sexta-feira, 27 de abril de 2012

A (INCRÍVEL) SAGA DE LAION, O CÃO DA NOSSA RUA


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Para quem não conhece, a rua Honório Silveira Dias fica localizada no bairro Higienópolis, em Porto Alegre. É uma rua majoritariamente composta por prédios residenciais e possui dois trechos distintos, separados por grande estrutura da empresa municipal de águas e esgoto, o que transforma a rua em uma armadilha para motoristas que não conhecem a região.

O trecho onde acontece nossa história tem o tamanho de aproximadamente duas quadras e fica próximo a Av. Cristóvão Colombo, uma das principais artérias que ligam o Centro da Cidade à Zona Norte.

Pois bem, vamos à história: há aproximadamente 9 anos o então rapaz - hoje um jovem senhor - encarregado pelos moradores pela segurança desse trecho da Honório, teve a ideia de trazer um cão de raça indefinida e de porte médio para grande, de nome Laion, para auxiliá-lo na tarefa de cuidar da vizinhança.

Apesar de ser um cão relativamente arredio, muitos moradores se afeiçoaram a ele, contribuindo com uma casinha apropriada para cães desse porte e com alimentação, além de custearem despesas com saúde, tais como vacinas, banhos regulares, etc.

Em um dia qualquer Laion se sentiu mal e passou a ter dificuldade de locomoção.

Alguns moradores acharam adequado, então, interná-lo em uma clínica veterinária para averiguação, onde foi constatada a necessidade de administração regular de medicamentos a partir desse episódio.

Após a alta da clínica, esses protetores do cão deliberaram que Laion deveria se aposentar da sua função de protetor da rua e foi organizada sua "mudança" para a residência - com pátio - do responsável pela segurança da rua, localizada no Bairro Santo Onofre, município de Viamão, para onde foi deslocado de táxi no dia 19 de abril de 2012.

Não conformado com essa situação, Laion fugiu de seu refúgio de aposentado no dia 20 de abril, um sábado, o que causou grande comoção entre seus admiradores.
 
Incrivelmente, de forma súbita, eis que na quarta-feira, dia 25 de abril de 2012, Laion reaparece triunfalmente no seu local de trabalho, na Rua Honório Silveira Dias, todo esgualepado.

Cabe destacar que, segundo o Google Maps, o bairro Santo Onófre, Viamão, fica a mais de 22 km da Rua Honório Silveira Dias e que de sábado até quarta as condições do tempo não foram exatamente favoráveis.

Laion passa atualmente por período de descanso em um spa para cachorros e, após se restabelecer, voltará a cuidar do trecho da Honório o qual adotou como lar.

O que se comenta na rua é que Laion, nosso herói, possui GPS no focinho.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FUCKING

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Lugarejo chamado Fucking quer mudar de nome

Os habitantes de uma cidadezinha na Áustria estão cansados de piadas, das trotes diários e dos roubos das placas locais de sinalização. O motivo é o peculiar nome do povoado: Fucking.

Ainda que em alemão a palavra não tenha qualquer significado, salvo a memória de um nobre que viveu no século 6 chamado Focko, em inglês o termo desperta risadas e brincadeiras por ser sinônimo vulgar de ato sexual.

Desde que os soldados americanos e britânicos descobriram a pequena vila ao Norte de Salzburgo na II Guerra Mundial, turistas não param de chegar para tirar fotos no local.

Alguns chegam a arrancar avisos com o nome do povoado como souvenir ou, à noite, tiram fotos debaixo dos letreiros enquanto mantêm relações sexuais.

Para os Fuckingers, como são chamados os residentes, não há graça. De fato, estão promovendo a instalação de câmeras para dissuadir os amantes noturnos e uma consulta popular para trocar o nome do povoado.

Há seis anos os cerca de 100 habitantes disseram não à mudança de nome argumentando que Fucking tem uma larga e intensa história de mil anos. Mas agora estão pensando seriamente em mudar de Fucking para Fugging.

Milenar e orgulhoso

Desde de 1070 há referência a Fucking. Primeiro o local foi conhecido como Funcingin, logo Fukching e finalmente Fugkhing. Em 1760 o povoado passou a ter o nome atual.

"Os turistas alemães querem ver a casa de Mozart em Salzburgo. Italianos e russos gostam de celebrar o Ano Novo por aqui. Os japoneses, por sua vez, buscam a vila onde Hitler nasceu, Braunau. Mas no caso de muitos americanos e britânicos, ele buscam Fucking. É uma obsessão", afirma Andreas Behmüller, guia local.

Com a fama que o povoado ganhou, em uma só noite roubaram quatro letreiros que dão as boas vindas aos turistas, o que fez as autoridades ordenarem a construção de avisos de ferros e concreto fixados no chão. De acordo com a polícia local, estes avisos "requerem uma noite inteira para serem arrancados".

Turismo versus tranquilidade

Apesar da indignação dos Fuckingers, em alguns povoados próximos afirmam que seria bom tirar proveito do nome.

Josef Winkler, habitante de Fucking, tentou, em uma ocasião, montar uma banca de camisetas com a frase: "I love Fucking".

O negócio começou a crescer até que os vizinhos passaram a insultar Winkler nas ruas.

Também houve uma tentativa de se comercializar uma cerveja, Fucking Hell, mas a marca foi proibida pela autoridade que cuida de patentes na União Europeia, a OHMI.

