terça-feira, 29 de julho de 2008

Negociações na OMC 'fracassaram', dizem fontes diplomáticas


Márcia Bizzotto
Enviada especial da BBC Brasil a Genebra

As negociações para tentar chegar a um acordo de liberalização do comércio mundial no âmbito da Rodada Doha teriam fracassado nesta terça-feira, de acordo com informações de fontes diplomáticas.

O porta-voz de Peter Mandelson, comissário de comércio da União Européia, confirmou que “não haverá mais negociações hoje (terça-feira) ou esta semana”.

“Precisamos ver aonde vamos agora”, disse o porta-voz, Peter Power.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia pedido, ainda nesta terça-feira, que os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) parassem de trocar acusações e assumissem os riscos em nome de um acordo final para a Rodada Doha.

A reunião em Genebra era considerada decisiva para a Rodada, que foi lançada há sete anos com o objetivo de diminuir os entraves ao comércio internacional, mas foi paralisada devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres.

Salvaguarda

Os países em desenvolvimento querem maior abertura no setor agrícola das nações desenvolvidas, incluindo a redução ou o fim de subsídios. O bloco dos países desenvolvidos pressiona por maior abertura nos setores de indústria e serviços.

A maior ameaça às negociações era até esta terça-feira a falta de consenso sobre um mecanismo de salvaguarda que permitiria aos países em desenvolvimento subir tarifas aduaneiras para se proteger de um surto de importações que possa prejudicar sua segurança alimentar.

Os Estados Unidos diziam que a China e a Índia estavam sendo exageradamente protecionistas em relação aos seus agricultores e não estavam abrindo os seus mercados à competição estrangeira. A Índia acusava os Estados Unidos de se defender apenas as melhoras no seu comércio à custa dos outros; a China, por sua vez, alegava que Washington queria um preço tão alto quanto o céu.

Durante as negociações, o Brasil chegou a aceitar a proposta apresentada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, que foi rejeitada por alguns dos seus principais aliados no G-20, como Índia e Argentina.

Polícia Federal trocará espetáculo por eficácia, diz Tarso Genro


Valor Online

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, avalia que a Polícia Federal está passando por uma fase de transição em que passará a ser menos midiática, mais discreta e mais efetiva. A instituição viveu um período de consagração no combate à corrupção, tendo feito uma sucessão de prisões amplamente divulgadas pela mídia. Agora, a meta é garantir que as provas obtidas nas operações sejam levadas de forma consistente para o Judiciário, de modo a resultar em punições efetivas às pessoas que cometem crimes de corrupção.

Genro é contrário aos vazamentos de trechos das investigações, o que leva, segundo ele, à politização do trabalho da PF e prejudica o foco da apuração. É o que aconteceu na Operação Satiagraha: a imprensa deu mais atenção às gravações telefônicas do que às acusações de evasão de divisas contra o grupo Opportunity.

Ninguém pode ser fonte privilegiada da imprensa na PF, pois isso cria desequilíbrios internos na corporação , advertiu Genro.

O objetivo, agora, é retomar o perfil técnico das investigações, focando-se na apuração de crimes e deixando, assim, o plano político de lado. O Ministério da Justiça lida com assuntos de Estado, e para cumprirmos bem o nosso papel temos que retirar as questões políticas , enfatizou.

Na visão do ministro, é preciso ser vencida a fase das prisões espetaculares que, num primeiro momento, deram a visão de ação no combate à corrupção, com a divulgação de cenas com pessoas algemadas e ações de busca e apreensão de computadores e documentos. O problema é que, numa segunda etapa, o que é exigido pelo Judiciário são provas mais consistentes, capazes de levar a uma condenação dos presos. É neste contexto que Genro acredita que a PF tem que mudar sua forma de agir. Para que isso ocorra, o manual de ações internas precisa ser cumprido, pois dele consta evitar abusos nas prisões, e recomenda manter o uso de algemas apenas nos casos em que são necessárias para a segurança do preso. Não é que a visão do passado estivesse errada , disse Genro, referindo-se ao período de divulgação das prisões. Essa visão foi importante num determinado momento, mas precisamos passar adiante.

Tarso Genro avalia que a atuação da PF enquanto instituição de Estado - e não de governo - teve como marco inicial o inquérito contra o esquema de Paulo César Farias, durante o governo do presidente Fernando Collor, em 1992. Foi a primeira vez em que a PF passou a investigar diretamente o presidente da República e, ao fazê-lo, a instituição se desprendeu do poder político.

A investigação foi conduzida pelo atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Lacerda, e ex-diretor-geral da PF entre 2003 e 2007. Lacerda iniciou as investigações a partir da publicação de entrevista do irmão do presidente, Pedro Collor, que revelou a participação de Paulo César Farias nos negócios da família. A primeira coisa que Lacerda fez foi sair do esquema tradicional de investigação, resumido num delegado tomando depoimentos e um escrivão anotando. Ele constituiu um grupo de mais de 50 pessoas na PF para apurar as ramificações do esquema PC na Esplanada dos Ministérios. A PF obteve detalhes de vários repasses em dinheiro a partir de um computador apreendido pela Receita no escritório do empresário. Havia planilhas com obras dos ministérios e percentuais a serem pagos. Mas, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as provas obtidas no computador devido à falta de autorização judicial e Collor foi absolvido. Ao todo, eram mais de mil volumes de investigações.

