que ha permitido mantener y proyectarse a la mayoría hacia posibilidades de progreso personal y colectivo. Este imaginario de seguridad se ha perdido para una gran parte de la población, y es probable que sea tarea nuestra reconstruirlo, hacernos cargo de estos sentimientos colectivos para tratar de darnos una respuesta. Socializar las tareas de cuidados como un derecho, una renta básica que nos asegure la existencia material a todo el que viva en el territorio, abrir todas las posibilidades de generar vínculos colectivos que nos ayuden a construir ese sentimiento de comunidad son tareas que no tienen que ver exclusivamente con la justicia social, ni solo con el progreso económico, sino que probablemente traten sobre una de las pocas garantías de construir un orden nuevo, capaz de sostener la vida de las personas en uno de los momentos de mayor incertidumbre global. En 2011 el colectivo Juventud Sin Futuro declaraba que la única forma de afrontar ese futuro incierto, sin casa, sin curro y sin pensión, era quitarse el miedo. Entonces sonó a una afirmación, pero probablemente es una necesidad, apartar el miedo sigue siendo una tarea política fundamental.


Alberto Tena es politólogo, especialista en políticas públicas y sociales

Fuente:
http://ctxt.es/es/20170524/Firmas/12868/CTXT-seguridad-miedo-Trump-Le-Pen-Tena.htm#.WSaU0CP_KCS.twitter

quinta-feira, 27 de julho de 2017

PORTO ALEGRE CERVEJEIRA






Água, cevada maltada, lúpulo, fermento: essa é a composição clássica da cerveja, que permite infinitas combinações. Desde muito tempo, porém, outros condimentos eram e são utilizados no processo de produção das cervejas, tais como coentro, cascas de laranjas, camomila, pimentas, etc. Alguns cervejeiros também gostam de temperar suas criações com baunilha, cacau, canela e até abóbora. Essas especiarias servem como complemento, para realçar o sabor de determinados tipos de cervejas.

Outras fontes de amido são utilizadas na fabricação de cervejas, como o milho e o arroz, para substituir parcialmente a cevada maltada. Isso é feito na produção em grande escala, para diminuir os custos e, assim, baratear o preço final. O impacto negativo na qualidade da cerveja, porém, é muito grande. Algumas pessoas pensam que o produto final, após a adição desses complementos, não é na realidade uma cerveja e sim outra bebida similar.

As grandes produtoras de cerveja utilizam muitos aditivos químicos no processo de produção, transformando seus produtos em verdadeiras sopas químicas, prejudiciais à saúde.





Estive conversando com um amigo Cervejeiro, sócio de uma cervejaria de médio porte, abaixo citado como fonte. Ele explicou que quando vai introduzir uma nova cerveja na linha de produção, inicialmente cria uma receita. Após, produz artesanalmente a cerveja e a bebe, sozinho ou, preferencialmente, com amigos e amigas. A partir dessa degustação realiza uma crítica e repete a produção artesanal várias vezes, com novas degustações, até chegar ao ponto que considera ideal. Somente então oferece a seu sócio a possibilidade de colocar na linha de produção. É um processo criativo meticuloso, porém creio que ele não sofra muito com isso. Normalmente o sócio dele faz ajustes para possibilitar que, a partir de então, a nova cerveja tenha características padronizadas.

Essa forma de produção é muito distinta das grandes indústrias de cerveja que, com poucas exceções, produzem de forma automatizada bebidas destinadas ao consumo de massa.

Alguém poderia dizer que essa forma de colocar são generalizações. De fato, são. Coloquei dessa forma apenas para destacar dois modos de produção com formatos muito diferentes entre si.



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Dá para dizer que, tradicionalmente, Porto Alegre é a cidade dos “Bar Chopp”. É sem dúvida uma característica local. Alguns ainda estão em atividade, como o Tuim e a Caverna do Ratão. Outros não existem mais, porém marcaram época. É o caso do Líder, Gato Preto, Liliput e tantos outros.

Nesses bares não tinha erro. Era servido Chopp gelado, acompanhado por almôndegas, bolinhos de bacalhau ou os famosos sanduíches abertos, além de outros petiscos tradicionais.

Praticamente todas as pessoas apreciadoras de cerveja tinham o “seu” Bar Chopp predileto, que era frequentado de forma quase cerimonial.

Esses estabelecimentos foram os antecessores dos atuais bares e botecos que surgiram após uma verdadeira “onda” de crescimento do consumo de cervejas artesanais e especiais.

