quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PABLO AMARINGO

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Pablo Amaringo, nascido no Peru em 1943, curandeiro, artista visual, professor. Aos 10 anos de idade, ele foi apresentado a um líquido cor de tijolo, de sabor acre e desagradável, uma beberagem feita com cipós e folhas da Amazônia denominado ayahuasca. Acabou se tornando um curandeiro, aprendendo os icaros, ou as canções de cura que lhe ocorriam dentro dos transes psicodélicos causados pela bebida.

Mas não apenas as canções lhe ocorriam em meio aos transes, visões de mundo do qual nem se poderia suspeitar o visitavam também, todo um mundo novo visual sugerido pela ayahuasca influenciaria para sempre o seu modo de pintar: era ele, como já disse um daqueles que viu o leque infinito de possibilidades a partir de suas experiências e procurou traduzir isso em telas e pinturas.

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Arroz, feijão e chumbo

Patchogue:

Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Patchogue é um destas pequenas, antigas e charmosas cidades de Long Island, à beira-mar, sem maiores distinções. Foi tema de um romance - Going to Patchogue, de Thomas McGonigle - na década de noventa, e onde morou o sobrinho e ultimo descendente de Hitler, William Patrick Hitler.

Nos últimos 20 anos, Patchogue cresceu, prosperou e atraiu milhares de latinos de vários países. Hoje representam 24% dos quase 12 mil habitantes. Em 1990, eram pouco mais do que 10%.

Há três semanas, Patchogue está em destaque nos noticiários porque foi cenário de um crime inédito na região: assassinato por ódio racial.

A vítima foi Marcelo Lucero, um trabalhador equatoriano, de 37 anos, sem nenhum antecedente de crime ou violência. Veio para os Estados Unidos há 18 anos para sustentar a mãe, Rosario, que tinha câncer. Ele trabalhava numa lavanderia e dividia um quarto com outros latinos, inclusive um irmão.

Os suspeitos são sete, mas o autor da facada fatal foi Jeffrey Conroy, de 17 anos, um atleta querido na escola onde se destacava nos times de futebol, luta livre e lacrosse.

Há um outro esporte favorito entre os jovens de Patchogue: caçar latinos, "beaner hunting" ou "beaner jumping", é a expressão que eles usam.

"Beaners" é o apelido dos latinos, porque comem arroz com feijão. Os jovens disparam armas de ar comprimido quando os latinos estão saindo de suas casas para o trabalho. Ou cercam e espancam suas vítimas.

Naquela madrugada do dia 8 de novembro, dois deles já tinham enchido Marlon Garcia de chumbinhos. À noite, Jeffrey Conroy e seis amigos bebiam cerveja num parque e decidiram sair para mais uma caçada. Pouco antes de meia-noite encontraram duas vítimas: Angel Loja e Marcelo Lucero.

Depois de levar muita pancada, Angel conseguiu escapar, mas Marcelo, cercado, decidiu se defender com o cinto. Jeffrey Conroy levou uma fivelada. Enfurecido puxou uma faca e enfiou no peito de Marcelo. A polícia, alertada por Angel, em poucos minutos prendeu os sete, mas já era tarde para Marcelo.

No mesmo dia que o corpo dele estava chegando no vilarejo de Gualeceo, no Equador, os sete jovens estavam algemados diante de um juiz. Todos se declaram inocentes, mas o juiz estabeleceu fiança de 500 mil dólares para cinco e negou fiança para Jeffrey Conroy e outro que estava solto sob fiança.

O crime é ainda mais chocante porque dois dos seis agressores são latinos e Jeffrey Conroy tem amigos de varias etnias. Colegas de escola, latinos e negros, se referem a ele com afeto, admiração e até gratidão. O pai dele, aposentado, e também muito querido, criou clubes na cidade para incentivar a aproximação de jovens.

Neste momento milhares de latinos estão a caminho de volta aos seus países de origem por falta de emprego, perseguição da imigração ou violência como a de Patchogue, mas neste caso a morte de Marcelo pode representar o fim das hostilidades aos latinos.

O crime sacudiu não só a cidade como toda região. Long Island, com uma população de sete milhões e meio, quase igual à de Nova York, é a maior ilha do país e a 17ª maior do mundo. Além de ser dormitório de milhões de empregados de Manhattan, é famosa pela sua história, suas casas de praia milionárias - os Hamptons- suas assombrações e crimes, mas pela primeira vez, em quase 400 anos, alguém é indiciado por assassinato racial. Jeffrey Conroy talvez nunca mais saia da prisão.

Marcelo pagou com a vida e milhares de latinos sofreram, mas daqui por diante o arroz com feijão virá sem chumbo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Nestlé e um "James Bond brasileiro"


Num caso de espionagem que está sendo investigado pela Justiça suíça, a empresa de segurança Securitas teria repassado à Nestlé informações sobre a Attac e o ativista brasileiro Franklin Frederick.

A Nestlé também é alvo de críticas porque seu diretor-geral na Suíça, Roland Decorvet, integra o conselho de uma fundação da Igreja Protestante contrária à privatização da água. A empresa rebate as acusações e nega a existência de um conflito de interesses.

O assunto não é novo, mas voltou a ser destaque na semana passada nos jornais Tagesanzeiger e 20min.ch, ambos do grupo Tamedia, segundo maior grupo de mídia da Suíça, com manchetes como "A espionagem da Nestlé na luta pela água".

Um dos personagens envolvidos é o ativista Franklin Frederick, que o Tagesanzeiger caracteriza como "uma espécie de James Bond brasileiro. Há anos ele se engaja contra a privatização da água, especialmente contra a multinacional suíça Nestlé, que explorou fontes minerais em São Lourenço (MG) e vendeu a água sob o rótulo Pure Life".

A comparação um tanto exagerada com James Bond se deve ao fato de que no novo filme de 007, Quantum of Solace, o superespião britânico luta contra um vilão que tenta controlar e privatizar importantes fontes de água na Bolívia.

Segundo o diário de Zurique, Frederick, um dos líderes do Movimento de Amigos do Circuito das Águas Mineiro (Macam), foi "uma das vítimas mais eminentes do ataque de espionagem à organização antiglobalização Attac".

Nos anos de 2003 e 2004, uma funcionária da Securitas (empresa responsável pela segurança da Nestlé) com o codinome "Sarah Meylan" teria sido infiltrada na Attac do cantão de Vaud, estado em que fica a sede da multinacional. Na época, um grupo de autores da ONG escrevia o livro Attac contra o Império Nestlé, publicado em 2005.

Segundo a acusação da Attac, Sarah produziu dezenas de perfis de militantes, com nome, altura, cor de cabelo e pele, idéias, idade, perfil político e até mesmo hobbies. Ela também teria repassado informações sobre pessoas que atuavam contra a empresa em outros países. "Não sabemos o que foi feito com as informações quando elas chegaram à empresa", disse o advogado dos ativistas, Rodolf Petit.

O nome de Franklin Frederick aparece várias vezes no protocolo de espionagem de 77 páginas entregue pela Nestlé à Justiça Civil de Vaud. O ativista brasileiro havia obtido apoio da Attac, do Greenpeace, da Declaração de Berna, da Igreja Reformada de Berna e de outras organizações suíças à sua campanha contra a Nestlé em São Lourenço e fornecera informações aos autores do livro.

O "império" contra Attac

Numa audiência em 23 de julho passado perante o juiz Jean Luc Genillard, no Palácio da Justiça de Lausanne, os advogados da multinacional e da Securitas disseram que os relatórios de Sarah eram "banais" e que as fotos que faziam parte das fichas sobre cada ativista foram "tiradas em locais públicos".

Em um comunicado, a Nestlé admitiu ter pedido a ajuda à Securitas "para antecipar possíveis ataques" e lembrou as circunstâncias daqueles anos, "quando havia uma atmosfera tensa em torno da cúpula do G8 em Evian (na vizinha França, em 2003) e a Attac atacou a sede da Nestlé em Vevey, causando danos materiais significativos".

Frederick, que atualmente se encontra na Suíça, lembra-se de Sarah Meylan. "Ela freqüentou o grupo Attac de setembro de 2003 até junho de 2004. Este foi não só o período de elaboração do livro, mas também o período em que o caso de São Lourenco teve a maior repercussão na Suíça."

O ativista brasileiro teve contato pessoal com a "espiã". "Nós nos encontramos várias vezes e chegamos mesmo a trocar alguns e-mails." Agora Frederick quer saber se seu correio eletrônico também foi espionado ou eventualmente ainda continua sob observação.

Ele compara o caso de espionagem da Nestlé com métodos usados pelos governos ditatoriais da América Latina nos anos de 1960 e 1970 e acredita que não só a Attac tenha sido infiltrada. "Claro que dentro de nosso movimento também havia infiltrados", diz.

Questionado pela swissinfo, se a Nestlé realmente mandou espionar Frederick, o diretor de relações com a mídia da empresa, Robin Tickle, respondeu: "O pedido de infiltração de ONGs não faz parte da política da Nestlé. A Attac deu queixa contra a Nestlé, e assim atualmente estão em andamento vários processos judiciais. Não podemos falar sobre isso em detalhes. As sentenças são esperadas para um futuro próximo e as esperamos com tranqüilidade. O senhor Frederick nos é conhecido há muitos anos como crítico da Nestlé. É evidente que ele se movimenta no ambiente da Attac."

Para Frederick, no entanto, "não há dúvida de que essa operação foi encomendada pela Nestlé, como mostra o protocolo que a empresa entregou à Justiça. O processo agora tenta esclarecer se houve violação à privacidade das pessoas espionadas."

"Conflito de interesses"

Em nome do Conselho das Igrejas Cristãs (Conic) e da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), Frederick atualmente coordena o projeto ecumênico "Água como direito humano e bem público". Ele também participou da elaboração de uma declaração assinada em 2005 pela CNBB, a Conferência dos Bispos da Suíça e a Federação das Igrejas Protestantes Suíças (SEK, na sigla em alemão) contra a privatização da água.

Integrantes da Igreja e de ONGs suíças pediram à SEK que "proteste publicamente na Nestlé contra a espionagem", que teve ramificação no Brasil. Um pedido delicado, porque a SEK, na sua assembléia de junho passado, elegeu o diretor-geral da Nestlé suíça, Roland Decorvet, para o Conselho da Fundação da Obra Filantrópica das Igrejas Protestantes da Suíça (Heks, na sigla em alemão).

A Heks apóia projetos de ajuda a países em desenvolvimento. Críticos da eleição de Decorvet dentro da própria Igreja temem que ela perca a sua credibilidade, uma vez que assinou a declaração pelo direito à água enquanto a Nestlé estaria interessada na privatização. Neste ponto, haveria um conflito de interesses entre Decorvet e a Heks.

Robin Tickle nega a existência desse conflito de interesses. "O senhor Decorvet se engaja como fiel protestante e foi eleito por representantes da Igreja para o Conselho da Heks. Ele exerce essa função como pessoa física e não como representante da Nestlé, embora a Nestlé desempenhe um papel importante em países em desenvolvimento e tenha acumulado experiências que se dispõe a partilhar com outras organizações", disse à swissinfo.