Do esquema PC surgiram 123 inquéritos, dos quais muitos ainda tramitam na Justiça. Lacerda realizou uma investigação técnica rigorosa num ambiente político tenso , ressaltou Genro. Foi a partir daquela investigação que a PF passou a atender mais ao Estado do que ao governo.

Após o esquema PC, o Congresso aprovou uma série de leis instituindo novos mecanismos de investigação: Lei dos Crimes de Colarinho Branco (em 1995), Lei de Escutas Telefônicas (1996), Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro (1998). O Congresso permitiu ainda a realização de ações controladas - quando o juiz autoriza que a polícia, após saber de um crime, continue monitorando a quadrilha e, inclusive, induza a subornos.

Um novo momento de afirmação da PF se deu, a partir de 2003, com a organização das mega-operações, que duram até hoje. A principal novidade neste período foi o uso da prisão temporária, uma das maiores críticas que a corporação enfrenta no momento.

Realizada com autorização judicial, a prisão temporária permite reter os suspeitos por até cinco dias. É essencial para a PF, pois, sem ter a certeza do que está sendo acusado, e sem a assessoria imediata de advogados, o preso acaba sendo induzido a revelar mais detalhes sobre a quadrilha criminosa no seu depoimento inicial.

A partir de 2003, segundo análise de especialistas na atuação da polícia, é que se passou a fazer, no Brasil, a prisão temporária para os crimes financeiros e de envio de dinheiro de forma irregular para o exterior. O objetivo da PF passou a ser a desarticulação imediata do esquema criminoso, através de prisões simultâneas em vários estados. O uso deste tipo de prisão foi amplamente difundido durante as principais operações do período, como Anaconda (2003), Curupira (2005), Sanguessuga (2006) e Navalha (2007).

Agora, os momentos são outros. A análise de setores do governo é de que, se os relatórios das investigações não forem suficientes para produzir provas robustas e condenatórias, dar-se-á um passo atrás na percepção de combate à impunidade. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Vinicio Wink, disse que a PF não precisa de marketing. Não queremos delegados que querem aparecer na mídia como salvadores da pátria. Fez concurso para a polícia, aja como policial , assinalou Wink.

Para o presidente da Comissão de Prerrogativas da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio de Sousa Ribeiro, os delegados que se apoiavam na mídia durante o primeiro mandato de Lula não agiam assim por atração pelos holofotes, mas por uma questão de sobrevivência. Como as equipes são pequenas e passamos a nos defrontar com organizações criminosas complexas, a publicidade aumentava a sensação de segurança dos condutores do inquérito , disse.

Leôncio reconheceu que muitos inquéritos podem não redundar em condenações. Menos por despreparo intelectual dos delegados e mais por conta do complexo sistema processual penal brasileiro. Existe uma interposição infinita de recursos para a defesa. Em muitos casos, o crime chega a prescrever e o suspeito se livra de qualquer possibilidade de condenação .

(Paulo de Tarso Lyra e Juliano Basile | Valor Econômico)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Masivo rechazo a la privatización en México

VIVA ZAPATA:

Más del 80% votó en contra de la reforma energética en el referéndum no vinculante. El proyecto es impulsado por el presidente Calderón.

El proyecto de reforma energética impulsado por el presidente de Méxicom, Felipe Calderón, recibió un masivo rechazo de parte de la población azteca.

Ante la consulta realizada para saber si los habitantes del DF y otros nueve estados estaban de acuerdo con la privatización de empresas estatales dedicadas a la explotación de hidrocarburos, más del 80 por ciento votó por el no.

El breve cuestionario contenía dos preguntas. La primera era: “Actualmente la explotación, transporte, distribución, almacenamiento y refinación de los hidrocarburos son actividades exclusivas del gobierno. ¿Está usted de acuerdo o no está de acuerdo que en esas actividades puedan participar empresas privadas?”. Según el diario La Reforma, el 84,7 por ciento optó por el no.

La segunda señalaba: “En general, ¿está usted de acuerdo o no está de acuerdo con que se aprueben las iniciativas relativas a la reforma energética que se debaten actualmente en el Congreso de la Unión?". El voto negativo ascendió al 82,9 por ciento según la misma fuente.

La consulta ciudadana fue promovida por el izquierdista Partido de la Revolución Democrática (PRD). Y según los cálculos, al menos 870 mil personas participaron de la misma. Una cifra que se ubica cerca del doble del promedio histórico logrado en la capital de México en este tipo de plebiscito.

Aunque legalmente la consulta carece de validez, la izquierda mexicana pretende demostrar con los resultados el rechazo de la opinión pública a la iniciativa de reforma energética que Calderón envió al Congreso en abril de este año.