Franz Meindl, prefeito da cidadezinha, prefere a tranquilidade para Fucking.

"Só queremos que os turistas nos deixem sozinhos e em paz. Estamos orgulhosos de Fucking", disse Meindl.

O certo é que Fucking não é o único povoado como nome chamativo na área. Na fronteira entre Alemanha e Áustria fica Faulebutter (manteiga podre), Katzenhirn (Cérebro de gato), Plöd (Estúpido) e Warzen (Verrugas).


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Los altos mandos de la época consideraron el ataque a Gernika como un éxito total

GUERNICA, DE PICASSO.

Ingo Niebel (Colonia, Alemania, 1965) era muy joven cuando oyó hablar por primera vez del bombardeo de Gernika y, desde entonces, ha investigado mucho sobre el tema. Al hilo del septuagésimo quinto aniversario del bombardeo, ha disertado sobre la posición de los alemanes respecto al ataque en las jornadas organizadas por Euskal Etxea de Berlín. "Hasta 1997 había dos bandos: el de los historiadores que reconocían que el ataque lo realizó la Legión Cóndor y el de los revisionistas." La entrevista la realizó Arantxa Elizegi.

Como a España, a Alemania le costó reconocer la verdad de lo sucedido en Gernika.

Sí. Piensa que hasta 1975 no se reconoció oficialmente que Gernika la bombardearon los aviadores de la Legión Cóndor. Ese año, a petición del gobierno de Bonn, el historiador militar Klaus A. Maier investigó los hechos y también reconoció que la Legión Cóndor fue la responsable del bombardeo.

¿Cuál fue la versión vigente hasta entonces?

Hasta la publicación del libro de Maier, había debate en torno a lo sucedido. Algunos decían que Alemania era la responsable, pero otros decían que también pudo ser un ataque cometido  por el ejército rojo. En ese aspecto, la versión del gobierno de Franco tuvo influencia, ya que arguyó que el pueblo fue destruido por incendios provocados por los rojo-separatistas. Pero a principios de la década de los setenta, diversos periodistas españoles, como Vicente Talón, empezaron a decir que el bombardeo fue una decisión de la Legión Cóndor por propia iniciativa y que Franco no lo supo hasta que ya era demasiado tarde. Por eso, en la República Federal Alemana se decidió investigar lo ocurrido.

Es comprensible que, después de la Segunda Guerra Mundial, las autoridades alemanas no quisieran admitir responsabilidad alguna en el bombardeo de Gernika, como tampoco quiso hacerlo Franco. Pero ¿cuál fue la posición del régimen hitleriano?

El debate en torno al bombardeo de Gernika tiene varios aspectos. En lo tocante a la política y la propaganda, las autoridades de Adolf Hitler negaron tener relación con el bombardeo, toda vez que, oficialmente, hasta junio de 1939 no había soldados alemanes en los territorios bajo dominio español. Es decir, hasta junio de 1939, la intervención de la Legión Cóndor en la península fue secreto de estado. Por tanto, Alemania no podía reconocer que había realizado bombardeos en el País Vasco y en los territorios españoles. Por otra parte, a partir de 1939, la propaganda no podía desmentir lo dicho hasta entonces y admitir la autoría alemana. Por ello, siguieron negando los hechos. Desde el punto de vista militar, el propio von Richthofen y los demás oficiales que dirigieron a la Legión Cóndor, así como varios responsables militares que investigaron posteriormente sobre el ataque, consideraron un éxito total el bombardeo de Gernika. Es decir, si bien tras la Segunda Guerra Mundial varios oficiales dijeron que se habían equivocado y que su verdadera intención era destruir el puente de Rentería, los responsables del momento explicaron claramente en los documentos de la época que consideraron la operación como una victoria. No obstante, los grupos antifascistas del exilio acusaron al régimen nazi desde el principio, empezando en 1937 y llegando hasta hoy.

¿Cuál es la posición de la Alemania actual?

Desde el punto de vista político, en Alemania ya no hay dudas sobre la responsabilidad del bombardeo. Ese debate existió aquí en la década de los noventa, pero todo acabó en 1997, cuando el entonces presidente federal, Roman Herzog, pidió perdón por lo cometido. Hasta entonces, empero, es cierto que había dos bandos: por un lado, el de los historiadores que reconocían que fue una acción de la Legión Cóndor, y, por el otro, el de quienes, agarrándose a la versión del régimen franquista, decían que el ataque lo cometieron los rojo-separatistas o, como mucho, argüían que fue un "error". Pero hoy en día la versión de los revisionistas está completamente desacreditada. En lo tocante al Estado español, sin embargo, existen graves problemas a la hora de hablar de su pasado franquista. La propia existencia del Valle de los Caídos y el hecho de conservar allí mismo los restos de José Antonio Primo de Rivera o de Francisco Franco resulta increíble en Alemania. Aquí sería impensable que se construyera en Berlín un mausoleo de homenaje en el lugar donde murió Hitler. También resulta increíble que no se haya convertido el Valle de los Caídos en archivo de los crímenes de la época franquista.

Ingo Niebel es historiador y periodista. Es colaborador del diario Junge Welt y corresponsal en Berlín del diario vasco Gara.