Direito humano à água

Perguntado se o interesse da Nestlé em privatizar a água não colidiria com o direito humano à água, o porta-voz da multinacional disse é preciso diferenciar entre a água potável para o abastecimento básico e aquela que é usada para a produção de outros produtos, por exemplo, na agricultura, responsável por 70% do consumo mundial de água.

"Existe um direito à água para satisfazer as necessidades básicas diárias do ser humano. Isso, segundo a ONU, são 25 litros por pessoa por dia. Mas não existe um direito humano à água que é usada para regar um campo de golfe ou lavar o carro. Esta água precisa ter um preço de mercado para que não seja desperdiçada", disse Tickle.

Segundo ele, nos últimos cinco anos, a Nestlé economizou mais água através da otimização de sua produção do que vendeu em garrafas. "Não se trata de uma privatização ou estatização geral da água – 97% do abastecimento mundial de água estão na mão do Estado, mas mesmo assim 1 bilhão de pessoas não têm acesso seguro à água potável. Trata-se de realmente implementar o direito humano à água e que o restante da água tenha um preço justo", afirmou.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Relatório polonês acusa Geórgia de tiros contra presidentes na Ossétia do Sul

Varsóvia, 26 nov (EFE).- Os serviços secretos da Polônia culpam a Geórgia, em um relatório divulgado hoje pela imprensa, dos incidentes do último domingo nos quais se envolveram os presidentes dos dois países na região da fronteira entre o território georgiano e o da região separatista da Ossétia do Sul.
No último domingo, a caravana na qual viajavam o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, e o polonês, Lech Kaczynski, teve que retornar quando se dirigia para um campo de refugiados na fronteira com a região separatista da Ossétia do Sul, em uma área controlada pela Rússia.
O ministro do Interior da Polônia, Grzegorz Schetyna, explicou hoje à emissora "TVN" que espera para se pronunciar sobre o caso até dispor de mais informações antes de afirmar que o episódio foi realmente uma provocação da Geórgia.
Apesar de tudo, Schetyna reconheceu que podem existir circunstâncias que permitam sustentar esta teoria.
O jornal "Dziennik", que antecipa em sua edição de hoje o relatório da Agência de Segurança Interior da Polônia (ABW), afirma que os investigadores se surpreenderam com a forma como atuaram as forças de segurança da Geórgia após serem ouvidos os primeiros tiros, já que não se reagruparam em torno dos carros nos quais viajavam os líderes para os proteger, algo normal nestes casos.
Também chamou a atenção a atitude do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que era visto relaxado e sorridente apesar da tensão do momento, informações que poderiam permitir falar de uma montagem da Geórgia com a colaboração do chefe do Estado polonês, Lech Kaczynski.
Na Polônia continua a polêmica sobre a atuação do serviço de escolta de Kaczynski, que quando os tiros começaram estava em um veículo muito afastado do carro presidencial, algo que foi muito criticado pelo Governo e pelo presidente do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, que acusou o político conservador de se comportar como um "cowboy".

QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA

DANIEL PAZ & RUDY

100 ANOS DE IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL


Crise faz brasileiros virarem sem-teto no Japão

Ewerthon Tobace e Karina Almeida
De Tóquio para a BBC Brasil

Com as mãos enfiadas nos bolsos, um gorro mal-ajeitado na cabeça e o corpo franzino arqueado para frente, O., de 32 anos, chega envergonhado à frente do padre Evaristo Higa e pede: "posso tomar a sopa também?"

Ele se refere ao sopão distribuído todos os sábados aos sem-teto de Hamamatsu, na província de Shizuoka.

Há duas semanas, após perder o emprego e a vaga no alojamento, o rapaz passou a ser mais um a dormir nas ruas da cidade que abriga a maior concentração de trabalhadores brasileiros no Japão.

O padre Higa, que há 14 anos criou o Grupo Esperança para distribuir sopa, bolinhos de arroz, remédios e roupas aos sem-tetos japoneses e estrangeiros, lembra que esta não é a primeira vez que uma crise econômica leva os brasileiros para a rua.

"Há dez anos, na recessão dos anos 90, ajudamos a repatriar 13 sem-tetos. Desta vez, não há muitos porque a maioria já não mora mais em alojamentos de empresas e, assim, têm a quem pedir abrigo", diz ele à BBC Brasil.

Cortes em massa

O surgimento de trabalhadores brasileiros sem-teto em um período de recessão como este não é de se espantar.

Afinal, a grande maioria ainda vive de contratos temporários, mesmo sem nunca ter trocado de emprego. Sem a proteção trabalhista, reservada apenas aos funcionários efetivados, são eles os primeiros a serem cortados.

Com o anúncio oficial de que a economia do país está em recessão, as montadoras de veículos e fábricas de eletrônicos, principais pilastras da economia do Japão e também fontes de emprego dos dekasseguis, não param de anunciar quedas na produção e a diminuição de trabalhadores temporários.

A explicação é simples: o maior parceiro econômico do país asiático são os Estados Unidos, que já não consomem tanto. O mercado interno também não consegue absorver a alta produção. Como resultado, um grande número de brasileiros acaba recebendo a carta de demissão.

A mais recente montadora a divulgar cortes foi a Mitsubishi, a quarta maior empresa do setor automotivo no Japão. Serão mil vagas a menos e uma redução de 120 mil unidades de veículos produzidos até março de 2009.

A Toyota, considerada a principal fonte de renda direta ou indireta dos brasileiros que vivem na região de Aichi, planeja cortar 3 mil postos de trabalho temporários, enquanto a Nissan, terceira do setor, vai reduzir 3,5 mil postos em todo o mundo.

Em busca de vagas

A pergunta que todos se fazem agora é: até quando a recessão vai durar?

"Paramos de anunciar [empregos] na mídia e não temos idéia de quando a situação irá melhorar", avisa Cláudio Sakamoto, 42 anos, do departamento de Recursos Humanos da Misuzu, fábrica de componentes eletrônicos que emprega atualmente cerca de 300 brasileiros.

"Até meados de outubro, porém, havia pelo menos mais cem brasileiros empregados", calcula Sakamoto, que prevê ainda mais demissões.

Júlio Nakazaki, 45 anos, da empreiteira Just One, conta que nunca foi tão difícil encontrar vaga nas linhas de montagem das fábricas de autopeças.

"Empregamos brasileiros há 18 anos e sempre teve colocação. Agora, não tem nenhuma", revela.

A Just One tem, atualmente, 600 brasileiros nas fornecedoras de peças para a Toyota, na província de Aichi. No mês passado, eram mais de 700.

Com a falta de vagas nas empreiteiras, a saída encontrada por muitos foi procurar colocação nas agências públicas de emprego, chamadas de "Hello Work".

Somente na filial de Hamamatsu, região que concentra cerca de 22 mil trabalhadores latinos, 635 estrangeiros foram atendidos em outubro, o dobro de setembro. Em novembro, a média foi de 80 atendimentos diários a brasileiros e a previsão é de que o movimento aumente ainda mais.

A grande quantidade de mão-de-obra parada também fez com que as poucas fábricas que ainda estão contratando se tornassem mais exigentes.

"Se antes, não exigiam o conhecimento da língua japonesa, agora passaram a exigir. Se aceitavam pessoas de até 55 anos, hoje, contratam somente quem tem até 45", explica Marcos Sakashita, 41 anos, da empreiteira K.K. Toki, de Okazaki, província de Aichi.

Os salários também já não são os mesmos. Um trabalhador do setor de autopeças, um dos que mais atrai os homens brasileiros, ganha por hora até US$ 130. Agora, as vagas são em outras áreas, como a de alimentos e hotelaria, e cujo valor por hora não ultrapassa os US$ 80.

"Quem quiser trabalhar vai ter de se contentar com o salário mais baixo mesmo", lamenta Sakashita.

ACOMPANHANDO AS CANSADAS

É assim a TV aberta no Brasil - Hebe e Witte Fibe discutem sobre 'pum'

É assim a TV aberta no Brasil. Anteontem, durante o programa de Hebe Camargo no SBT, a apresentadora e Lillian Witte Fibe discutiram com gosto o seguinte tema - quais animais soltam mais ou menos pum. Anotado pela coluna Zapping, do Agora SP.

blue bus

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Partido italiano dará recompensa a pais que batizarem filho de Benito


Duncan Kennedy
Da BBC News em Roma

Um partido de extrema-direita italiano está oferecendo 1.500 euros (cerca de R$ 4.500) para pais que decidam dar a seus filhos o nome do líder fascista Benito Mussolini ou de sua mulher, Rachele.

O pequeno partido Movimento Sociale-Fiamma Tricolore (MS-FT) nega que a atitude tenha alguma conotação racista e afirma que os nomes Benito e Rachele são apenas “bons”.

Segundo o partido, o dinheiro deve servir para que os pais comprem berços, roupas e comidas para os bebês.

A recompensa está disponível em cinco áreas do sul da Itália e, segundo a agremiação, deve ajudar a combater os baixos índices de natalidade da região.

Apesar do grupo afirmar ter escolhido os dois nomes “casualmente”, para grande parte dos italianos Benito e Rachele são uma referência óbvia ao líder fascista e sua mulher.

Para ganhar a recompensa, pelo menos um dos pais precisa ser italiano.

El sur de Brasil, azotado por las peores inundaciones de su historia

Desmatamento na Amazônia:

Hay 50 muertos, seis municipios aislados y 22 mil refugiados que perdieron sus casas.

Por: Eleonora Gosman, para El Clarín
Fuente: SAN PABLO. CORRESPONSAL

Es la peor tragedia climática de la historia de Santa Catarina" describió desolado el gobernador de ese estado brasileño Luiz Henrique da Silveira. Las lluvias que se descargan sobre la región, desde el domingo, dejaron ya un saldo de 50 muertos y 6 municipios completamente aislados. Y 22.000 personas fueron trasladadas a refugios porque perdieron sus casas o éstas quedaron bajo las aguas. Hay 160.000 hogares sin electricidad y, además, se rompió el gasoducto que abastecía las grandes ciudades.

Varias zonas del litoral como Camboriú o Garopaba (lugares frecuentados por argentinos en temporada estival), 76 kilómetros al sur de Florianópolis, sufrieron las consecuencias de las tormentas. Se estima que el temporal continuará hasta mañana, aunque se atenúen un poco sus efectos. El desastre es de una magnitud desconocida en esa zona: en noviembre llovió en Florianópolis 535,8 milímetros, o sea más del triple del promedio anual para ese período.

Además, es un record si se compara con el tope en 1982: 379,4 milímetros. "Este es un mes completamente anormal" se alarman los meteorólogos. Relatan que "en 1982 y en 1997 hubo lluvias fuertes, aunque menores a las actuales, pero tenían relación con el fenómeno de El Niño. Sólo que ahora no existe un fenómeno como ése que pueda influenciar" comentó a Clarín Flávio Varone, del Instituto Nacional de Meteorología.