Há um casarão no caminho da tucana Yeda Crusius


Josias de Souza

Se lhe fosse dado observar o vaivém da governadora do Rio Grande do Sul, Carlos Drummond de Andrade decerto definiria o novo drama de Yeda Crusius assim:

No meio do caminho de Yeda tem uma casa
Tem uma casa no meio do caminho de Yeda
Casa vistosa. Grande. Elegante. Confortável.

Comprada por Yeda depois de seu triunfo nas urnas, no final de 2006, e antes de sua posse, no alvorecer de 2007.

O valor declarado da operação é R$ 750 mil. É nesse ponto que a casa ganha a forma de uma pedra no caminho de Yeda.

Juntando tudo o que a governadora informara à Justiça Eleitoral que possuía antes da eleição, chega-se a um patrimônio inferior ao valor da casa.

Como se fosse pouco, o repórter Diego Escosteguy trouxe à luz uma novidade que acomoda ao redor da casa de Yeda, já envolta numa bruma de assombro, uma dose extra de mistério.

A novidade foi às páginas da última Veja. Está expressa num documento.

“Instrumento particular de promessa de compra e venda de imóvel”, anota o cabeçalho (veja cópia abaixo).

Refere-se ao mesmo imóvel adquirido por Yeda. Revela algo que se passara quatro meses antes do fechamento da transação.

O proprietário do casarão, Eduardo Laranja (que nome!), negociava a casa por R$ 1 milhão. Nada demais, não fosse por um detalhe:

Laranja (!?!?!) encontrara um comprador. Chama-se José Luís Borsatto. Daí o compromisso de “compra e venda”.

Ouvido, José Luís, o ex-futuro comprador, disse:

"Quando consegui todo o dinheiro, o corretor me disse que tinha vendido o imóvel à governadora." Por quanto? "Foi R$ 1 milhão.”

Com o novo documento em mãos, o advogado do PSOL, Pedro Ruas, planeja entregá-lo ao Ministério Público. Que já investiga a encrenca.

Por que caiu tanto o valor do imóvel no instante em que a governadora resolveu adquiri-lo?

Há muitas explicações possíveis: da lavratura de uma escritura ilegal à generosidade do vendedor.

Antes de responder à nova pergunta, Yeda ainda precisa dar conta da questão original:

De onde veio o dinheiro que bancou a compra de sua casa?

A governadora saiu-se, até aqui, com duas tentativas de explicação:

1. Dissera, lá atrás, que arrumara dinheiro vendendo um carro e dois apartamentos.

Verificou-se que um dos imóveis jamais saíra do nome da governadora. Nem podia. Está retido por um bloqueio judicial.

2. Dias atrás, Yeda encaminhou ao Ministério Público dados mais pormenorizados.

Diz-se, porém, que, na ponta do lápis, há ainda um buraco de cerca de R$ 200 mil nas contas.

Não resta senão voltar a Drummond:

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma casa
tinha uma casa no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma casa.

sábado, 26 de julho de 2008

MILES DAVIS

Estafas del modelo privatizador


Por Pino Solanas, Crítica Digital

La iniciativa del Gobierno de estatizar Aerolíneas Argentinas plantea serios interrogantes a la vez que confirma el rotundo fracaso del modelo privatizador de los transportes públicos. Siguiendo los anuncios gubernamentales y con una negociación en manos del secretario de Transporte, hay que preocuparse: Ricardo Jaime estuvo ligado al escándalo de Southern Winds y al de LAFSA.

El Estado paga los salarios del personal sin haberla dotado de un solo avión. Ahora el Gobierno debe explicar a la ciudadanía cómo fue posible que aceptara los balances fraudulentos presentados por Marsans en estos años y que fueron antes cuestionados porque ocultaban el quebranto. Se pretende retomar Aerolíneas con su flota y oficinas internacionales vendidas, los talleres vaciados y un pasivo de u$s900 millones.

Lo más probable es que sea otro capítulo del viejo culebrón "El Estado Rebobo", que cuenta cómo se lo roba y vuelve a hacerse cargo de las deudas que deja el agradecido concesionario privado. ¿Qué enseñanzas deja el vaciamiento y privatización de nuestra línea aérea de bandera? ¿Qué medidas deberían tomarse para evitar otra defraudación? ¿Debemos retomar Aerolíneas o crear una nueva empresa –esta vez pública– retomando sus rutas y excelente personal?

LA PRIVATIZACIÓN. Aerolíneas Argentinas fue creada en 1950 por el gobierno de Perón y llegó a ser líder de las compañías del hemisferio sur. Daba beneficios y era considerada de las más seguras del mundo. Al comienzo de los años 90 fue valuada en algo más de u$s600 millones, muy por debajo de su valor real. La tasación del Boeing 707 –que estaba volando– fue de un dólar, lo que motivó el pedido de la Fuerza Aérea para que se lo cedieran, y aún sigue operando. Contaba con una flota de 28 aviones propios y uno alquilado, con rutas internacionales y el monopolio de las de cabotaje.

Al momento de la licitación, el único interesado fue Iberia, que ofertó u$s260 millones en efectivo por el 85% de las acciones, más otros u$s560 millones en títulos de la deuda argentina, que cotizaban en el mercado al 20% de su valor nominal, pero se los tomaba al 100% para comprar empresas del Estado. Eran los tiempos alegres del Plan Brady-Cavallo.