Traducción para www.sinpermiso.info: Daniel Escribano

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terça-feira, 17 de abril de 2012

O "REI" DA ESPANHA E OS ELEFANTES

Rei da Espanha e seu elefante morto.


Após cair, fraturar o quadril e precisar ser operado, o rei espanhol Juan Carlos I agora se tornou alvo da ira de ambientalistas espanhóis, que ficaram revoltados ao saber que ele sofreu o acidente quando participava de uma caça a elefantes em Botsuana. Apesar da prática ser legalizada no país, Juan Carlos é presidente de honra da World Wide Found (WWF, uma organização que luta pela preservação da natureza) na Espanha.

Além do controverso hobby, o rei recebe críticas na Espanha por ter viajado para uma viagem excêntrica no meio de uma forte crise econômica que atinge o país.

Uma página feita para recolher assinaturas e pedir sua saída do cargo simbólico já está no ar. Segundo o texto, a prática da caça é "incompatível" com o trabalho e a missão da WWF. A página mostra ainda uma foto do rei ao lado de um elefante morto, com uma arma na mão, no que se supõe ter sido um animal abatido por ele.

Juan Carlos I é presidente de hona da WWF Espanha desde que a ONG foi criada em 1968, ainda sob o nome de Associação de Defesa da Natureza, sete anos após a criação da organização internacional.

A ONG atua em diversas frentes pela proteção e defesa do meio ambiente, inclusive em programas pelos elefantes da África e da Ásia.

"A WWF reitera seu compromisso com a preservação de elefantes, o que tem feito há 50 anos, lutando contra a caça ilegal, o tráfico ilegal de marfim e a destruição de habitats, não apenas em países como Botsuana onde a população de elefantes agora alcançou o número de 130 mil e onde a caça é regulada, como em outras nações da África e da Ásia onde as populações estão ameaçadas", afirmou a organização em um comunicado.

Fonte da imagem acima e acesso ao abaixo-assinado AQUI.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

LO QUE HAY QUE DECIR

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Günter Grass *

Por qué guardo silencio, demasiado tiempo,

sobre lo que es manifiesto y se utilizaba

en juegos de guerra a cuyo final, supervivientes,

solo acabamos como notas a pie de página.

Es el supuesto derecho a un ataque preventivo

el que podría exterminar al pueblo iraní,

subyugado y conducido al júbilo organizado

por un fanfarrón,

porque en su jurisdicción se sospecha

la fabricación de una bomba atómica.

Pero ¿por qué me prohíbo nombrar

a ese otro país en el que

desde hace años —aunque mantenido en secreto—

se dispone de un creciente potencial nuclear,

fuera de control, ya que

es inaccesible a toda inspección?

El silencio general sobre ese hecho,

al que se ha sometido mi propio silencio,

lo siento como gravosa mentira

y coacción que amenaza castigar

en cuanto no se respeta;

“antisemitismo” se llama la condena.

Ahora, sin embargo, porque mi país,

alcanzado y llamado a capítulo una y otra vez

por crímenes muy propios

sin parangón alguno,

de nuevo y de forma rutinaria, aunque

enseguida calificada de reparación,

va a entregar a Israel otro submarino cuya especialidad

es dirigir ojivas aniquiladoras

hacia donde no se ha probado

la existencia de una sola bomba,

aunque se quiera aportar como prueba el temor...

digo lo que hay que decir.

¿Por qué he callado hasta ahora?

Porque creía que mi origen,

marcado por un estigma imborrable,

me prohibía atribuir ese hecho, como evidente,

al país de Israel, al que estoy unido

y quiero seguir estándolo.

¿Por qué solo ahora lo digo,

envejecido y con mi última tinta:

Israel, potencia nuclear, pone en peligro

una paz mundial ya de por sí quebradiza?

Porque hay que decir

lo que mañana podría ser demasiado tarde,

y porque —suficientemente incriminados como alemanes—

podríamos ser cómplices de un crimen

que es previsible, por lo que nuestra parte de culpa

no podría extinguirse

con ninguna de las excusas habituales.

Lo admito: no sigo callando

porque estoy harto

de la hipocresía de Occidente; cabe esperar además

que muchos se liberen del silencio, exijan

al causante de ese peligro visible que renuncie

al uso de la fuerza e insistan también

en que los gobiernos de ambos países permitan

el control permanente y sin trabas

por una instancia internacional

del potencial nuclear israelí

y de las instalaciones nucleares iraníes.

Solo así podremos ayudar a todos, israelíes y palestinos,

más aún, a todos los seres humanos que en esa región

ocupada por la demencia

viven enemistados codo con codo,

odiándose mutuamente,

y en definitiva también ayudarnos.

Traducción de Miguel Sáenz. El texto original en alemán se publica hoy en el diario Süddeutsche Zeitung.

*  Günter Grass (também grafado Günter Graß); Danzig, 16 de outubro de 1927) é um intelectual, romancista, dramaturgo, poeta e artista plástico alemão. Nascido em Danzig, posteriormente Gdansk, na Polônia, sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. Recebeu o Nobel de Literatura de 1999. Também é reconhecido como um dos principais representantes do teatro do absurdo da Alemanha. (Wikipedia)

domingo, 15 de abril de 2012

Censura e Poder no Império das Letras

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Um dia a Revista de História da Biblioteca Nacional poderá publicar uma reportagem intitulada "Censura e poder no império das letras", contando o que lá aconteceu nos primeiros meses de 2012.