Comienza entonces a cumplirse –mucho antes de lo previsto– lo que vienen advirtiendo los científicos, entre ellos los del Panel Intergubernamental de Cambio Climático. Es decir, los cambios en la selva del Amazonas, por efecto del calentamiento global y de la acción destructiva del hombre, ya comenzaron a sentirse en el Cono Sur. De tal manera, a las tempestades en Santa Catarina le corresponden –en simultáneo– las sequías feroces en Chaco, Buenos Aires, La Pampa, Santa Fe y Córdoba. En conversación con Clarín, el físico Antonio Ozimar Manzi del Instituto Nacional de Investigaciones de la Amazonia subrayó: "Esta zona (que incluye la selva en Brasil más otros 8 países de la región) es la fuente principal de precipitaciones en la región". Y todo lo que le suceda modificará de manera decisiva el clima en el sur y en el norte de América del Sur.

Paulo Artaxa, otro investigador del mismo instituto, sostuvo que en el cielo de la Amazonia hay un sistema eficaz de aprovechamiento del vapor de agua. Pero, agregó, el humo de los incendios forestales altera dramáticamente ese mecanismo: disminuye la formación de nubes y lluvias en algunas regiones y aumenta las tempestades en otras. Carlos Nobre, del Instituto Nacional de Investigaciones Espaciales (INPE) confirma: la metamorfosis de la selva amazónica (sea por culpa del efecto invernadero o de la tala desenfrenada) causa serios daños en regiones tan distantes como la Cuenca del Plata o el noreste de Brasil. Y una investigación que incluyó a argentinos llegó a la conclusión, hace dos años, que el Amazonas transforma decisivamente el régimen de lluvias en el continente.

No hay por qué entonces extrañarse tanto de la sucesión de fenómenos como las inundaciones en Santa Catarina y la sequía en el norte, centro y este de Argentina. No son castigos divinos sino bien humanos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Hotel Zero Estrelas: uma noite no abrigo nuclear

Repare na expressão de felicidade dos hóspedes:

O que fazer com um bunker antiatômico sem utilização? Um pequeno vilarejo no interior da Suíça convidou dois jovens artistas para fazer do espaço um centro cultural. Eles terminam transformando-o no primeiro hotel "zero" estrelas do país e Sevelen em uma atração internacional.

No abrigo o mundo externo só pode ser visto através do circuito fechado de televisão e quem quiser tomar banho quente pela manhã precisa ter sorte na roleta.

Sevelen é um desses lugares que só se descobre que existe por estar no mapa. As ruas do pequeno vilarejo nessa comuna localizada no extremo leste da Suíça são limpas e vazias, os sinos da igreja batem a cada quinze minutos e, no único mercado, os funcionários cumprimentam com simpatia os compradores pelo nome.

Por estar fora do circuito turístico do país, Sevelen é uma cidade-dormitório que só precisa de um hotel. Seus pouco mais de 4.300 habitantes trabalham no comércio local, em uma das três grandes indústrias ou no país vizinho, Liechtenstein. Sua única atração são as montanhas que a cercam, pequenas demais para o esqui, mas cheias de trilhas e também esconderijos de animais e um paraíso para caçadores de cogumelos.

Porém a idéia do prefeito Roman Zogg colocou-a no centro das atenções da imprensa internacional. Mesmo o Herald Tribune dedicou uma reportagem ao recém-criado hotel, cuja segurança é tanta que até mesmo uma bomba nuclear não é capaz de derrubá-lo.

Uma obra de arte

Tudo começou através do projeto cultural "Cultura em Stampf", que prevê a transformação de um prédio vazio na rua com o mesmo nome em um centro cultural, onde músicos da região poderão se apresentar. Como o único hotel é muito caro, Zogg sugeriu abrigá-los no bunker antiatômico ao lado, um complexo construído em meio à Guerra Fria nos anos 80 e que oferece espaço para mais de 500 pessoas. Escavado dentro da rocha e protegido por paredes de concreto espessas como muralhas de um castelo, ele praticamente não é utilizado, causando despesas à pequena comuna. Porém, a idéia não foi muito bem recebida, no começo.

"As pessoas disseram que ninguém ia querer dormir nesse lugar", revela Zogg. Outro morador de Sevelen lembra que a aversão aos abrigos nucleares têm uma explicação prática. "Muitas vezes somos obrigados a dormir nesses espaços quando estamos cumprindo nosso serviço militar. Você imagina o que é estar cortado do mundo exterior, dormindo lado a lado com um monte de soldados? Depois de uns dias, o bunker começa a ter um cheiro extremamente desagradável", conta Peter Merz-Wieser, arquiteto e habitante de Sevelen.

O objetivo então era tornar o bunker mais atraente. Para isso, a comuna decidiu contratar os serviços da dupla de artistas Patrik e Frank Riklin, que mantém em St-Gallen um escritório intitulado curiosamente de "Ateliê para Tarefas Especiais". Os gêmeos de 35 anos vieram a Sevelen, inspecionaram o local e tiveram uma idéia revolucionária.

"Nós queremos quebrar as normas e ocupar os espaços pelos quais ninguém mais se interessa", esclarece Patrik. O abrigo foi elevado por eles à condição de hotel, mas com a categoria de zero estrelas. Porém isso não significa que o serviço e o conforto oferecidos sejam completamente nulos. "Queremos ser criativos com os poucos recursos que temos à disposição. O lance é contrapor exatamente ao contexto de luxo dos hotéis de cinco estrelas, mostrando que, mesmo na mais absoluta simplicidade, existe também a beleza", completa o jovem artista.

Categoria luxo

Em um manifesto pendurado na entrada do bunker, os dois intitulam o "Hotel Zero Estrelas" um projeto não apenas voltado para os turistas, mas também à comunidade de Sevelen. "O papel do diretor do hotel, mordomo ou recepcionista pode ser exercido por qualquer um voluntariamente. Os habitantes também emprestam o básico, como as camas, os criados-mudos, as lâmpadas de leitura, os lençóis e até as flores que colocamos na pia coletiva, que vêm de um agricultor local", lembra Frank.

Por exigência do Exército suíço, todas as modificações feitas no abrigo precisam ser reversíveis em 24 horas. Assim os irmãos Riklin apenas reorganizaram o espaço interno, dando o seu toque artístico. O salão central, com as enormes pias coletivas e espelhos, se transformou no "foyer", aparelhado com confortáveis cadeiras, uma estante para as bebidas e um grande monitor plano, no qual são transmitidas as imagens captadas pela câmara interna de TV. "Essa é única janela que temos para o mundo exterior", explica Frank.

Os quartos, onde ficam originalmente centenas de beliches, também se adaptaram às diferentes "categorias" oferecidas no Hotel Zero Estrelas. Na categoria "simples", o hóspede dorme dentro dos seus próprios sacos de dormir em um grande quarto com dezenas de beliches fixados lado a lado. Se a temperatura cair muito durante a noite – o sistema de climatização, um elemento técnico importante em um bunker, é desligado para diminuir os ruídos - ele pode pegar um dos clássicos cobertores do exército. Já na categoria "conforto", os beliches recebem roupa de cama, toalhas e um saquinho contendo sabão e um chinelinho. A categoria "luxo" oferece tudo isso em verdadeiras camas de casal, peças do tempo dos avós emprestadas pelos moradores de Sevelen, e criados-mudos. O detalhe não podia ser mais suíço: como presente de boas-vindas, os hóspedes nessa categoria ainda recebem um chocolate caseiro.

Os preços são módicos e variam de 10 a 30 francos (US$ 8 e 25). No total, o Hotel Zero Estrelas oferece 54 camas. Parodiando os estabelecimentos de cinco estrelas tão comuns na Suíça, os dois irmãos tiveram idéias curiosas, como acordar os clientes da categoria luxo com o café levado à cama pelo mordomo ou as bolsas de borracha, que podem ser enchidas de água quente para esquentar os pés.

Roleta

O Hotel Zero Estrelas também tem um cassino, porém esse não faz ninguém ficar rico ou perder dinheiro. Devido às limitações do boiler instalado no bunker, só existe uma quantidade limitada de água quente. Por isso, os irmãos Riklin tiveram a idéia de fixar uma roda de bicicleta na parede e fazer com que os hóspedes a girem como uma roleta. Se a roda parar na categoria "simples", mesmo o hóspede que pagou pela de luxo precisa se contentar com água fria. "Nesse período, em que tanto se fala de crise, essa é uma forma de mostrar que podemos tratar a escassez como algo que até pode divertir as pessoas", diz Patrik.

Ele e seu irmão já realizaram dois testes com hóspedes reais. Em cada uma das noites, o hotel esteve lotado, sendo que uma grande parte dos hóspedes era de jornalistas. Com muito humor, ninguém se incomodava em ser filmado de pijama ou ser acordado de manhã com câmaras de televisão e holofote. Possivelmente parte do sucesso deve-se ao vinho servido durante o jantar, que ajudou a quebrar a timidez de muitas pessoas. "Estou me sentindo como na época da escola", contou Liv Peters, química alemã que se inscreveu para participar do segundo teste por curiosidade. "Na Alemanha, só conhecemos os bunkers utilizados pelos nossos avós durante a Segunda Guerra."

Patrik e Frank Riklin registraram a marca "Hotel Zero Estrelas" no Instituto Federal de Propriedade Intelectual. Até o início de 2009, os dois querem desenvolver um conceito de franquia, com critérios prédefinidos de atendimento e qualidade, que poderão ser utilizados por outras comunas na Suíça.

Com 300 mil abrigos atômicos para 7,5 milhões de habitantes, o país dispõe da maior concentração mundial desse tipo de construção. "Cada cidadão deve dispor de um lugar", revela o guia turístico francês Guide du Routard e completa, "o espaço vital de cada pessoa é limitado a 1,20 metro quadrado".

Muitos dizem ironicamente que, em caso de uma guerra nuclear, somente o governo dos Estados Unidos, baratas e outros insetos e os suíços irão sobreviver. Mas o fato é que esse complexo de abrigos custa bilhões aos cofres públicos do país e também ao contribuinte suíço, já que até mesmo a construção de um novo prédio obriga que este seja equipado com bunkers, com portas blindadas e sistemas de filtragem de ar e água.

Excessos do capitalismo

Questionado sobre a verdadeira utilidade dos bunkers, Peter Merz-Wieser dá um riso. "Imagina se quinhentos ou mais habitantes de Seleven fossem obrigados a passar semanas nesse espaço exíguo? Com tantos conflitos que temos, íamos acabar nos matando", conta o arquiteto dando risadas. Mas ele lembra que, em casos realmente urgentes, as autoridades de defesa na Suíça também pensaram em formas de permitir que centenas de pessoas, idosos, doentes ou crianças, convivam nos bunkers sem pânico ou agressividade. "Para isso, eles dispõem de um grande estoque de tranqüilizantes", revela.