La privatización de Aerolíneas se consumó con abusos jurídicos y económicos inaceptables. Para comprarla, Iberia hipotecó la flota de aviones de nuestra compañía y la Corte Suprema inventó la oscura teoría del per saltum para sacarle la causa al juez natural Garzón Funes.

Allí no terminó la cosa: los talleres de Aerolíneas, que contaban con 3 simuladores de navegación e innumerables repuestos, fueron vaciados y transferidos a Madrid; se levantaron rutas internacionales y nacionales mientras los aviones y las oficinas en París, Nueva York y otras capitales se vendieron.

Para evitar la quiebra, en 2001 el gobierno español extendió un crédito de €800 millones al grupo Marsans destinado a pagar las deudas de Aerolíneas y comprarla. El nuevo operador las pagó en parte y el resto del dinero fue desviado hacia otros fines. Como su hermana venezolana Viasa –también comprada por Iberia– Aerolíneas terminó vaciada y quebrada.

CRISIS Y COLAPSO DEL TRANSPORTE. Las concesiones ferroviarias que se arrastran desde Menem constituyen una estafa a la sociedad. El modelo kirchnerista de patria subsidiada alcanza en ellas su máxima expresión: el Estado paga los salarios de los trabajadores y todas las roturas y reposiciones de material. Los concesionarios realizan las reparaciones de rodados y estaciones, facturando varias veces por encima del valor real. Las denuncias de sobreprecios efectuadas en estos años fueron desoídas por el Gobierno y la Justicia. En los 37 talleres fábrica se robaron miles de repuestos nuevos, máquinas y herramientas dejados en custodia. El saqueo fue total y no se conocen acciones penales.

En cuanto a la calidad del servicio, se suprimieron los trenes a las provincias y las cargas pasaron a las carreteras, que terminaron colapsadas, multiplicando los muertos y heridos; nunca los pasajeros fueron tan maltratados ni los aviones tuvieron tan poco mantenimiento técnico.

En síntesis, los ferrocarriles se privatizaron porque perdían u$s1 millón por día. Hoy cuestan u$s3 millones diarios y sólo queda el 20% de los ferrocarriles que teníamos. Los transportes y las comunicaciones son asuntos estratégicos que exigen un gran debate y la convocatoria a universidades y organizaciones sociales y políticas para estudiar un nuevo modelo de gestión de los servicios públicos.

¿OTRA FALSA "ARGENTINIZACIÓN"? Ahora el Gobierno sale en salvataje del concesionario español que deja la empresa con una deuda que ronda u$s900 millones, un solo avión propio y 43 alquilados, pero la mitad no vuela por averías.

¿Por qué el Estado argentino, siendo acreedor de Aerolíneas, tiene que hacerse cargo del quebranto? ¿No pasó lo mismo con la vieja privatización de Austral, quebrada por el grupo Pescarmona? ¿Otra vez pagaremos deudas para volver a entregar la empresa al capital privado o a López Mena, dueño de Buquebús o será otra falsa "argentinización" como la de YPF-Repsol con el banquero Ezquenazi? ¿Se exigirá una auditoría de inventario de los bienes entregados? ¿Cómo y quiénes tasarán la fundida compañía cuyo activo son las rutas y el personal?

Frente a las alternativas que abre el traspaso de Aerolíneas al Estado, recordemos que los servicios públicos como las escuelas y los hospitales no tienen como objetivo dar ganancia sino un servicio social a la comunidad. Los transportes y las comunicaciones son asuntos estratégicos que exigen un gran debate y convocar a las universidades y organizaciones sociales y políticas para estudiar un nuevo modelo de gestión pública.

ALTERNATIVAS AL MODELO. ¿Cuál es la alternativa a la vieja empresa estatal bajo control del partido gobernante o a la compañía privada que busca beneficios rápidos a cualquier precio? ¿Con lo que se piensa gastar: no es hora de partir hacia un nuevo modelo de empresa pública donde los usuarios y trabajadores participen en su control?

El debate postergado entre lo público y privado sigue ocultando falsos mitos como que el Estado es mal administrador. Las instituciones no son responsables de sus conducciones como no lo es el automóvil ante su víctima. Las privatizaciones demostraron lo contrario de lo que anunciaban: fueron y siguen siendo un pésimo negocio y un robo a la Nación.

El Gobierno nacional no tiene el proyecto de reconstruir la aeronavegación. Las rutas de cabotaje comenzaron a cederse a compañías extranjeras cuando el Estado –además de Austral– cuenta con dos empresas que esperan se las dote de equipos: LAFSA, con personal y sin aviones, y LADE, con una vieja flota donde vuelan pocos aviones.

¿No sería más sensato que en base a ellas y al personal y rutas de Aerolíneas se invierta en una nueva compañía lo que se piensa pagar por las deudas de Marsans? La Comisión Bicameral de Seguimiento de las Privatizaciones, hasta hoy fue cómplice del despojo. Es de esperar que esta vez el Congreso impulse un gran debate sobre el futuro de la aerolínea de bandera y la reconstrucción del sistema integral de transporte.