No dia 24 de janeiro, o jornalista Celso de Castro Barbosa publicou no site da Revista de História uma resenha do livro "A Privataria Tucana". Durante nove dias o texto esteve no ar, até que foi condenado publicamente pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra. Daí em diante deu-se uma sucessão de desastres. A resenha foi expurgada, quando a boa norma recomendava que fosse contraditada por outros textos. A Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin) informou que o texto não passara pelos procedimentos burocráticos da redação. Falso. Em seguida, a colaboração regular de Barbosa foi dispensada pelo editor da revista, professor Luciano Figueiredo.

No dia 29 de fevereiro o jornalista enviou uma carta a oito membros do Conselho Editorial da revista contando seu caso: "Gostar de um livro, senhoras e senhores conselheiros, não é crime". Nenhum deles respondeu e até hoje o Conselho nada disse sobre o expurgo do texto. Nem a Sabin.

Enquanto essa panela fervia, a Sabin demitiu o professor Figueiredo. Um caso nada tinha a ver com o outro, pois as razões da dispensa eram administrativas. Diversos conselheiros, insatisfeitos com a demissão, ameaçaram renunciar. A briga tinha cacique demais e índios de menos, até que a redação, que faz a revista, resolveu falar. Ela enviou uma carta aos conselheiros informando que "um incômodo tem nos acompanhado: o discurso público dos senhores em solidariedade ao ex-editor, na tentativa de fazê-lo retornar à revista". Queixaram-se de sua gestão e mais: "A RHBN precisa de um editor que não ordene à equipe trabalhos extra-RHBN, sem remuneração".

No dia 1, Celso de Castro Barbosa enviou nova carta aos mesmos oito conselheiros da revista, com a mais justa das queixas: "Procurei mantê-los informados, mas o que se seguiu foi seu silêncio estridente. (...) Francamente, com amigos como vocês, a Biblioteca Nacional não precisa de inimigos".

Resposta, nem pensar.

Elio Gaspari

KEITH MOON FOI CONVIDADO PARA TOCAR NOS JOGOS DE LONDRES

 

Os organizadores dos Jogos de Londres convidaram Keith Moon, baterista do The Who, para tocar no encerramento do evento.

O único problema é que o músico está morto desde 1978. 

"Moon agora reside no Crematório Green Golders", respondeu o empresário da banda, Bill Curbishley, ao contato feito por e-mail pela organização dos Jogos.

 CP

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Demóstenes e o ”duplipensar” da grande imprensa

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Qualquer pessoa de bom senso, que tenha lido os articulistas da grande imprensa, desde o surgimento dos escândalos envolvendo o senador Demóstenes Torres, concluirá facilmente que os trabalhadores das oficinas de consenso, aturdidos com o que lhes parece um ponto fora da curva, uma desconstrução dispendiosa e extemporânea, são como aqueles motoristas que imaginam poder dirigir um veículo com os olhos presos ao retrovisor. Não enxergam a clareza da realidade. O círculo do jornalismo de encomenda, minúsculo e cego, está só, murado no seu isolamento.

A pedagogia dos fatos, inexorável nas suas evidências, parece passar ao largo das redações. O que se faz ali não é jornalismo, mas um simulacro de literatura de antecipação marcada por profundo pessimismo e cenários de devastação. Talvez George Orwell e seu clássico 1984 expliquem melhor o suporte narrativo da fábula que não deixa de trazer uma concepção de história autoritária e retrógada.

As delicadas relações do senador goiano com o bicheiro Carlinhos Cachoeira – e a possibilidade de que o governador tucano Marconi Perillo venha a ser o próximo alvo – pôs em operação o “duplipensar” orwelliano que, desde a posse de Lula, está incorporado aos manuais de redação. Como o objetivo é afastar o ex-varão de Plutarco de cena, para prosseguir atacando o governo da presidente Dilma, os “cães de guarda” cumprem a tarefa com afinco.

No reduzido vocabulário da “Novilíngua”, o “duplipensamento” é assim explicado por um dos personagens de 1984: “capacidade de manter simultaneamente duas crenças opostas, acreditado igualmente em ambas(…). Saber que está brincando com a realidade mas, mediante o exercício de tal raciocínio, convencer a si próprio, que não está violentando a realidade. O processo deve ser consciente, pois do contrário não funcionará com a previsão necessária: mas, ao mesmo tempo, deve ser inconsciente para não produzir sensação de falsidade e culpa”. Com esse trecho, cremos ter decifrado os sorrisos de Merval Pereira, Dora Kramer, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, entre outros, quando confrontados com a palavra “ética”.

Para eternizar a ordem que defendem com unhas e dentes o cenário político, submetido ao pensamento único, passa por processos de ocultamento e simplificação, visando a eliminar todas as possibilidades de pensar dos membros do Partido Imprensa.

Outra implicação do “duplipensar” da mídia corporativa é a constante alteração do passado. O registro – e consequentemente a memória – dos fatos ocorridos devem ser refeitos sempre, a fim de adaptarem-se ao presente. O trabalho de um “bom” editorialista é reescrever a visão dos veículos em que trabalha para que não contradiga a realidade de hoje. Assim, por exemplo, Folha, Globo e Estadão podem condenar o golpe de 1964, mesmo o tendo apoiado ostensivamente. Se um livro denuncia um líder político como Serra e outras figuras no seu entorno, a solução é simples: Ele nunca foi escrito e, portanto, jamais será resenhado, sendo passível de punição severa quem não entender como funcionam as “leis naturais”.