Os primeiros hóspedes do Hotel Zero Estrelas não sentiram claustrofobia. A maior parte estava muito satisfeita com a experiência e prometia até recomendar aos amigos. Com o sucesso e a intensa cobertura na imprensa – reportagens em canais de TV da Áustria, Alemanha e Suíça, além de dezenas de artigos publicados em jornais internacionais - os irmãos Riklin conseguiram colocar Sevelen na boca de todos. "Nunca imaginava que fôssemos nos tornar tão famosos, tendo investido tão pouco", alegra-se a secretária comunal Claire Angehrn.

Os eleitores de Sevelen aprovaram há uma semana mais crédito para a realização do projeto do centro cultural com o Hotel Zero Estrelas. Com o forte eco na imprensa, a comuna já tem mais um argumento para concretizar a idéia do funcionamento de um hotel no bunker como projeto-piloto de um ano. Até mesmo a Associação Suíça de Hotéis se interessou e convidou os dois irmãos a se inscreverem. Eles negaram. "Essa é uma forma deles limitarem a nossa idéia, pois trabalham com categorias clássicas. O que fazemos aqui é política, uma proposta para contrapor aos excessos do capitalismo. Eles querem é fazer negócio", conclui Patrik.

swissinfo, Alexander Thoele

UN ALIENIGENA EN LAS FAVELAS DE RIO

Baile Funk no RJ:

Por amor al funk carioca

El tipo se llama Bernhard Hendrik Hermann Weber, pero en los barrios pobres de Río de Janeiro todos lo conocen como MC Gringo. Y desde ahí exporta su funk carioca hacia Europa y Estados Unidos. “Creo en la fusión, por eso soy un brasileño que no gusta de los gringos”, reniega el MC teutón.


Por Yumber Vera Rojas, para Página/12

Así como el reggaetón, el funk carioca (también llamado baile funk) forma parte de la banda de sonido de la música popular latinoamericana actual. Incluso ambos géneros comparten influencias, bandejas, estéticas y orígenes humildes. Pero de lo que todavía no puede alardear la avanzada encabezada por Daddy Yankee es de tener a un alienígena entre sus filas. “Hoy en día, el baile funk es más masivo que el samba. El fin de semana acuden más de un millón de personas a sus fiestas. A raíz de eso salió de la favela y nos ubicó en el circuito mundial, pues combina el legado de Kraftwerk, de Afrika Bambaataa y de la cultural local”, asegura MC Gringo, uno de los referentes del género. Posiblemente el más internacional de los referentes, cabe agregar. Y no sólo por su fama en el exterior sino porque no es brasileño. Nacido en Alemania como Bernhard Hendrik Hermann Weber, su pasión por esta cadencia de 140 bpm lo trajo hasta la Argentina la semana pasada para esparcirla en la Fiesta Zizek, al lado de Miss Bolivia en un boliche de Núñez, con Frikstailers en Córdoba y el lunes pasado junto a La Bomba de Tiempo en el Konex. “Tenía dos opciones: o me llamaba MC Alemán o MC Gringo. Pero elegí este último porque prefería representar al mundo entero que a los alemanes. Eso es lo increíble la música. Nunca pensé que gracias a ella podría cumplir mi sueño de conocer la Bombonera y ver jugar a Boca Juniors.”

Los tres goles de Vélez no fueron nada al lado de las penurias del tercermundismo que MC Gringo debió padecer para alcanzar su objetivo. Luego de formar parte de la escena punk de su Stuttgart natal con un grupo en el que también militó Basti Schwarz –hoy miembro de los electro house Tiefschwarz– y de dedicarse a otros rubros de la música, se radicó junto a su esposa en Minas Gerais, donde hizo de todo, hasta un programa humorístico en la radio. “Llegué a Brasil en 2002 y experimenté mucho con la MPB. Pero un día escuché una compilación de baile funk que tenía mi mujer y me impactó. Estaba tan interesado por saber más y formar parte de esa movida que nos mudamos a Río de Janeiro”, relata MC Gringo en un portugués perfectamente carioca. “Luego me tuve que ir a la favela porque era muy difícil vivir de la música. Y mi mujer es negra, así que gana menos que el resto de los brasileños. Pero más tarde me di cuenta de que estuvo bueno porque la gente comenzó a creer en mí. Al principio no podían entender cómo un rubio podía tener problemas financieros. En la favela estás más seguro que afuera. No tengo amistad con traficantes, pero sé quiénes son. Si los conocés, no vas a tener problemas. Cuando vivía en Copacabana me consideraban extranjero, pero ahora soy uno de los MCs más famosos de mi favela, Pereira da Silva.”

Aunque no para de mencionar y agradecer a los MCs y productores que le tendieron una mano, como DJ Marlboro –figura esencial que llevó al funk carioca hasta el mainstream–, DJ Sandriñho o DJ Mandrake, fue MC Binho el que lo introdujo en la escena en 2004. “Entrar en el circuito no fue rápido. Como era blanco y mi era acento diferente, me rechazaron. Pero él me animó a seguir”, recuerda. Ahora es compinche de Diplo; gira por Estados Unidos, Canadá, Holanda, Suiza, Alemania, Inglaterra y Austria; el año pasado sacó su primer álbum, Gringo; la BBC pasa sus temas; y tiene entre sus fanas a Stereo MC’s, que en 2008 se encargaron de remezclarlo en el EP 1 Real: The Stereo MC’s Remixes. “Me ubicaron a través de Internet y no lo podía creer”, confiesa. “Nos hicimos grandes amigos. Cuando mi sello, Man Recordings, me preguntó quién podía hacer remixes de mis temas, les dije que ellos eran una opción. Al final quisieron hacerlos todos.” Sobre el futuro del funk carioca, MC Gringo advierte: “Soy un convencido de que hay que ir más allá y mezclarlo con el samba, el kuduro –atención con este ritmo angoleño y el colectivo Buraka Som Sistema–, el Baltimore Club y la cumbia. Creo en la fusión; por eso yo no soy gringo sino un brasileño que no gusta de los gringos”.

Ladrões 'roubaram US$ 5,3 bi' online, diz pesquisa


Ladrões que operam na internet têm acesso a mais de US$ 5 billhões através dos cartões de crédito vítimas de fraudes online, conforme pesquisa realizada pela empresa de programas de segurança para computadores, Symantec.

Seus técnicos acompanharam por um ano o mercado negro da internet e viram que números de cartões de crédito eram o item mais popular à venda - 31% de todos os artigos oferecidos online.

Em segundo lugar, estavam os detalhes de contas bancárias - 20% de todos os itens oferecidos em canais de chat criminosos.

A dimensão da fraude foi estimada a partir da multiplicação da média do montante com um cartão roubado, US$ 350, pelos milhões de números de cartões que a Symantec viu sendo oferecidos.

O relatório da empresa revelou ainda que se os ladrões hi-tech esvaziassem todas as contas bancárias que viu sendo oferecidas na internet eles poderiam arrecadar US$ 1,7 bilhões.

Contas encerradas

A Symantec disse que é provável que muitos dos cartões oferecidos para venda sejam inválidos ou tenham sido cancelados, e que as contas bancárias foram encerradas, mas acrescentou que "estes dados são indicativos do valor do mercado negro e do valor potencial do mercado".

Números de cartões de crédito se provaram populares entre os ladrões que operam na internet porque eles são fáceis de se conseguir e usar em operações fraudulentas.

Entre os métodos preferidos pelos criminosos para roubar informações sobre cartões de crédito estão ataques a bancos de dados, phishing (nome dado a e-mails que se dizem falsamente vir de bancos e pedem os dados do "cliente") e clonagem de cartões.

Através de canais de chat secretos e fóruns de discussão em que se entra apenas a convite, ladrões hi-tech formam alianças informais, contatam aqueles que se especializam em uma técnica ou outra ou encontram indivíduos que podem tirar dinheiro de determinados cartões de crédito ou instituições financeiras.

Gangues russas ou do Leste Europeu parecem estar entre as mais organizadas, segundo o relatório.

bbc

sábado, 22 de novembro de 2008

Massive Attack - Angel ( Live From Abbey Road)

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO?


El ex policía tucumano, condenado por violencia y gatillo fácil, brindaba un curioso reportaje mientras la Gendarmería rodeaba su casa. Al terminar, sacó un arma y se disparó ante la cámara. Estaba acusado por una muerte y una violación durante la dictadura.

Por Pedro Lipcovich, para Página/12

“He tratado de obrar con la mayor coherencia”, dijo Mario Ferreyra mientras, con absoluta serenidad, se disponía a matar a un hombre que, en este caso, era él mismo. “Bienvenidos –les había dicho a los periodistas de Crónica TV–, porque van a trasmitir algo que es real.” Segundos después, se disparó un tiro en la sien; la sangre empapó a uno de sus siete hijos, que lo abrazaba ya muerto, mientras los ojos en blanco del ex comisario empezaban a multiplicarse en las pantallas de la televisión.

Todo sucedió sobre el tanque de agua del techo de su casa, adonde una comisión de Gendarmería había llegado para detenerlo, acusado de participar en la detención ilegal de un hombre y en la violación de una mujer durante la última dictadura militar. El Malevo había saltado a la fama en 1993, cuando escapó de la sala donde un tribunal acababa de condenarlo por el asesinato de tres hombres en 1991, cuando comandaba la Brigada de Investigaciones de Tucumán. Luego de 79 días fugado en el monte, fue detenido. Pero sólo pasó cuatro años y medio preso: en 1998, gracias a dos reducciones de pena dispuestas por el entonces gobernador Antonio Bussi, recuperó la libertad. En 2006 fue nuevamente detenido por lesiones, amenazas de muerte y tenencia de armas, pero otra vez lo dejaron libre. El 11 de noviembre pasado, nuevamente un juez había dispuesto su captura, por primera vez en relación con la represión ilegal que había comandado Bussi.

El 11 de noviembre pasado, el juez federal subrogante Nº 1 de Tucumán, Daniel Bejas, libró orden de detención contra Ferreyra y contra el ex comisario Francisco “Pancho” Orce, en la “megacausa” que investiga la existencia de un centro clandestino de detención en el ex arsenal Miguel de Azcuénaga, durante la última dictadura militar. La investigación se refiere a unas 80 víctimas de un total de mil, que se estima pasaron por ese centro durante la intervención militar de Bussi, en Tucumán. Ferreyra y Orce están acusados de haber participado en la privación ilegítima de la libertad de Carlos Osores y en la violación de Graciela Osores, su hermana.

La medida tomada por Bejas había sido recomendada por los jueces Ernesto Wayar, Graciela Fernández Vecino y Marina Cossio de Mercau en su fallo del 17 de septiembre pasado, que confirmó el procesamiento de Bussi, Luciano Benjamín Menéndez, Alberto Cattáneo y Mario Alberto Zimmermann por delitos de lesa humanidad cometidos en el ex Arsenal; en el caso de Bussi, se le imputó la autoría material del homicidio de Luis Eduardo Falú (hermano de Ricardo Falú, ex diputado nacional y ministro de la gobernación de Ramón Ortega).