* Referente de Proyecto Sur.

Rússia critica Bush por equiparar males nazistas ao soviéticos


Por Tanya Mosolova

MOSCOU (Reuters) - A Rússia disse neste sábado que o presidente norte-americano, George W. Bush, insultou os veteranos da Segunda Guerra Mundial ao equiparar os males do comunismo soviético com os do fascismo nazista.

O Ministério das Relações Exteriores disse que Bush colocou o fascismo nazista e o comunismo soviético como "um único mal", "machucando o coração" dos veteranos da Segunda Guerra Mundial na Rússia e nos países aliados, incluindo os Estados Unidos.

"Embora condenemos o abuso de poder e a dureza injustificada das políticas internas do regime soviético, nós não podemos ser indiferente às tentativas de equiparar o comunismo ao nazismo, nem concordamos que eles foram inspirados nas mesmas idéias e objetivos", afirmou o ministério em comunicado para marcar a Semana das Nações Cativas, um evento anual.

Bush assinou um manifesto publicado em 18 de julho no qual ele pediu que a população norte-americana reafirmasse seu comprometimento com o avanço da democracia e com a defesa da liberdade em todo o mundo.

"No século 20, os males do comunismo soviético e do fascismo nazista foram derrotados e a liberdade se disseminou pelo mundo, com novas democracias surgindo", dizia o manifesto, segundo cópia publicada no website da Casa Branca, www.whitehouse.gov.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que os comentários de Bush eram parte de uma tentativa de reescrever a história nos Estados Unidos. "Tais avaliações simplesmente alimentam os esforços daqueles que, por motivos políticos e egoístas, estão tentando falsificar os fatos e reescrever a história", disse o ministério.

A Rússia é extremamente sensível ao que o Kremlin considera reescrever a história sobre o papel da União Soviética na Segunda Guerra Mundial, que os russos chamam de Grande Guerra Patriótica.

Os russos vêem a vitória sobre a Alemanha como um momento decisivo na sua história e são imensamente orgulhosos pelo Exército Vermelho ter expulsado as forças alemãs do Leste Europeu. A guerra custou a vida de 20 milhões de soviéticos.

Mas muitas pessoas no Leste Europeu associam a chegada dos soldados do Exército Vermelho ao início do regime soviético, durante o qual milhares de pessoas foram presas e mandadas para campos de trabalhos forçados e seus governos eram dirigidos por Moscou.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

La banca internacional suspende el examen de confianza del G-8


El sector financiero fracasa ante el ultimátum de 100 días para restablecer la transparencia del sistema - Las entidades presentan pérdidas con cuentagotas

CLAUDI PÉREZ / SANDRO POZZI - Madrid / Nueva York - 23/07/2008

Los fracasos del G-8 han dejado de sorprender al mundo. El grupo que reúne a los siete países que un día fueron los más industrializados más Rusia sucumbió hace un par de semanas en la búsqueda de una respuesta rotunda ante la crisis alimentaria. Lo único destacable de la cumbre de Tokio fue una fastuosa cena con un menú de una veintena de platos.

Pero hay descalabros aún más clamorosos. Hace ya 100 días, el G-8 se reunió en Washington en plena tromba por la crisis financiera. Y disparó contra la banca, el epicentro de los problemas. Lanzó un ultimátum: un plazo de un centenar de días para que los bancos revelaran en sus resultados la profundidad del agujero, que entonces sembraba dudas sobre la transparencia y la confianza del sistema. Cumplido ese plazo, el resultado es un sonoro suspenso. La confianza y la transparencia siguen igual: por los suelos.

En los últimos 100 días, los bancos tenían que revelar rápida y completamente su exposición al riesgo, las depreciaciones de activos y sus estimaciones de pérdidas. Eso no ha sucedido, o sólo parcialmente. La prueba es que los propios bancos siguen sin fiarse de sí mismos y el mercado interbancario prácticamente no existe, está seco. "Por un lado, algunas entidades se han resistido a reconocer algunas cosas; por otro, la crisis es un círculo vicioso que va contaminando activos que parecían sanos, y, aunque la banca amplíe capital, el agujero sigue ampliándose", indica Guillermo de la Dehesa, presidente del Centre for Economic Policy Research.

Pese a los buenos deseos, el sector aún parece un campo de minas. El responsable de mercados monetarios del Fondo Monetario Internacional (FMI), el español Jaime Caruana, aseguró hace unos días en Bruselas que las turbulencias continuarán todavía "unos meses", porque la situación de la banca sigue siendo "frágil". "Puede haber nuevas sorpresas", dijo en relación con posibles quiebras tras el último caso, el de la estadounidense IndyMac. El Fondo pronosticó en abril, un día antes de que el G-8 diera su ultimátum a la banca, que las pérdidas totales ascenderían a unos 630.000 millones de euros. Apenas ha aflorado todavía una parte de esa cifra (ver cuadro).

El punto álgido de la crisis fue el rescate de Bear Stearns, un gran banco de inversión norteamericano. "Lo peor ha pasado ya", coincidieron en marzo gurús y banqueros centrales tras esa operación. Pero, como en los terremotos, en las dos últimas semanas, la crisis ha dejado una segunda réplica, con bancarrotas en EE UU y Europa que han obligado a intervenir al sector público, y han puesto al sector financiero de nuevo encima del alambre.