Outra curiosidade sobre Porto Alegre: a primeira Oktoberfest realizada no Brasil, ocorreu na SOGIPA, em 1911, em comemoração ao centenário da primeira Oktoberfest alemã.


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No final do século XIX, Porto Alegre se destacava por ser uma espécie de capital da cerveja no Brasil. Havia 21 fabricantes, segundo o historiador Gunter Axt. A maior parte se localizava no bairro Floresta.

No início do século XX ocorreu um fenômeno de decadência econômica e financeira das cervejarias existentes, principalmente em função da expansão da carioca Brahma e da Antárctica Paulista.

Em 1924 foi realizada a fusão de três empresas familiares remanescentes (Bopp, Sassen e Ritter), para fazer frente à Brahma e Antárctica. Em 1945 esse empreendimento passou a ser denominado oficialmente Cervejaria e Maltaria Continental e funcionava na Av. Cristóvão Colombo, onde atualmente funciona um Shopping. Em 1946 a Continental acabou sendo incorporada pela Cervejaria Brahma.

A partir de então ocorreu gradativamente uma brutal concentração do mercado cervejeiro brasileiro.

Mais recentemente, em meados dos anos 90, ocorreu o início de um novo fenômeno: o surgimento de pequenas cervejarias alternativas às gigantes do mercado.

Não foi um fenômeno isolado. Aparentemente uma certa quantidade de pessoas de forma crescente, em várias partes do País, se deram conta que existia a possibilidade de produção de cerveja diferente do padrão das grandes produções.

Um número cada vez maior de pessoas passou a produzir, de forma artesanal, sua própria cerveja.

Em Porto Alegre, o surgimento da Dado Bier em 1995, foi um delimitador marcante em relação a essa nova cultura. A Dado Bier, em seus rótulos, declara ter sido a primeira Micro Cervejaria criada no Brasil.

Outro precursor dessa nova fase foi Gustavo Dal Ri. Gustavo produzia cerveja artesanal desde 1984, porém no ano de 2002 formalizou a criação de uma empresa dedicada à produção de cerveja, a Cervejaria Schmitt, primeira empresa a produzir cerveja artesanal em garrafa no Rio Grande do Sul.

A partir de então muitas microempresas dedicadas à produção de cerveja artesanal foram criadas, algumas conquistando renome nacional e até internacional.

Não vamos citar essas novas cervejarias para não cometer injustiças, porém calcula-se que existem em torno de 40 cervejarias com essas características em funcionamento na Capital das Gaúchas e Gaúchos.

A partir do ano de 2005 iniciou um fenômeno que atualmente está cristalizado: o surgimento de bares dedicados à comercialização de cervejas artesanais e especiais, com harmonização gastronômica específica.

Os primeiros estabelecimentos com essas características foram o Bierkeller, Água de Beber e Biermarkt, porém logo estabelecimentos similares se disseminaram. Atualmente existem vários bares, pubs, etc, que têm como centro de sua atuação a produção e/ou comercialização de cervejas artesanais e especiais.


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A primeira associação de pessoas em Porto Alegre destinada à produção de cerveja artesanal foi a Confraria da Cerveja da SOGIPA – Bierkeller, fundada em novembro de 2004.

Conforme registrado no site da ACERVA Gaúcha – Associação dos Cervejeiros Artesanais do RS, a Confraria da Cerveja da SOGIPA foi fundada com o objetivo de difundir a cultura da cerveja, estudar, pesquisar, produzir artesanalmente e degustar diversos tipos de cerveja.

O grupo fundador era composto desde simples degustadores até pessoas mais experientes, que já produziam artesanalmente suas cervejas em casa. Troca de experiências, promover palestras e eventos ligados ao conhecimento da cerveja também estavam nos objetivos da Confraria, que continua atuando até o presente momento, com duas reuniões mensais fixas: uma para produção de cerveja e outra para degustação.

Em julho de 2007 foi criado o embrião da ACERVA Gaúcha, movimento esse liderado inicialmente pelos cervejeiros Eduardo Boger, Leo Sassen e Jorge Gitzler. 

A fundação oficial da ACERVA Gaúcha, porém, somente ocorreu em novembro de 2007, com estrutura inspirada nas pioneiras ACERVAS Carioca e Mineira. Este fato ocorreu em encontro realizado na casa do cervejeiro Ronaldo Nast.
 
Convém registrar que em agosto de 2010 foi fundada, também, a Associação Gaúcha das Microcervejarias – AGM, organização encarregada pela congregação e defesa dos interesses das Microcervejarias no Estado do Rio Grande do Sul.