Ayer, antes de suicidarse, Ferreyra sostuvo que “persiste la actitud de querernos detener. Si no hay decisión suprema, esto no va a tener fin. La policía –afirmó– tiene que adaptarse a cualquier tipo de gobierno, y somos nosotros los que tenemos que pagar las consecuencias”. El jueves pasado, la Justicia había dispuesto medidas de protección para los jueces Bejas y Alicia Noli y para la asesora en derechos humanos Laura Figueroa, quienes habían sido amenazados por Ferreyra.

Antes de 1991, como jefe y caudillo de la Brigada de Investigaciones –sombrero Panamá, camisas negras, patillas inmensas–, había protagonizado varios amotinamientos policiales durante el gobierno de Ramón Ortega. El 10 de octubre de ese año, al mando de ocho efectivos, persiguió a tres hombres; no vaciló en salir de su jurisdicción, en la provincia de Salta, los capturó y, en Laguna de los Robles, los mató a tiros. Después pretendió que había sido un enfrentamiento, pero el 14 de diciembre de 1993, la Sala I de la Cámara Penal tucumana los condenó, a los nueve, a cadena perpetua por homicidio. Cuando terminó de leerse el fallo, el Malevo, esgrimiendo una granada de mano que nadie le había impedido portar, se alzó y, contemplado por los agentes de custodia, escapó con cinco de sus hombres. Estos se entregaron poco después, pero Ferreyra huyó al monte. Lo acompañaba María de los Angeles Núñez, de 19 años, que estaba embarazada de él. Pasaron 79 días hasta que una patrulla lo rodeó y lo capturó cerca del pueblito de Zorro Muerto, en Santiago del Estero.

Sin embargo, Antonio Domingo Bussi, gobernador de Tucumán, en septiembre de 1996 le redujo la condena a 20 años, y en diciembre de 1997 se la achicó otro diez por ciento. La buena conducta en la cárcel, obviamente acreditada por el Servicio Penitenciario provincial, le permitió obtener la libertad condicional el 16 de septiembre de 1998. Dos días después ya tenía trabajo como “supervisor de cobranzas” en una empresa cuyo dueño era Jorge Soria, ex integrante de la Brigada de Investigaciones. El sábado 20 fue homenajeado con un asado por 300 personas –muchas llevaban sombreros como el del Malevo–, en el que participó Enrique Artigas, secretario de Salud del gobierno de Bussi.

En 2003, corrió riesgo de perder la libertad condicional por trabajar en una empresa de seguridad privada, pero nada sucedió. En 2006, una vecina lo denunció, a él y a María de los Angeles Núñez, por pegarle hasta causarle lesiones y amenazarla de muerte. Cuando, por orden del fiscal, fue allanada su vivienda, se encontraron armas de fuego y proyectiles –todas conductas prohibidas en una persona bajo libertad condicional– y se ordenó su detención. Después de dos semanas, el 10 de mayo, se entregó. Pero el 3 de junio la jueza Emma de Nucci le restituyó la libertad condicional, bajo una caución de 5000 pesos. En noviembre de 2007, el propietario de una granja en la localidad de Mista lo acusó de haber ingresado en sus tierras con maquinaria pesada y, junto con varios cómplices, haber cosechado por su cuenta 20 hectáreas de terreno, llevándose 25 toneladas de cereal por valor de 12.500 pesos. Ferreyra declaró ante una fiscalía, y tampoco esa vez le fue retirada la libertad condicional.

O PETRÓLEO É NOSSO?


Pedro Feilke, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e integrante do comitê “O petróleo tem que ser nosso”, criou o blog Comitê Petróleo RS, que traz textos informativos sobre a questão do petróleo brasileiro. O comitê tem como metas: a reestatização do petróleo, o fim da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o fim dos leilões de petróleo e gás e a efetiva conversão dos benefícios dos recursos pré-sal para a população brasileira. Há três meses, o comitê vem se reunindo semanalmente, todas as quartas-feiras, a partir das 18 horas, na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS), em Porto Alegre (Rua General Lima e Silva, 818).

Leia RS URGENTE.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Como um vídeo vira sucesso no YouTube


Pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Zurique explicam com métodos matemáticos como vídeos publicados no Youtube se transformam em sucesso de público.

Com base nesse modelo, eles pretendem desenvolver um sistema de monitoriamento do comportamento dos usuários e das tendências na internet.

O YouTube é um gigantesco arquivo de vídeos e um celeiro de informações para quem estuda os mecanismos de audiência em redes sociais. Os pesquisadores Riley Crane e Didier Sornette, da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), acabam de descrever o "comportamento de rebanho" (herding) dos usuários dessas redes a partir de modelos matemáticos.

Eles buscaram respostas para a seguinte questão: por que alguns vídeos de autores antes desconhecidos no YouTube, como o Evolution of Dance, do comediante norte-americano Judson Laipply, são vistos milhões de vezes em apenas algumas semanas enquanto 90% têm apenas alguns espectadores?

O estudo mostra que a audiência, nesse caso, segue determinados modelos que se repetem. Em artigo publicado na revista científica PNAS, Crane conta que analisou durante dois anos, com um software próprio, os números de espectadores de 5 milhões de vídeos no YouTube.

Ele se concentrou nos vídeos com maior audiência, aqueles que foram vistos pelo menos 100 vezes por dia, que representam apenas 10% do total. Estes ele dividiu em três categorias.

"Epidemia" eletrônica

Vídeos "junk" geram uma audiência surpreendentemente alta, mas apenas por um curto período. Eles não desenvolvem uma dinâmica própria, uma pressão para "seguir o rebanho" da comunidade do YouTube.

Diferentemente dos vídeos "virais", que se espalham como uma epidemia nas redes sociais, através de recomendações feitas por emails, blogs ou links. Foi o que ocorreu, por exemplo, com um vídeo de publicidade do novo filme de Harry Potter.

A terceira categoria, a dos vídeos de "qualidade", é semelhante aos "virais". Em vez de um lento aumento do número de espectadores, eles têm uma explosão de audiência devido à sua qualidade, sua popularidade aumenta rapidamente e depois diminui lentamente. Foi o caso de alguns vídeos sobre o tsunami ocorrido no Sudeste Asiático, no Natal de 2004.

Leis da Física

Crane estabeleceu uma relação entre o pico de audiência dos vídeos "virais" e de "qualidade" e a audiência total nos dois anos. "Representamos os números em diagramas e constatamos que as curvas de aumento e diminuição da audiência dos dois tipos de vídeos tinham uma forma característica. A capacidade de um vídeo se tornar um sucesso na comunidade do YouTube pode ser deduzida da forma da curva", diz Crane.

Ele descobriu, por exemplo, que a perda de audiência de vídeos "virais" pode ser descrita com modelos matemáticos usados para descrição dos pequenos abalos sísmicos que sucedem a um grande terremoto.

"É fascinante que um sistema social aparentemente funcione pelas mesmas regras de um sistema físico e assim se torne matematicamente compreensível", afirma Crane no site ETH Life, publicação eletrônica da Escola Politécnica Federal de Zurique.

Com o modelo por ele desenvolvido, é possível perceber, a partir de tendências de crescimento da audiência, se um determinado vídeo é predestinado ao sucesso no YouTube. Isso antes de essa evolução ocorrer de fato.

Instrumento de marketing

Os resultados do estudo são interessantes para o marketing, por exemplo, para monitorar em tempo real a venda de livros via internet. Com a constante comparação dos dados, os marqueteiros podem ver antecipadamente qual livro tem potencial para virar um best-seller e servir de orientação para os investimentos em publicidade da obra.

Crane e Didier Sornette, professor do Departamento de Gerenciamento, Tecnologia e Economia da ETH, negociam uma integração desse sistema à livraria eletrônica Amazon. Num próximo passo, os dois pesquisadores querem aperfeiçoar o próprio modelo, fazendo uma comparação com modelos matemáticos usados na epidemiologia.

Em médio prazo, eles querem desenvolver um sistema de monitoramento de tendências na internet, com o qual poderiam ser previstos fenômenos das redes sociais em diferentes plataformas da rede mundial de computadores.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

David Bowie: um caso de amor com Berlim


"Helden" (Heroes) é o título do novo livro de Tobias Ruether sobre o período em que o camaleão do rock, David Bowie, viveu na capital alemã, onde lançou três álbuns. DW-WORLD.DE conversou com o autor sobre seu trabalho.

No fim dos anos 70, David Bowie – um dos maiores astros do rock mundial – habitava um apartamento relativamente simples em Berlim. Os três álbuns lançados neste período são considerados uns dos mais inovativos de sua carreira e um deles inclui a canção mais diretamente associada ao Muro de Berlim. Mas a aventura de Bowie em Berlim não começou de forma tão promissora.

DW-WORLD.DE: David Bowie estava acabado quando se mudou de Los Angeles para Berlim em 1976.

Tobias Ruether: Seu estilo de vida tinha chegada a um clímax. Ele consumia muitas drogas e levava a vida intoxicada que as pessoas imaginam para uma estrela do rock. Ele sempre quis ir à América e gostou muito da experiência, até se dar conta de que ela não lhe fazia bem nenhum à saúde. Tudo isso combinado com um interesse pelo obscuro, como muitos astros do rock tinham na época. Ele era apaixonado pelo sobrenatural. Em algum momento, acordou e, das brumas de suas alucinações, começou a surgir um destino – um lugar onde tentaria salvar a si próprio. Esse lugar era Berlim.

Como você descreve no início do seu livro, Bowie também mantinha uma fascinação doentia pelo facismo.

Isso era parte de sua alucinação. Ele disse na época que Hitler tinha "encenado um país". E, na megalomania narcótica de quem se via como um messias do rock'n'roll, reconheceu um reflexo de si mesmo em Hitler. Certa vez, ele disse: "Eu teria sido um excelente Hitler". Mais tarde, confessou que não estava no total controle de suas faculdades mentais.

Berlim o curou dessa fascinação. Como era a cidade na metade dos anos 70?

Era o ponto onde os dois lados da Guerra Fria colidiam como em nenhum outro lugar. Quando chegou, em 1976, o muro existia há apenas 15 anos. A situação estava sob controle, mas ainda era o lugar onde os dois sistemas se confrontavam. Por outro lado, Berlim Ocidental era como uma ilha muito bem financiada. Tinha algo de idílico. Quem lá viveu conta, por exemplo, que nunca havia congestionamentos. Mas era, ao mesmo tempo, cercada pela mais perigosa situação no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Foi essa estranha mistura que tanto o inspirou.

Como você caracterizaria as diferenças entre a música de Bowie antes da mudança para Berlim e os três álbuns que compôs na cidade: Low, Heroes e Lodger?

Nos Estados Unidos, Bowie era obcecado por black music, funk e soul. Mas, no último álbum que lançou nos Estados Unidos (Station to Nation, de 1976), a faixa-título já continha elementos da estética repetitiva que apareceria, mais tarde, nos discos produzidos em Berlim. A diferença radical é que Station to Station lembra Frank Sinatra, com um estilo crooner. Low (1977), seu primeiro disco na capital alemã, é um disco conceitual, que quebrou com todos os formatos tradicionais do rock. No lado B, no qual Bowie não canta, essa ruptura é decisiva. Imagine David Bowie, um famoso intérprete de canções, simplesmente pára de cantar. Esta é a quebra mais radical que se podia imaginar nos anos 70. Nenhum outro artista do seu nível fez algo parecido.