Wall Street no suele dejarse impresionar por una fecha guillotina como la del G-8. Y menos en la situación de incertidumbre por la que atraviesa el sector financiero, desde la banca de inversión y comercial hasta las entidades hipotecarias y aseguradoras. La semana pasada, los primeros resultados de la gran banca dieron aire al optimismo -a pesar de ser negativos-, pero la preocupación está en la banca regional estadounidense. Y ayer mismo, en una jornada bursátil tremendamente convulsa, Wachovia anunció unas pérdidas récord de 5.800 millones de euros, una prueba más de que las turbulencias están lejos de amainar.

Los analistas coinciden. Mientras el mercado de la vivienda siga cayendo, será difícil saber cuál es el impacto de la crisis en los bancos. El problema se está extendiendo a otros créditos, más allá de las hipotecas. No sólo seguirán anunciando provisiones y pérdidas, sino que se teme que los bancos empiecen a eliminar plantilla y a recortar dividendo y vendiendo activos para dotarse de capital. Ayer mismo, Wachovia anunció un recorte del 87% del dividendo.

"No creemos que se hayan eliminado aún los puntos negros", opina la firma de inversión norteamericana Hodges Capital. La patronal bancaria española no es menos rotunda. "Los mercados no han recuperado la confianza y la fluidez que sería deseable", indican fuentes de la AEB. Como consecuencia de la falta de transparencia, las tensiones en los mercados monetarios, han vuelto a recrudecerse y su normalización se retrasa "cada vez más", señalan.

Promesas

Cumplido ya el ultimátum, la única respuesta de la banca llega en forma de promesas: "Es esencial para la industria reformarse para que inversores y mercados recuperen la confianza perdida", explicó Josef Ackermann -responsable Deutsche Bank y presidente del Instituto de Finanzas Internacionales (IIF), una suerte de lobby que reúne a los grandes bancos mundiales- la pasada semana, en la presentación de un informe de 200 páginas que propone mejoras en la gestión de riesgos, las políticas salariales de los profesionales del sector y la valoración de activos. Es decir, todo lo que ha fallado en esta crisis por la paulatina desregulación de los últimos años.

Los expertos tampoco son optimistas. De la Dehesa destaca el "gran esfuerzo de ajuste" de la gran banca internacional. "Hay una reacción en cadena, nuevas oleadas de activos contaminados que han ido agrandando el agujero. Pero no puede quedar mucho, porque nadie compra ya los activos dañados. Como máximo, puede caer algún banco estatal o regional en Estados Unidos", asegura. "Ha habido un problema grave de transparencia, pero los bancos centrales y los reguladores están haciendo bien su trabajo", resume. Más que nuevos agujeros, puede haber problemas en la concesión de créditos: "El problema de la duración de las turbulencias puede ser un credit crunch, una reducción del crédito a los consumidores y empresas -aunque de momento esa posibilidad se está capeando en Europa, con crecimientos del 10% en el crédito- o un encarecimiento de los préstamos, con el que la banca traslade los problemas que tiene para financiarse".

Sobre a rodada de negociações da OMC


As negociações na OMC converteram-se num combate dos países desenvolvidos para abrir o mercado dos países em desenvolvimento a favor das suas grandes empresas. No século XXI, uma "Rodada para o Desenvolvimento" já não pode ser de "livre comércio", mas sim tem que promover um comércio que contribua para o equilíbrio entre os países, as regiões e com a natureza. A análise é do presidente da Bolívia, Evo Morales.

Evo Morales

"O comércio internacional pode desempenhar uma função importante na promoção do desenvolvimento econômico e no combate à pobreza. Reconhecemos a necessidade de que todos os povos se beneficiem do aumento das oportunidades e dos avanços do bem-estar que o sistema multilateral de comércio gera. Os membros da OMC são majoritariamente países em desenvolvimento. Pretendemos pôr as suas necessidades e interesses no centro do Programa de Trabalho adoptado na presente declaração".

Declaração Ministerial de Doha da Organização Mundial do Comércio, 14 de Novembro de 2001


A rodada de negociações de Doha da OMC começou há sete anos com estas palavras. O desenvolvimento econômico, o combate à pobreza, as necessidades de todos os nossos povos, o aumento de oportunidades para os países em desenvolvimento estão realmente no centro das atuais negociações da OMC?

A primeira coisa que devo dizer é que se fosse assim os 153 países membros, e sobretudo a ampla maioria de países em desenvolvimento, deveriam ser os atores principais das negociações da OMC. Mas o que estamos vendo é que um punhado de 35 países é convidado pelo Diretor Geral para reuniões informais para avançarem substancialmente na negociação e prepararem os acordos desta "Rodada do Desenvolvimento" da OMC.

As negociações na OMC converteram-se num combate dos países desenvolvidos para abrir o mercado dos países em desenvolvimento a favor das suas grandes empresas.