Além da eliminação do passado como elemento de desarmonia com o presente e como instrumento de verificação das afirmações do Partido Imprensa, este recorre a outros meios, bem mais convencionais, para moldar a consciência de seus filiados e simpatizantes (leitores e telespectadores): educação permanente assegurada pela propriedade cruzada dos meios de comunicação, atividade coletiva sem intervalos, o que pode ser obtido mediante ampla oferta de blogs, sites, jornais e redes que digam sempre o mais do mesmo . Para concluir, vem a valorização do poder político como fim, não como meio.

O incômodo Demóstenes deve, após a sequência de denúncias, ter um diagnóstico clínico que despolitize o seu desvio. Merece, pelos serviços prestados, um roteiro que conte a tragédia do Catão caído, até que, finalmente, desapareça na lata de lixo reservada aos que fugiram da trama original. Assim agem os bons autores ao tomar como ponto de partida uma realidade familiar e palpável e transformá-la em espetáculo perecível. Em tempo: o DEM, assim como o PFL, nunca contou com o apoio das corporações midiáticas por um simples motivo: nunca existiu.

Vejam como operam nossos talentosos colunistas. Orwell ficaria tão contente que, com certeza, lhes arrumaria um lugar no Ministério da Verdade.

“Em um mês, o senador Demóstenes Torres passou de acima de qualquer suspeita para abaixo de qualquer certeza, num episódio que desafia os romances policiais mais surpreendentes. Além da atuação implacável contra a corrupção, ele tinha a cara, vestia o figurino e se comportava como um incorruptível homem de bem – e talvez seja mesmo sócio da holding criminosa de Cachoeira (Nélson Motta, 6/04/2012, o Globo)

“Demóstenes Torres não seria beneficiado pelo “vício insanável da amizade” – expressão usada pelo notório Edmar Moreira (o deputado do “castelo”) para definir o principal obstáculo a punições -, pois os amigos que fez ali estão entre as exceções e os demais confirmam a regra. Por terem sido alvos do senador na face clara de sua vida agora descoberta dupla, podem querer mostrar-se ao público em brios. O problema, porém, é a falta de credibilidade” (Dora Kramer, 6/04/2012, Estado de São Paulo)

“Esse personagem que o senador criou para si próprio não era uma mentira de Demóstenes, ele incorporou esse personagem e acreditava nele. Podia acusar com veemência seus colegas senadores apanhados em desvios, como Renan Calheiros, enquanto mantinha o relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira porque, como todo psicopata, não misturava as personalidades “(Merval Pereira, reproduzindo argumento do psicanalista Joel Birman, 30/03/2012, O Globo)

Admiráveis funcionários de um jornalismo inqualificável.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.

CdB

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O ESTUPRO DO STJ E A LEI SECA DO STF

A Justiça tem sido cega e surda. Só não é muda.

ONU repudia decisão do STJ sobre estupro

Tribunal inocentou homem acusado de abusar de três meninas de 12 anos
O Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou nota em que "deplora" a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de inocentar um homem acusado de estuprar três crianças com menos de 12 anos de idade. No julgamento, o STJ entendeu que nem todos os casos de relação sexual com menores de 14 anos podem ser considerados estupro.


O juiz que analisou o caso e o Tribunal de Justiça paulista inocentaram o réu com o argumento de que as crianças "se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data". Segundo a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora do caso no STJ, "as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo".

Representante do escritório, Amerigo Incalcaterra contesta a avaliação do Judiciário. "A decisão do STJ abre um precedente perigoso e discrimina as vítimas com base em sua idade e gênero." Para ele, o STJ violou tratados internacionais de proteção aos direitos da criança e da mulher, ratificados pelo Brasil. Incalcaterra pede que o Judiciário brasileiro priorize os interesses infantis em suas decisões. "Segundo a jurisprudência internacional, os casos de abuso sexual não devem considerar a vida sexual da vítima para determinar a existência de um ataque, pois essa interpretação constitui uma discriminação baseada em gênero", diz o texto da nota.

A decisão do STJ provocou críticas de diversos segmentos da sociedade, que viram no resultado do julgamento uma brecha para descriminalizar a exploração sexual da infância e o turismo sexual no país. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que "a sentença demonstra que quem foi julgada foi a vítima, não quem está respondendo pela prática de um crime".

CP

Nota do Blog: No mesmo período em que o STJ cometeu essa barbaridade jurídica, o Supremo Tribunal Federal (STF), jogou água fria na Lei Seca, ao decretar que somente o bafômetro e o exame de sangue são validos como prova contra ingestão de álcool no motorista. Como ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, significa dizer que a Lei, tornou-se inócua e uma arma contra o próprio Estado. A pergunta que se pode fazer é: em que sociedade vivem esses(as) juristas?

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

BOLSONARO EM CAMPANHA ELEITORAL

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Bolsonaro causa tumulto em comissão

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara pediu abertura de processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). 