Mas seu maior sucesso em Berlim foi "Heroes", um hino melodramático que não fala de alienígenas ou de astronautas, mas de dois amantes se beijando no Muro de Berlim. Até que ponto o notavelmente irônico Bowie quiz dizer algo sério com essa música?

Acho que o conceito de "dizer algo sério" não se aplica a Bowie. Como disse a ele mesmo na época: "Isso é o mais próximo que você chegará de David Bowie". Também disse que quem compunha os álbuns "poderia" talvez ser David Bowie. A conexão com Ziggy Stardust e com Space Oddity é que "Heroes" é grandioso. Os protagonistas são outsiders como Major Tom e acho que são uma metáfora para a vida à margem da sociedade. É uma canção sobre o Muro, mas não é uma música de protesto. Fala sobre duas pessoas que se encontram voluntariamente no muro pois é lá que celebram seu amor. É provável que Bowie simplesmente gostasse da imagem.

Berlim foi o lugar onde mais se sentiu livre, disse o camaleão do popFalando de amor, Bowie amou Berlim ou este é outro conceito que não pode ser vinculado a ele?

Acho que ele se sentia muito, muito bem em Berlim. Ele disse muitas vezes depois que se sentiu mais livre em Berlim do que em qualquer outro momento de sua vida. Ele veio de Los Angeles, um lugar onde todos o conheciam, e na Alemanha o deixaram em paz. Ele conta que, em Los Angeles, sua paranóia chegou ao ponto de não poder mais andar pelas ruas sem pensar que "David Bowie está andando pelas ruas". Ele começou a pensar em si mesmo na terceira pessoa. Em Berlim, ele se encontrou novamente e, ao mesmo tempo, tinha todas as coisas que o fascinaram desde criança: pintura, filme, Expressionismo – a "velha Europa", por assim dizer. Mas não sei se é amor. Ele vive desde 1978 em Nova York. Talvez seja melhor dizer que ele teve um caso com Berlim.

Seu livro é menos uma cronologia e mais uma meditação sobre o período em que Bowie vivieu em Berlim. Por que você optou escrever dessa forma?

Não queira escrever uma biografia clássica ou um livro de música pop. Tentei esclarecer um pouco a figura de Bowie com todas as referências e as coisas que o influenciaram durante sua permanência em Berlim. Queria colocá-lo de volta nos anos 70. Minha intenção não era escrever um livro só para fãs de pop, mas mostrar Bowie pelo que ele é – um artista pop absolutamente radical. Não quis mostrá-lo como alguém que pudesse ser explicado apenas através de sua música. Ele permanece um mistério para mim – mesmo depois de 220 páginas.

Jefferson Chase, para Deutsche Welle

Domínio dos EUA vai acabar, diz inteligência americana


A força econômica, militar e política dos Estados Unidos no mundo deve decair nas próximas duas décadas, segundo um relatório de agências americanas de inteligência divulgado nesta sexta-feira.

O relatório foi produzido pela National Intelligence Council (NIC), entidade que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país.

O texto também afirma que a atual crise financeira é o começo de uma grande mudança na economia global, com transferência de renda do Ocidente para o Oriente e enfraquecimento do dólar.

A divulgação do documento da NIC coincide com a transição do governo de George W. Bush para o presidente eleito, Barack Obama, nos Estados Unidos.

Brasil, China e Índia

"Os próximos 20 anos de transição para um novo sistema estão cheios de riscos", diz o relatório Global Trends 2025 (ou Tendências Mundiais 2025, em português).

O relatório é elaborado a cada quatro anos, sempre coincidindo com a posse de um novo presidente americano.

O documento prevê que até 2025 o mundo pode se tornar um lugar mais perigoso, com menos acesso das populações à comida e água.

O National Intelligence Council acredita que no futuro os Estados Unidos continuarão sendo o país mais poderoso do mundo, apesar de perder parte da sua influência para países como China, Índia, Brasil e Irã. Já as disputas internas da União Européia um gigante lento.

A NIC afirma que um mundo com mais pólos de poder potencialmente terá mais conflitos do que um mundo com uma ou duas superpotências.

A agência afirma que o aquecimento global e a escassez de recursos provocarão guerras no futuro. A disseminação de armas nucleares também deve crescer, com Estados considerados "párias" e grupos terroristas conseguindo acesso a materiais nucleares.

Segundo a NIC, a ação dos líderes globais será decisiva para os rumos do planeta.

"Não está além do alcance dos seres humanos, ou dos sistemas políticos, (ou) em alguns casos (o) funcionamento de mecanismos do mercado, cuidar e aliviar e até solucionar esses problemas", afirma Thomas Fingar, diretor da NIC.

BBC

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo


Cientistas americanos dizem que substâncias presentes na maconha podem ser benéficas para o cérebro à medida que as pessoas envelhecem, reduzindo índices de inflamação e estimulando a formação de novos neurônios.

A equipe, da Ohio State University, em Ohio, nos Estados Unidos, apresentou seu estudo durante uma reunião da Society for Neuroscience na capital americana, Washington.

O trabalho indica que a criação de uma droga legal que contenha certas propriedades similares às da maconha poderia ajudar a prevenir ou retardar a chegada de doenças como o Mal de Alzheimer.

Embora a causa exata desta doença seja desconhecida, acredita-se que uma inflamação crônica no cérebro contribua para a perda da memória.

A intenção dos cientistas é criar uma nova droga cujas propriedades seriam semelhantes às da tetrahidrocanabinol, ou THC, a principal substância psicoativa da planta da maconha - mas sem o efeito inebriante da droga.

Ao lado de nicotina, álcool e cafeína, a THC, quando consumida em moderação, tem demonstrado uma certa eficácia em proteger o cérebro contra inflamações, o que pode se traduzir em uma melhor memória na velhice.

"Não é que tudo o que é imoral seja bom para o cérebro", disse o responsável pela pesquisa, Gary Wenk, da Ohio State University. "Simplesmente, existem algumas substâncias que milhões de pessoas, durante milhares de anos, vêm usando em bilhões de doses, e você está notando que existe um pouco de sinal no meio de todo o ruído".

As pesquisas de Wenk e seus colaboradores já demonstraram que uma droga sintética semelhante ao THC pode melhorar a memória de ratos.

Sua equipe está agora tentando entender como a substância funciona no cérebro.

Um dos co-autores do estudo, Yannick Marchalant, fez testes com ratos idosos usando a droga sintética WIN-55212-2. Ela não é usada em humanos por que pode produzir fortes efeitos inebriantes.

Os especialistas colocaram uma sonda sob a pele dos animais para injetar nos ratos uma dose constate de WIN durante três semanas - a dose era baixa, de forma a não inebriar os ratos.

Um outro grupo de ratos não recebeu a droga.

Depois, os dois grupos foram submetidos a testes de memória em que eram colocados dentro de uma pequena piscina para determinar quão capazes eles eram de usar pistas visuais para encontrar uma plataforma escondida sob a superfície da água.

Os ratos que tomaram a droga tiveram desempenho melhor em aprender e lembrar como encontrar a plataforma escondida.

"Ratos velhos não são muito bons nessa atividade. Eles podem aprender, mas demora mais tempo para acharem a plataforma", disse Marchalant. "Quando demos a eles a droga, tiveram um desempenho um pouco melhor".

"Quando somos jovens, reproduzimos nossos neurônios e nossa memória funciona bem. À medida em que envelhecemos, o processo fica mais lento e temos uma diminuição na formação de novos neurônios. Você precisa que essas células retornem e ajudem a formar novas memórias, e verificamos que este agente, semelhante ao THC, pode influenciar a criação dessas células".

As pesquisas com ratos sugerem que pelo menos três receptores no cérebro são ativados pela droga sintética. Esses receptores são proteínas do sistema endocabinóide, que controla a memória e processos psicológicos associados ao apetite, humor e resposta à dor.

Entender em detalhe a ação da THC é fundamental para que os criadores de uma nova droga possam dirigir a ação do remédio para sistemas específicos, maximizando seu efeito positivo.

"Será que as pessoas poderiam fumar maconha para evitar o Mal de Alzheimer se a doença estiver na família?", pergunta Wenk. "Não é isso o que estamos dizendo, mas poderia funcionar. O que estamos dizendo, o que nos parece, é que uma substância legal, segura, que imite essas propriedades importantes da maconha pode trabalhar nos receptores do cérebro para evitar a perda da memória na velhice".

Uma coisa já está clara para os cientistas: o tratamento não é eficaz se já existe perda da memória - é preciso reduzir a inflamação, preservar os neurônios existentes e gerar novos neurônios antes que a perda de memória seja óbvia.

Também está claro, segundo os pesquisadores, que a THC sozinha não é a resposta.

Eles esperam encontrar um composto de substâncias que possam especificamente agir na inflamação do cérebro e ativar a formação de novos neurônios.

bbc

Comissão acusa China de espionar EUA pela internet


Uma comissão do Congresso americano disse nesta quinta-feira que a China está praticando espionagem pela internet contra o governo e empresas dos Estados Unidos.

Segundo o relatório anual da Comissão de Revisão sobre Segurança e Economia China-Estados Unidos, os chineses estão conseguindo ter um acesso cada vez maior a informações confidenciais a partir de redes de computadores dos Estados Unidos.

"A China está roubando grandes volumes de informações sensíveis de redes de computadores americanos", disse o presidente da comissão, Larry Wortzel.

Os congressistas da comissão afirmam que a China usa a internet para as atividades porque essa é uma forma mais barata de espionar do que os métodos tradicionais.

Além disso, de acordo com o relatório da comissão, geralmente é difícil descobrir o responsável pela invasão de redes de computadores.

Vulnerabilidade

Até o momento, as autoridades chinesas não comentaram as acusações da comissão.

No entanto, ao responder a relatórios anteriores sobre o tema, autoridades em Pequim afirmaram que a China não tenta prejudicar os interesses de outros países e busca relações saudáveis com os Estados Unidos.

A comissão, composta por seis democratas e seis republicanos, foi criada pelo Congresso americano em 2000 com o objetivo de aconselhar, investigar e reportar questões relativas às relações entre China e Estados Unidos.

Em seu relatório, a comissão afirmou que o governo e a economia dos Estados Unidos estão muito vulneráveis a ataques cibernéticos, já que ambos dependem fortemente de computadores e da internet.