Os subsídios agrícolas do Norte, que vão principal para as companhias agro-alimentares dos Estados Unidos e da Europa, não só continuarão como aumentarão como demonstra a "Farm Bill 2008" [1] dos Estados Unidos. Os países em desenvolvimento baixarão as taxas aduaneiras dos seus produtos agrícolas, enquanto os subsídios reais [2] aplicados pelos Estados Unidos ou pela União Européia aos seus produtos agrícolas não diminuirão.

A nível dos produtos industriais procura-se nas negociações da OMC que os países em desenvolvimento façam cortes nas taxas aduaneiras de 40% a 60% enquanto os países desenvolvidos diminuirão as suas taxas aduaneiras entre 25% e 33% em média.

Para países como a Bolívia a erosão das preferências aduaneiras pela diminuição generalizada das taxas terá efeitos negativos na competitividade das nossas exportações.

O reconhecimento das assimetrias e o tratamento especial e diferenciado, real e efetivo, a favor dos países em desenvolvimento é limitado e obstaculizado na sua implementação pelos países desenvolvidos.

Nas negociações faz-se pressão para que novos setores de serviços sejam liberalizados pelos países, quando o que deveria ser feito era excluir definitivamente os serviços básicos de educação, saúde, água, energia e telecomunicações do texto do Acordo Geral de Comércio de Serviços da OMC. Estes serviços são direitos humanos que não devem ser objeto de negócio privado e de regras de liberalização que levam à privatização.

A desregulamentação e a privatização dos serviços financeiros, entre outros, são a causa da atual crise financeira mundial. Maior liberalização dos serviços não trará maior desenvolvimento, mas sim maiores possibilidades de crise e especulação em questões vitais como os alimentos.

O regime de propriedade intelectual estabelecido pela OMC beneficiou sobretudo as transnacionais que monopolizam as patentes, encarecendo o preço dos medicamentos e de outros produtos essenciais, incentivando a privatização e a mercantilização da própria vida, como provam várias patentes sobre plantas, animais e até genes humanos.

Os países mais pobres serão os principais perdedores. As projeções econômicas de um potencial acordo da OMC, mesmo as do Banco Mundial[3], indicam que os custos acumulados pela perda de empregos, pelas restrições à definição de políticas nacionais e pela perda de receitas aduaneiras serão maiores que os "benefícios" da "Rodada para o Desenvolvimento".

Passados sete anos, a rodada da OMC está ancorada no passado e desatualizada dos fenômenos mais importantes que estamos vivendo: a crise alimentar, a crise energética, as alterações climáticas e a eliminação da diversidade cultural. Os países ricos estão vendendo a idéia de que é necessário um acordo para resolver uma agenda mundial e este acordo não representa essa realidade. As suas bases não são as adequadas para assentar essa nova agenda mundial.

Estudos da FAO assinalam que com as atuais forças de produção agrícola é possível alimentar 12 bilhões de seres humanos, isto é, quase o dobro da atual população mundial. No entanto, há uma crise alimentar porque não se produz para o bem-estar humano, mas sim em função do mercado, da especulação e rentabilidade das grandes produtoras e comercializadoras de alimentos. Para enfrentar a crise alimentar é necessário fortalecer a agricultura familiar, camponesa e comunitária. Os nossos países em desenvolvimento têm de recuperar o direito de regular [4] as nossas importações e exportações para garantir a alimentação da nossa população.

Temos que acabar com o consumismo, o esbanjamento e o luxo. Na parte mais pobre do planeta morrem milhões de seres humanos de fome em cada ano. Na parte mais rica do planeta gastam-se milhões de dólares para combater a obesidade. Consumimos em excesso, esbanjamos os recursos naturais e produzimos lixo que contamina a Mãe Terra.

Os países devem dar prioridade ao consumo do que produzimos localmente. Um produto que percorre metade do mundo para chegar ao seu destino pode ser mais barato do que outro, que se produz nacionalmente, mas se tomarmos em conta os custos ambientais do transporte dessa mercadoria, o consumo de energia e a quantidade emissões de carbono que gera, então podemos chegar à conclusão de que é mais são para o planeta e para a humanidade dar prioridade ao consumo do que se produz localmente.

O comércio externo deve ser um complemento da produção local. De forma nenhuma podemos privilegiar o mercado externo à custa da produção nacional.

O capitalismo quer uniformizar-nos a todos para nos transformarmos em simples consumidores. Para o Norte há um só modelo de desenvolvimento, o deles. Os modelos únicos a nível econômico vêm acompanhados de processos de aculturação generalizada para nos impor uma só cultura, uma só moda, uma só forma de pensar e ver as coisas. Destruir uma cultura, atentar contra a identidade de um povo, é o mais grave dano que se pode fazer à humanidade.

O respeito e a complementaridade pacífica e harmônica das diversas culturas e economias é essencial para salvar o planeta, a humanidade e a vida.

Para que esta seja uma rodada de negociações efetivamente do desenvolvimento e ancorada no presente e no futuro da humanidade e do planeta deveria:

- Garantir a participação dos países em desenvolvimento em todas as reuniões da OMC pondo fim às reuniões exclusivistas da "sala verde" [5].