Segundo o presidente da comissão, Domingos Dutra (PT-MA), Bolsonaro teria tumultuado a reunião da Comissão Parlamentar da Memória, com ofensas a funcionários, deputados e convidados que prestavam depoimentos - camponeses envolvidos na Guerrilha do Araguaia. 

A reunião, que era fechada, foi interrompida por Bolsonaro. 

Depois de tentar obter, sem sucesso, o nome dos depoentes, o deputado passou a xingar os presentes e, em seguida, a gritar no corredor para inviabilizar a sessão.

CP


Momento Cultural do Blog:

(sa.la.frá.ri.o)
sm.
1. Pej. Pop. Homem safado, ordinário, sem caráter; CANALHA; PATIFE; PULHA [Tb.se diz apenas salafra]
[F.: De or. obsc. F. red.: salafra.]

segunda-feira, 2 de abril de 2012

30 ANOS DE MALVINAS (OU COMO TROPEÇAR NA MESMA PEDRA)

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30 años de Malvinas o cómo no tropezar con la misma piedra
Carlos Abel Suárez · · · · ·

El 30 de marzo de 1982 participamos de la primera protesta obrera y popular masiva contra la dictadura militar. La entonces llamada CGT de la calle Brasil o CGT Brasil, para diferenciarse de los colabores de los militares (la CGT Azopardo), había convocado a un paro nacional con movilización. Unos 50 mil manifestantes intentaban llegar a Plaza de Mayo aunados en la consigna "Paz, pan y trabajo". La policía y las bandas armadas de la dictadura reprimían brutalmente a las columnas que por Diagonal Norte, Rivadavia, avenida de Mayo y otras calles intentaban llegar a la plaza de Mayo. Una nueva generación de dirigentes y activistas tenía su bautismo de fuego en las calles, saliendo de las sombras del silencioso y riesgoso trabajo clandestino. La dictadura había culminado la operación exterminio, que comenzó con la Triple A, de las organizaciones populares, de la militancia social, política y cultural. No obstante, sobrellevando las dificultades que supone la clandestinidad, la resistencia a la dictadura se iba articulando, lo que se pudo comprobar en la movilización del 30 de marzo. Estaban todavía en las cárceles miles de presos políticos o sociales sin juicio ni condena y en esa noche se sumaron cientos o miles de nuevos presos en todo el país. Pese a que en ese día las principales ciudades del país fueron realmente ocupadas por las fuerzas represivas, el paro tuvo alcance nacional y se realizaron manifestaciones en varias provincias, entre ellas en Mendoza, donde fue asesinado José Benedicto Ortiz, un obrero cementista. La dictadura que había devastado el país y aparentemente abatido el movimiento social con la práctica sistemática del terrorismo de Estado, comenzaba a mostrar signos de resquebrajamiento.

Las luchas intestinas entre los jefes militares, que existieron desde el primer día del golpe, expresaban tendencias alimentadas por la ambición personal y el juego de los múltiples intereses de los tecnócratas y empresarios locales y transnacionales que ellos encarnaban. El reemplazo del dictador Jorge Rafael Videla por Roberto Viola desató una pelea abierta y desde allí las fisuras se acentuaron. Especialmente cuando fueron evidentes los resultados catastróficos de la política económica implementada por José Alfredo Martínez de Hoz, incluso para sectores de la gran burguesía. Pero además porque ocurrió un cambio en el escenario internacional que los "chicago boys" no habían previsto. En ese momento asume como un nuevo restaurador del "Proceso" el general Leopoldo Fortunato Galtieri, entonces comandante en jefe del Ejército y niño mimado del establishment militar de Washington, que había sido derrotado en Vietnam y ahora quería reivindicarse en la nueva guerra sucia de América Central.

Los dirigentes políticos peronistas, radicales y otros menores – los que se habían preservado de las migajas en intendencias y gobernaciones que tiraron los militares – estaban al tanto de las peleas internas de los militares y jugaban sus fichas, aunque pocos habían advertido la profundidad de la crisis internacional y el juego perverso que planeaban los mandos de la dictadura. Incomprensible por cierto, porque meses atrás ya los columnistas que tenían información relevante del poder militar y su corte escribían sobre la posibilidad de una escalada en el conflicto con Gran Bretaña por las Malvinas y hasta revelaban detalles del mismo. Las cartas estaban marcadas. Las secuelas brutales del terrorismo de Estado que ellos habían aplicado y que figurarán en las páginas de horror de la humanidad, podían ser acrecentadas aún más. Desde el inicio la estrategia – si se pueden llamar estrategia a esos planes - contemplaba una carnicería mayor. Estuvieron a punto de lograrlo en una guerra con Chile, cuando el sanguinario jefe del III Cuerpo de Ejército, Benjamín Menéndez, proclamaba que estaba ansioso "por mojarse las patas en el Pacífico". El objetivo fue alcanzado en Malvinas.

Como fue dicho en el interesante libro "Malvinas, de la guerra ´sucia´ a la guerra ´limpia´" del recordado intelectual León Rozitchner, la confusión embargó a ideólogos de izquierda para los que "el parloteo revolucionario y las citas de Gramsci encubrían la falta de principios y de deslinde ideológico contra sus supuestos enemigos, lo que pudo hacerles creer que la guerra de las Malvinas no era la continuación de la política del genocidio."