A comissão recomendou que os congressistas americanos forneçam fundos para programas do governo com o objetivo de monitorar e proteger informações sensíveis mantidas em redes de computadores.

bbc

GREVE JUSTA



Juremir Machado da Silva, para Correio do Povo

O magistério estadual gaúcho entrou em greve. Mas o governo achou-se incompreendido. Dado que uma lei federal estabeleceu piso salarial, como salário inicial, no valor de R$ 950,00, as autoridades do Rio Grande do Sul trataram de interpretar de outra forma o espírito dessa medida, contrariando o bom senso e a língua portuguesa, para defender os interesses dos nossos professores. Não entenderam? Acham que estou ficando louco? Explicarei. O governo gaúcho ficou preocupado com a possibilidade de os professores começarem a ganhar um pouco mais. Nem se trata de ganhar bem, muito bem ou suficientemente. É bem mais simples. Ganhar a partir de R$ 950,00 complica.
Esmiuçarei o que parece serem as razões profundas, embora jamais reveladas, dos nossos representantes e gestores. As razões superficiais são conhecidas: falta de recursos, sistema inchado e necessidade de não abalar o ajuste fiscal em curso. As razões que aqui chamo de profundas são mais interessantes. Se um professor em começo de carreira ganhar R$ 950,00, quanto receberá, acrescentando-se vantagens, um profissional com 20 anos de carreira? Pode, quem sabe, chegar a R$ 2 mil. Já imaginaram? Aí se tornaria perigoso. Professor com salário razoável pode começar a fazer coisas impensadas, tomar atitudes impulsivas, agir de modo precipitado.
Entre as ações perigosas que podem resultar de uma elevação substancial de salário encontram-se ir ao cinema com mais freqüência (ou simplesmente ir ao cinema), comprar música e, pasmem, adquirir braçadas de obras na Feira do Livro. Bem, braçadas mesmo, convenhamos, não daria, salvo em balaios, mas ainda assim haveria o risco de um aumento vertiginoso na aquisição de livros. É sabido que professores com muita leitura causam problemas. Ficam sabichões, até arrogantes, ensinam melhor e podem até fazer com que os alunos de escolas públicas se tornem verdadeiros concorrentes de alunos de escolas privadas em vestibulares ou outros gêneros de concursos. Ouvi dizer, embora sem confirmação, que já tinha professor pensando em viajar graças ao piso salarial (salário inicial). Não deve ser verdade. Livros e viagens já é demais!
Outro item contestado pelos nossos protetores diz respeito ao tempo necessário para atividades fora de sala de aula (preparação, correção de provas e outros passatempos levados para casa). Segundo o governo, isso exigiria contratar mais 27 mil professores. Não haveria dinheiro para isso. Sugere-se, então, que o magistério continue a praticar uma tradição de sacrifício, trabalhando de graça no aconchego do lar pelo bem público e pelo sacerdócio do ensino. Afinal, ser professor deve ser padecer na sala de aula e ainda levar trabalho para casa. Claro que os governantes não se reconhecerão nestas linhas. Mesmo assim, frios e estatísticos, pedirão como sempre cautela, pragmatismo e realismo a quem passa a vida esperando o famoso 'agora vai'. Aí, quando vai um pouquinho, inacreditavelmente, o governo não quer pagar.
A greve só podia ser justa. Mais do que isso, justíssima, legítima, além, claro, de ser legal. Em governo de intelectual, costuma ser assim: a educação fica em segundo lugar mesmo parecendo estar em primeiro. Foi assim com FHC. As universidades públicas foram abandonadas. No Rio Grande do Sul, educação e cultura só têm levado tranco. Quando não tem outro jeito, é preciso meter o pé na porta. Piso é salário inicial.

juremir@correiodopovo.com.br

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Polícia checa entra em confronto com militantes de direita


A polícia da República Checa entrou em confronto nesta segunda-feira com manifestantes de extrema-direita que pretendiam alcançar um bairro cigano na cidade de Litvinov, no norte do país.

Os policiais, alguns montados em cavalos, tentaram controlar os cerca de 500 manifestantes com cassetetes e bombas de gás. Os manifestantes responderam com coquetéis molotov e pedras.

Pelo menos sete policiais e sete manifestantes foram feridos nos confrontos. Outras 15 pessoas foram presas.

Os manifestantes fazem parte do extremista Partido dos Trabalhadores e pelo menos mil policiais foram destacados para conter a manifestação.

“A polícia tentou impedir que os manifestantes chegassem ao bairro, mas eles começaram a atacar com coquetéis molotov”, disse Jarmila Hrubesova, porta-voz da polícia.

A empobrecida população cigana da República Checa é, há tempos, alvo de extremistas de direita, e muitos ciganos denunciam casos de discriminação racial no país.

bbc

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Crisis: los ocho jinetes del Apocalipsis

Aquí están, éstos son. Los nombres y apellidos del peor desastre financiero global en casi 80 años. Detrás de los rostros de estos ocho ejecutivos hay una sucesión de errores, negligencias, egoísmos y una responsabilidad que trasciende lo individual para alcanzar al capitalismo sin regulaciones. Invertir y gastar sin fondos reales era una ecuación que no podía durar para siempre. Antes de lo que muchos esperaban, y contra la opinión de los “gurúes”, explotó. Lejos de castigarlos, el mercado premió a estos CEO (Chief Executive Office) con indemnizaciones millonarias.

Por Silvina Herrera , para Diario Perfil

Arriba. Charles O. Prince / Daniel Mudd / R. Fuld / Stanley O’Neal / Abajo. James Cayne / Robert Willumstad / Angelo R. Mozilo / Michael Perry.

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Corridas, números que no cierran, desesperación. El mundo financiero entró en crisis mientras los responsables se hacían invisibles detrás del sufrimiento de miles de personas que corrían el riesgo de quedarse sin trabajo o sin vivienda al no poder pagar la hipoteca. Sin embargo, hay nombres y apellidos detrás de la crisis financiera más grande en 80 años, amparados en una sucesión de directivos que prefirieron mirar para otro lado y no detener el colapso que terminó afectando a la segura y cómoda forma de vida norteamericana.

Las causas son muchas, pero la lista incluye ambiciones desmedidas, errores de cálculo, sensación de impunidad y falta de control estatal.

Aunque todo estalló hace apenas unos meses, los problemas se agravaron en junio del año pasado, cuando comenzaron a caer los fondos del banco de inversión Bear Stearns. Como por efecto dominó, los bancos comenzaron a caer uno a uno, las Bolsas mundiales se derrumbaban y el colapso en Estados Unidos se volvió una preocupación real hasta para los más confiados. Pero la debacle ya se preveía en junio de 2003, cuando las tasas de la Reserva Federal llegaron al nivel más bajo.

Las causas de la crisis norteamericana más grande desde 1930 son múltiples y se irán analizando a medida que pase el tiempo, pero la especulación inmobiliaria y el afán desmedido de ganancias pueden señalarse como algunos de los motivos más evidentes.

En concreto, las rebajas en las tasas que se dispusieron para reactivar la economía provocaron una fuerte inversión en hipotecas tóxicas o de riesgo (subprime) armadas por los bancos. Las hipotecas tóxicas eran utilizadas para que clientes con poca solvencia adquirieran su vivienda, pero con un nivel de riesgo superior al del resto de los créditos. Mientras los ocho CEO más importantes del mercado recibieron indemnizaciones millonarias tras el fracaso al frente de las entidades, muchos ciudadanos norteamericanos llegaron a suicidarse ante la desesperada idea de perder sus viviendas al no poder afrontar el pago de las deudas. Cerca de 200 mil familias estuvieron en peligro de quedarse sin sus casas.

El modelo neoliberal recomienda recetas de libre comercio y no intervención estatal; sin embargo, cuando la crisis explotó el gobierno del republicano George Bush entendió que la intervención del Estado era la única forma posible de salvar la economía. Así se planeó un operativo rescate de US$ 700 mil millones para sanear los bancos. En un primer momento, los demócratas rechazaron el plan por considerar injusto que los contribuyentes terminen pagando la deuda privada, y hasta lo propios republicanos se opusieron por su dogma histórico de rechazar la intervención estatal. Finalmente, el proyecto se aprobó con cambios en el tope máximo para los depósitos bancarios con garantía federal. El Estado también autorizó un plan para evitar los desalojos que incluyó la reducción de las tasas de interés, la extensión del préstamo por un período más prolongado y el retraso en el pago principal de la hipoteca.

Cuando el Congreso dio luz verde al rescate, ejecutivos de una de las entidades, la aseguradora AIG, festejaron la noticia en un retiro de una exclusiva playa californiana donde se gastaron 400 mil dólares. Tenían mucho que agradecer a la “mano invisible” del mercado, que los dejó tranquilos, e impunes.

Charles O. Prince - Citigroup

Con 48 años, el ejecutivo del Citigroup no tuvo mejor idea que intentar enfrentar la crisis que se avecinaba con el despido de 17 mil empleados y el traslado de 9.500 a países con menores costos. La decisión estuvo acompañada de promesas a los inversores de ahorrar 10 mil millones de dólares. El lema de Prince era recortar en sueldos y en costos organizativos que “no aporten nada a la capacidad de dar un servicio eficiente a la clientela”.

Cuando comprendió que los empleados no eran el problema, ya fue demasiado tarde y las acciones se vinieron a pique, poco después de inflar el balance de la firma con activos tóxicos por un valor de más de 11 mil millones de dólares.

Claro que entre la reducción de costos no estaba incluida su indemnización, que llegó a los 105 millones de dólares. Al dejar su cargo, Prince declaró: “Dada la magnitud de las pérdidas en el negocio de las hipotecas, la única salida honrosa que me queda como presidente es renunciar a mi puesto”. Robert Rubin, ex secretario del Tesoro de Estados Unidos bajo la administración de Bill Clinton, se hizo cargo del Citigroup.

Daniel Mudd - Fannie Mae

Tiene 49 años y es hijo del periodista Roger Mudd, de la CBS. Antes de dedicarse a las finanzas, fue oficial de los marines y combatió en Beirut, donde fue condecorado por sus servicios. Durante la caída del Muro de Berlín, Mudd recibió una propuesta para trabajar en el gobierno alemán. Tras su experiencia militar, ingresó al mundo empresario, primero recaló en la General Electric y luego desembarcó en una de las prestamistas financieras más grandes de Estados Unidos, Fannie Mae. En los últimos tiempos al frente de la entidad, no logró evitar el derrumbe de la financiera, abrumada por las hipotecas impagas, la caída de los precios de la vivienda y el trastorno del mercado crediticio, lo que dejó sin casas a miles de familias. Sólo en el segundo trimestre de 2008 la financiera perdió 2.300 millones de dólares. Su decisión de elevar los intereses a pagar por las hipotecas tuvo un alto costo social. En septiembre pasado, junto con Freddie Mac, Fannie Mae fue rescatada por la Reserva Federal y el Departamento del Tesoro, y los gobiernos locales adquirieron las viviendas confiscadas. Mudd recibió una compensación de 24 millones de dólares. El propio Barack Obama pidió que tanto él como Richard Syron, de Freddie Mac, no recibieran cifras millonarias mientras el Estado salía a salvar a las financieras prestamistas con el dinero de los contribuyentes.