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A Revista da Cerveja, em sua edição nº 26 (janeiro/fevereiro de 2017), publicou o resultado de levantamento efetuado pelo Instituto da Cerveja Brasil – ICB, com dados inéditos sobre o mercado cervejeiro brasileiro, com destaque para a evolução da cerveja artesanal.

A pesquisa aponta que o Brasil continua sendo o terceiro maior produtor mundial de cerveja, com um volume de 138,6 milhões hL/ano.

Com a instabilidade da economia, as vendas no mercado de cervejas mainstream caíram: de 2015 a 2016 (janeiro a outubro), houve queda de 1,8%.

Apesar dessa baixa no mercado como um todo, o mercado de cervejas artesanais vai no sentido oposto.

Mesmo representando apenas 0,7% do volume total de cervejas no Brasil, aproximadamente 91 milhões L/ano, há um claro aumento no número de cervejarias artesanais nos últimos 11 anos.

Foram contabilizadas 372 cervejarias artesanais funcionando até o final de 2015, 17% a mais que em 2014.

A taxa de crescimento média está acima de 50 novas cervejarias por ano, quase uma nova empresa por semana.

As estimativas do ICB para 2016 acompanham esse ritmo: “acredita-se que em torno de 60 novas cervejarias tenham iniciado sua produção nesse ano, o que leva o país ao número de 432 cervejarias até o final de 2016”, aponta o documento.

A pesquisa ainda aponta um dado já sentido pelos consumidores: 91% das micro cervejarias estão nas regiões Sul e Sudeste, refletindo a concentração econômica do país.

A maior parte das cervejarias artesanais brasileiras é de pequeno porte, com produção média de 20 mil L/mês.

Mesmo com a crise político-econômica que atinge o país, o mercado de cervejas artesanais continua em crescimento e com boas perspectivas para os próximos anos.

“Levantamentos junto aos principais stakeholders deste mercado levam o Instituto da Cerveja a apostar na continuidade desse crescimento: a aposta é de que o número chegue a pelo menos 500 até o final de 2017”, registra a pesquisa.


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Não é exagero dizer que Porto Alegre atualmente se constitui em uma referência quando se trata de produção de cerveja artesanal, em relação a todo o país.

Atualmente existem várias cervejarias produzindo cervejas reconhecidas nacionalmente e até internacionalmente, em função de sua qualidade.

Existe até uma espécie de polo, na zona norte da cidade, onde se concentram em torno de 10 cervejarias de pequeno e médio porte.

Esse polo cervejeiro tem atraído a atenção dos apreciadores de cerveja de outros locais. Até um roteiro turístico foi criado, organizado pelo Sebrae/RS, para visitação organizada a algumas cervejarias.

Além disso, a produção informal de cervejas artesanais, em casas, apartamentos e garagens, é um fenômeno crescente, que desafia as estatísticas.

A produção e degustação de cervejas artesanais de qualidade tem se tornado uma verdadeira paixão para as pessoas envolvidas.

Por outro lado, observa-se um movimento de questionamento em relação a autoridades municipais, com foco nas autorizações para funcionamento.

Há uma queixa generalizada dos cervejeiros em relação ao excesso de burocracia para constituição e liberação de documentos necessários para funcionamento das pequenas produções de cerveja.

Esse fato, somado à carga de impostos estaduais e federais, é atualmente um empecilho para que o setor se desenvolva com mais rapidez.

As organizações que congregam os cervejeiros artesanais e produtores de micro e pequeno portes estão engajadas para solucionar os entraves atualmente existentes e contam com a sensibilidade do poder público.

Saúde!



Omar Rösler, em junho de 2017.


BEBA MENOS. BEBA MELHOR!
SE BEBER NÃO DIRIJA!






Fontes:



Jorge Gitzler: ex-Presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais do Rio Grande do Sul – ACERVA GAÚCHA, da Associação Gaúcha das Microcervejarias – AGM e da Associação Brasileira de Cervejarias Artesanais – ABRACERVA.



Gustavo dal Ri: sócio proprietário da Cervejaria Schmitt.



João Carlos Kerber Neto e José Otávio Kerber: sócios proprietários da Cervejaria Whitehead.



Revista da Cerveja: www.revistadacerveja.com.br



Acerva Gaúcha: www.acervagaucha.com.br



Blog Cervisiafilia: http://cervisiafilia.blogspot.com.br/