El desembarco en Malvinas y las Georgias se consumó en 2 de abril, han pasado 30 años. La "causa" de Malvinas cayó como anillo al dedo para encontrar una salida a una crisis política, económica y social. La miopía de la clase dominante en su conjunto, acompañada por un coro multitudinario, no advirtió que el mundo era más complejo. Esa movida en el tablero también le servía a la Inglaterra de Margaret Thatcher, a Ronald Reagan y a la OTAN. Hemos caracterizado en estas mismas páginas la guerra de Malvinas al cumplirse 25 años (http://www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=1120); podríamos cambiar la fecha y decir ahora, cinco años después, lo mismo. Esperemos que en el 50 aniversario el debate político sea superior, que Malvinas y sus habitantes estén integrados en la América del Sur sin nuevas guerras ni dictaduras.

Inmediatamente después del desembarco, las primeras encuestas mostraron un bajo apoyo en la población a la aventura militar. Los miles que se manifestaron en plaza de Mayo y en algunas capitales de provincias no representaban una voluntad mayoritaria. El realismo de que asistíamos a un salto al vacio era percibido en los hogares más humildes, con una sensación de que la fiesta y la vocinglería guerrera, como si fuese un mundial de fútbol, la pagaríamos con creces, pero ocurre en el contexto de una dictadura feroz, esos sentimientos se expresan por canales no visibles. Varios intelectuales, movimientos de derechos humanos, grupos de intelectuales coincidieron en una postura pacifista. No obstante la propaganda oficial, especialmente la Televisión, se encargó de exaltar el chovinismo a un nivel tragicómico. Las celebridades recolectaban joyas para un fondo patriótico, que nunca se supo a dónde fueron a parar esas donaciones, en las escuela se pedían aportes de chocolates para los soldados, que nunca llegaron a destino, escritores de cierto renombre pedían suprimir la enseñanza del inglés en las escuelas, los del casi centenario Bar Británico le cambiaban presurosos el nombre, las señoras de barrio Norte, que nunca tejieron una bufanda a un nieto, porque la compraban en Londres, tejían alrededor del Obelisco los días soleados. Ese era el aporte patriótico de las clases altas y medias de Buenos Aires, mientras los más pobres, desde los rincones más humildes del país, ponían sus hijos como soldados, sin preparación ni equipo adecuado, que pasaban hambre y frío, sufriendo crueles castigo de sus jefes, salvo muy pocas excepciones ineptos, solo entrenados para la represión interior y los grupos de tareas de la dictadura.

Un aporte no menor al triunfo de los ingleses fue el de los propios militares y funcionarios, que por ingenuidad o lucro siguieron pasando durante el conflicto información a las dependencias de la CIA y el Departamento de Estado, en la lógica absurda de que ese gesto de buena voluntad hacia Washington – como exportar torturadores y grupos de tareas a Honduras, El Salvador o a la contra nicaragüense - torcería los compromisos históricos , estratégicos y geopolíticos de la principal potencia mundial. Estos hechos fueron denunciados, con la documentación correspondiente, ante la Fiscalía de Investigaciones Administrativas, por el abogado socialista Ángel Di Paola, tras la publicación de un artículo del periodista Oscar Raúl Cardoso, coautor de del primer y célebre libro sobre Malvinas (1). El hecho fue revelado por Bob Woodward, columnista del Washington Post y famoso por su investigación que llevó a la destitución de Richard Nixon. Es decir, que no fueron los satélites de la NATO quienes informaban a la flota británica, sino los "patriotas" agentes locales. La presidenta Cristina Fernández, días pasados, levantó el velo que ocultaba el informe Rattenbach, que en sus lineamientos generales ya se conocía desde 1983. Pero los soldados no fueron llamados a contar esa parte de la historia.

El ex soldado de Malvinas, Edgardo Esteban, hoy periodista y escritor, cuenta así el final de esa aventura trágica;

"Cuando volvimos, los militares nos escondieron por varios días en los cuarteles, en donde recibí muchas cartas diciendo que cuando retornara de la guerra me iban a hacer un gran recibimiento, como a un héroe. Imaginaba que cuando pisara las calles de Haedo iban a estar todos mis amigos, familiares, vecinos, conocidos. Pensé que cortarían la calle y pondrían pasacalles. Pero fue muy distinto y seguramente similar al recibimiento que tuvieron la gran mayoría de los soldados. En la noche fría del 25 de junio de 1982 sólo me esperaba un perro ladrando, una luz blanca y mi mamá, nadie más. Pasó muy rápido la euforia triunfalista de guerra y todos quisieron olvidar la derrota, menos los chicos de la guerra".

Sin lugar a dudas, hay fundadas razones que respaldan la posición argentina sobre las islas Malvinas; las resoluciones favorables en Naciones Unidas dan cuenta de ello. No es lugar aquí para reseñar la bibliografía y la documentación al respecto. La postura británica, por el contrario, se ha destacado por una gran ambigüedad.

La posibilidad de un acuerdo diplomático con Gran Bretaña sobre Malvinas nunca estuvo más cerca que durante el gobierno constitucional de Arturo Humberto Illia. En esos años, Gran Bretaña había abandonado a los residentes en el archipiélago a la buena de Dios. La integración comercial, cultural, logística y hasta de asistencia médica y sanitaria con Argentina fluía como un hecho natural. Con el derrocamiento de Illia por el mesiánico general Juan Carlos Onganía, que pretendía quedarse 20 años en el poder, las negociaciones quedaron congeladas. Tomaron algún impulso durante el breve interregno constitucional de Cámpora-Perón, en 1973-1974, para terminar en la catástrofe de 1982.