R. Fuld - Lehman Brothers

Apodado “el Gorila” por su fama de reservado, duro y poco hablador, la de Richard Fuld fue la caída más estrepitosa porque estaba considerado un gurú de la economía mundial. Nacido en Nueva York hace 62 años, falló en su intento de salvar de la bancarrota a Lehman Brothers, el cuarto mayor banco de inversión de Estados Unidos, al no lograr que el Bank of America u otra entidad adquirieran los activos para absorber las pérdidas. El CEO recibió varias advertencias de sus asesores, que le aconsejaban vender un porcentaje del capital, pero Fuld pretendía venderlo a un precio muy alto, y cuando intentó colocar los activos al valor del mercado ya era demasiado tarde porque había comenzado el derrumbe. Jugador de squash y coleccionista de arte moderno, ganaba 17 mil dólares la hora y logró acumular 489 millones de dólares en los últimos 10 años gracias a la venta de sus acciones. La mujer del ejecutivo, Kathy, vicepresidenta del Museo de Arte Moderno de Nueva York, vendió su colección por 20 millones de dólares. Sin embargo, no parece que la familia tenga problemas económicos ya que Fuld, tras hundir a Lehman Brothers, recibió una indemnización de 53 millones de dólares, cifra que le alcanza para lograr su individual sueño americano.

Stanley O’Neal - Merrill Lynch

La burbuja financiera de Estados Unidos terminó con el puesto del segundo ejecutivo mejor pago de las firmas de inversión, con alrededor de 45 millones de dólares en 2006. De 57 años, O’Neal fue despedido luego de conseguir ascender en la escala social con mucho esfuerzo. Es hijo de un jornalero negro de Alabama y nieto de esclavo. Pudo estudiar porque General Motors le concedió una beca y con los años logró ocupar diversos cargos en la compañía. Sus triunfos comenzaron en épocas en que los negros eran muy discriminados.

El trabajo de O’Neal significaba el progreso económico y social de la población negra, pero los objetivos de una vida próspera y exitosa se esfumaron el año pasado cuando fue despedido, tras haber llegado a la presidencia de Merril Lynch en 2002. En cinco años ganó 172 millones de dólares.

Al irse, un año atrás, no esperaba que la compañía iba a desaparecer en un mar de deudas.La firma de inversión fue adquirida por el Bank of America, que pagó 44.000 millones de dólares, y John Thain lo reemplazó en el cargo en diciembre de 2007. A pesar del fracaso social y laboral, O’Neal fue premiado con una compensación que alcanza los 160 millones de dólares. Un economista estadounidense afirmó que su gestión evidenciaba “la mejor relación salario-fracaso. que se haya visto”.

James Cayne- Bear Stearns

Tiene 74 años y dejó de ser el CEO de Bear Stearns en enero de este año, tras duros cuestionamientos por sus errores y ausencias en medio de la crisis de liquidez que sufrió la compañía durante 2007.

En sus comienzos fue comerciante de chatarra y vendedor de fotocopiadoras, y nunca pudo realizar una carrera universitaria. Es fanático de los habanos y del bridge, tanto que mientras la Bolsa se desplomaba y el mundo financiero conocido dejaba de ser lo que era, Cayne se la pasó jugando al golf y practicando su juego favorito de cartas en Tennessee. Sus ejecutivos negociaban por él, pero el directivo de la firma no atendía las llamadas ni contestaba los e-mails, sólo se comunicaba una vez al día a través de teleconferencias.

Con este ritmo de trabajo, el quinto mayor banco de inversión no pudo sostenerse más y sus acciones cayeron casi un 50%. Fue adquirido por JP Morgan en marzo pasado por 200 millones de dólares. Claro que Cayne no se fue con las manos vacías: recibió 38 millones, que se suman a los 60 millones por la venta de sus acciones.

Robert Willumstad - AIG

El ejecutivo, de 62 años, estuvo un corto período al frente de American International Group, la mayor aseguradora de Estados Unidos. Asumió el 15 de junio, en reemplazo de Martin Sullivan, y pocos meses después fue sustituido por Edward Liddy, dejando a la firma al borde de la bancarrota.

Desde que Willumstad asumió en la aseguradora, los activos de la compañía cayeron 94%, debido a la falta de liquidez por la reducción de las calificaciones de riesgo de la empresa.

Con la firma a la deriva y sin financiamiento, las autoridades federales norteamericanas aprobaron un salvataje por una cifra que durante la semana que pasó se elevó a 150 mil millones de dólares. Argumentaron que no era conveniente dejar caer a AIG, que ahora deberá vender activos para recaudar fondos y afrontar las deudas que tiene con el Estado. Por sólo tres meses de trabajo, en los que no logró reflotar las pérdidas y hundió más a la aseguradora, Willumstad se pudo haber llevado 22 millones de dólares, pero renunció a la indemnización para aliviar las tensiones con el Gobierno.

Angelo R. Mozilo – Countrywide

Otro ejecutivo de origen humilde que llegó a uno de los mejores puestos del mercado y perdió su estatus, según sus ex compañeros, por avaricia y mezquindad. Nació en 1938 en Nueva York, y llegó a Countrywide Financial Corp hace tres décadas. Miembro fundador de la compañía, logró convertirla en la mayor financiera hipotecaria de Estados Unidos por siete años. Durante su presidencia, la empresa otorgó préstamos por miles de millones de dólares a deudores que resultaron insolventes. Pese a sus errores, que llevaron a la caída de la financiera, Mozilo se quejaba de ganar “sólo” 50 millones de dólares al año. La firma solventaba gastos de un club de campo y dos clubes de golf de los que era miembro. Pero el ejecutivo se sintió maltratado cuando lo criticaron por hacer viajar a su esposa en el jet privado de la empresa. “No es justo ni sabio exigir que mi mujer use un vuelo comercial”, se indignó. En julio pasado, Countrywide perdió un 80% de su cotización en Bolsa y 704 millones de dólares, hasta que el Bank of America llegó para rescatarlo. Mozilo se llevó una indemnización de 56 millones de dólares.

Michael Perry - Indymac

El ejecutivo, de 43 años, fue CEO del banco desde que cumplió 30. La compañía tuvo pérdidas por 200 millones de dólares durante el tercer trimestre de 2007 y no pudo mantener sus activos por la falta de liquidez y las complicaciones para conseguir fondos solventes. Por las fallas en la previsión de su director, el Indymac Bank se transformó en el Indymac Federal Bank con la ayuda del Fondo de Garantía de Depósitos (FDIC en sus siglas en inglés), que se hizo cargo y gestiona el banco. En julio de este año la entidad estuvo por quebrar debido al retiro de 1.300 millones de dólares en diez días por parte de sus clientes. Para evitar el peor descenlace, anunció el despido del 50 por ciento de su personal y Perry aceptó una rebaja en su salario, pero ni ese gesto pudo salvarlo. Desde que la crisis fue imparable, los empleados de la entidad tuvieron la opción de quedarse o aceptar un retiro voluntario; sin embargo, Perry no contó con la posibilidad de elegir ya que lo echaron sin preguntarle. Aunque probablemente no lo afectó demasiado, ya que se llevó como indemnización 42 millones.

Previsões sobre mudanças climáticas são imprecisas


Um grupo de cientistas suíços e britânicos comparou estudos sobre as mudanças climáticas. Quase todos os pesquisados dão a culpa ao CO2, mas não há consenso quanto ao aumento exato da temperatura no futuro.

"Os trabalhos dos últimos dez anos fizeram muitas revelações fascinantes sobre nosso sistema climático, mas não fornecem qualquer certeza sobre o aquecimento máximo no longo prazo", conclui o estudo.

Para os líderes políticos e econômicos, a síntese publicada recentemente na versão eletrônica do Journal Nature Geoscience pode servir de orientação para os próximos passos.

Os professores Reto Knutti, do Instituto de Estudos da Atmosfera e do Clima da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), e Gabriele Hegerl, da Faculdade de Geociências de Edinburgh (Escócia) compararam modelos climáticos e resultados de pesquisas dos últimos cem anos.

A comparação mostra que a maioria dos cientistas prevê que a temperatura média global pode aumentar entre 2 °C e 4,5 °C, se a concentração de CO2 na atmosfera se duplicar, o que poderá acontecer até o final do século.

As previsões sobre o aumento máximo da temperatura, no entanto, são bem divergentes. Alguns estimam que a atmosfera terrestre possa sofrer um aquecimento de até 10 °C.

Ainda que esta probabilidade seja mínima, as conseqüências seriam catastróficas, diz Knutti à swissinfo. "Uma catástrofe é improvável, mas essa situação é interessante porque levanta a questão sobre como se deve lidar com um risco improvável, mas extremamente perigoso."

Segundo Knutti, "nós reprimimos essa questão no cotidiano, mas devemos estar preparados para um acontecimento desses. Afinal, também pagamos seguros para o caso improvável de que algo aconteça".

Sensitividade climática

Para prever mudanças num futuro remoto, a equipe examinou a assim chamada sensitividade climática, o efeito do CO2 sobre o sistema climático.

Segundo Knutti, as primeiras estimativas foram feitas há mais de 100 anos. Em antigos estudos sobre a constituição da molécula de CO2, os pesquisadores descobriram que ela tem influência sobre a incidência dos raios solares. Eles calcularam um aumento de temperatura de 5 °C.

Knutti e Hegerl constataram que a maioria dos 100 estudos por eles analisados foram realizados nos últimos 30 anos.

"Diferentes pessoas seguiram caminhos diversos para calcular a vulnerabilidade com que o clima reage a mudanças do teor do CO2. Nós fizemos um resumo disso", explica Kutti.

"O quadro que constatamos é bastante equilibrado e preciso. De fato, o que nós sabemos não promete coisa boa", adverte. O estudo sucede o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, que analisou principalmente a pesquisa sobre mudanças climáticas e aponta tendências.

Os atuais aumentos de temperatura de 0,2 °C por década devem continuar nos próximos 20 anos. Deverá chover mais no inverno em regiões de altas latitudes e menos nas regiões subtropicais.

Oscilações extremas da meteorologia, com ondas de calor, períodos de seca e enchente devem se tornar mais freqüentes. O nível do mar aumentará até 3 mm por ano, o gelo antártico e a neve eterna continuarão derretendo.

"O que acontecerá no curto prazo é relativamente bem conhecido. A evolução no longo prazo é mais incerta. Nem daqui a dez anos teremos certeza sobre isso", dizem os autores.

Não há desculpa

A equipe concluiu que suas descobertas oferecem uma base objetiva para discussões e para a definição dos rumos de políticas governamentais para o meio-ambiente.

"O que devemos fazer? Como devemos tomar decisões na política ambiental? Penso que essa é a parte mais interessante do estudo", diz Knutti.

Ele ressaltou que a comunidade internacional precisa tomar medidas urgentes e não esperar durante anos até que os pesquisadores cheguem a um consenso sobre os efeitos das mudanças climáticas.

"O CO2 tem vida longa. Uma vez presente na atmosfera, ele permanece por muito tempo. Se quisermos aprovar a redução do CO2 a um determinado nível, devemos fazê-lo rapidamente", diz.

"Precisamos atingir uma redução de 80% do CO2 até o final do século. Se não conseguirmos isso, um aquecimento de aproximadamente 2 °C será inevitável. A incerteza não deve servir de descupa para não tomar uma decisão. "

swissinfo, Jessica Dacey