Ciertamente, estamos en una coyuntura internacional que no es la de 1966, ni la de 1982. Sin embargo, convendría entrar en el juego de las diferencias o similitudes.

La Guerra Fría terminó con la caída del muro de Berlín. Algunos podrían conjeturar que la Alianza Atlántica, entre Estados Unidos y Gran Bretaña, no existe con la intensidad de Reagan-Thatcher. La primera década de este siglo mostró la fortaleza de esa unión en todas las guerras donde han intervenido Washington y Londres. Más aún, Bush arrastró al abismo de Afganistán e Irak a Tony Blair, lo que fue su tumba política. Pensar otra vez que la Casa Blanca puede mirar para otro lado es repetir la misma lógica de Galtieri y su canciller Nicanor Costa Méndez, un reaccionario abogado de las propiedades de los nazis y luego personero de las trasnacionales inglesas y norteamericanas, que se acostó una noche como cruzado de Occidente y se levantó al día siguiente como antiimperialista. Algo recurrente en estos personajes para quienes la soberanía es un título de propiedad sobre los territorios, olvidan a sabiendas que la soberanía es la república y el poder de los pueblos para decidir sobre su destino. Y por lo tanto un día privatizan y aplauden la venta de las joyas de la abuela, la abuela misma y hasta su propia madre y al otro se rasgan las vestiduras por Malvinas.

Hay otro eje para jugar con las analogías: la crisis económica mundial.

Es bien sabido que la trágica aventura de Malvinas, en lugar de una prórroga de los militares en el poder y restaurar la imagen de los dictadores, los llevó a la descomposición y al descrédito. Dejaron una deuda ilegítima e inmoral, en parte por los gastos militares y los sobreprecios y triangulaciones, que enriquecieron a unos pocos y llevaron la miseria por años a millones de argentinos. Deuda que todavía se está pagando. Como contrapartida, la guerra forjó a la "dama de hierro", encumbró a la Thatcher como uno de los monumentos vivientes del neoliberalismo. Los primeros derrotados fueron los mineros ingleses y tras ellos cayeron las conquistas de la clase obrera y de los sectores populares británicos en de la postguerra. Thatcher quedó siempre agradecida por la ayuda de los militares argentinos.

Hace unos cuantos días, escribía en Le Monde Pierre François Gouret, capitán de Corveta de la Escuela de Guerra francesa:

"La situación económica de Francia, a fines de 2011 recuerda la del reino Unido en 1980. Sufriendo una grave recesión, el gobierno británico programaba una reducción drástica de sus gastos militares, para el verano de 1982, cuando las islas Malvinas fueron invadidas. Amenazadas por la supresión definitiva de su capacidad, las fuerzas armadas británicas ganaron total autonomía, con el imprevisto conflicto de las Malvinas. Esta victoria ha probado la necesidad de no disminuir exageradamente el arsenal de la defensa." (2)

Notas de este tenor son frecuentes cada vez que la crisis roza el tema tabú de los gastos militares. Asistimos una vez más al drama de que pueden ser recortados bárbaramente los gastos en salud y educación, como en el caso de Grecia, pero siguen incólumes –incluso aumentando –los presupuestos militares. Pueden admitir, como en España niveles astronómicos de desempleo, pero no bajan un céntimo sus compromisos con la guerra de Afganistán.

Por eso alarman algunas propuestas, a propósito de la "causa Malvinas", de restaurar el arsenal de las Fuerzas Armadas, de nuevas naves y submarinos dotados de reactores nucleares, las hipótesis de conflicto, junto con leyes antiterroristas y "Proyectos X", todo en un mismo paquete, en un país con altos niveles de pobreza e indigencia. Suena muy mal. Vale recordar un reclamo, casi un mandato, escrito cuando la sangre de los muertos en Malvinas estaba todavía caliente:

"Desde la experiencia que hemos vivido y que estamos viviendo, pido al gobierno y al pueblo argentino con el derecho que me asiste como ciudadano y como padre del soldado clase 62 Alejandro Pedro Vargas, muerto y enterrado en las islas Malvinas, lo siguiente: 1) Que nunca más un gobierno constitucional movilice tropas de reclutas, ya sea en casos como los ocurridos o para derrocar a un gobierno; 2) Que nunca más el periodismo de cualquier tipo azuce a nuestros hijos a guerras inspiradas en el oportunismo, la soberbia o la embriaguez. Ya no tengo más hijos para mi Patria Argentina, pero quedan millones de jóvenes argentinos sanos y valientes y no permitiré que los estafen con mentiras. Argentinos, no dejemos que esto vuelva a ocurrir. Salvador Antonio Vargas. Provincia de Buenos Aires." (Carta de lectores de Clarín ,24-06-1982).

NOTAS: (1)  Cardoso, Kirschbaum, van der Kooy, 1983:  Malvinas. La trama Secreta, Buenos Aires, sudamericana-Planeta. (2) Le Monde 24-01-2012.

Carlos Abel Suárez es miembro del Comité de Redacción de SinPermiso.

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