- Implementar verdadeiras negociações assimétricas a favor dos países em desenvolvimento nas quais os países desenvolvidos outorguem efetivas concessões.

- Respeitar os interesses dos países em desenvolvimento, não limitando a sua capacidade de definição e implementação de políticas nacionais a nível agrícola, industrial e de serviços.

- Reduzir efetivamente as medidas protecionistas e os subsídios dos países desenvolvidos. [6]

- Assegurar o direito dos países em desenvolvimento protegerem, pelo tempo que for necessário, as suas indústrias nascentes, da mesma forma que o fizeram no passado os países industrializados.

- Garantir o direito dos países em desenvolvimento regularem e definirem as suas políticas em matéria de serviços, excluindo expressamente os serviços básicos do Acordo Geral de Comércio de Serviços da OMC.

- Limitar os monopólios das grandes empresas sobre a propriedade intelectual, promover a transferência de tecnologia e proibir o patenteamento de qualquer forma de vida.

- Garantir a soberania alimentar dos países, eliminando qualquer limitação à capacidade dos Estados para regular as exportações e importações de alimentos.

- Assumir medidas que contribuam para limitar o consumismo, o esbanjamento de recursos naturais, a eliminação de gases de efeito de estufa e a produção de lixo que prejudica a Mãe Terra.

No século XXI, uma "Rodada para o desenvolvimento" já não pode ser de "livre comércio", mas sim tem que promover um comércio que contribua para o equilíbrio entre os países, as regiões e com natureza, estabelecendo indicadores que permitam avaliar e corrigir as regras de comércio em função do desenvolvimento sustentável.

Os governos têm uma enorme responsabilidade para com os seus povos. Acordos como os da OMC têm que ser amplamente conhecidos e debatidos por todos os cidadãos e não somente por ministros, empresários e "peritos". Os povos do mundo têm que deixar de ser vítimas passivas destas negociações e converter-se em protagonistas do nosso presente e futuro.

Evo Morales Ayma
Presidente da Bolívia

[1] A "Farm Bill 2008" foi aprovada em 22 de Maio pelo Congresso dos Estados Unidos. Autoriza que se realizem gastos que incluem subsídios à agricultura até 307 bilhões de dólares em 5 anos.

[2] O texto atual sobre agricultura propõe a diminuição dos subsídios dos Estados Unidos para um valor entre 13 e 16,4 bilhões de dólares por ano. No entanto, os subsídios reais que os Estados Unidos atualmente aplicam são de cerca de 7 bilhões de dólares por ano. Por outro lado, a União Européia está oferecendo nas negociações da OMC a reforma que realizou na Política Agrícola Comum (PAC) em 2003, sem propor maiores aberturas.

[3] Os países em desenvolvimento têm pouco a ganhar na Rodada de Doha: os ganhos projetados serão de 0,2% para esses países, a redução da pobreza mundial será de 2,5 milhões (menos de 1% dos pobres do mundo) e as perdas por taxas aduaneiras não cobradas serão pelo menos de 63 bilhões milhões de dólares (Anderson, Martin, and van der Mensbrugghe, "Market and Welfare Implications of Doha Reform Scenarios," in Agricultural Trade Reform and the Doha Development Agenda, Anderson and Martin, World Bank/ / Back to the Drawing Board: No Basis for Concluding the Doha Round of Negotiations" by Kevin P. Gallagher and Timothy A. Wise, RIS Policy Brief #36)

[4] Esta regulação deve incluir o direito a implementar impostos às exportações, baixar taxas aduaneiras para favorecer importações, proibir exportações, subsidiar produções locais, fixar margens de preços, enfim todas as medidas que segundo a realidade de cada país melhor sirva o propósito de garantir a alimentação da população.

[5] "Green room meeting" ou "reuniões na sala verde" é o nome das reuniões informais de negociação na OMC nas quais participa um grupo de 35 países escolhidos pelo Diretor-Geral.

[6] Um corte real dos subsídios dos Estados Unidos: deveriam ser menores que 7 bilhões milhões de dólares por ano.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

OS GRANDES CULPADOS


Juremir Machado da Silva:

Um final de semana de reflexão me fez compreender o óbvio: só não vê quem não quer. Como diz o ditado, o pior cego é o que não quer ver para não enxergar. Os grandes culpados pelos nossos males estão bem diante dos nossos olhos. Qualquer um que tenha equilíbrio e não esteja desvirtuado por ideologias ou interesses pessoais é capaz de listar esses culpados sem qualquer margem de erro. É só uma questão de honestidade intelectual e de objetividade. Pegue-se qualquer um destes problemas – caso Daniel Dantas, infrações de trânsito, acidente na construção do metrô de São Paulo, corrupção, financiamento ilegal de partidos no Rio Grande do Sul, adultério –, e o culpado será facilmente identificado.
Quem é o grande culpado pelas infrações de trânsito em Porto Alegre? O azulzinho. Ele e as multas que aplica. A prova é que, depois do surgimento de azulzinho, o número de infrações punidas subiu muito. Quem foi o culpado pela cratera no metrô de São Paulo que resultou em sete mortos? O terreno. Afinal, foi o terreno quem cedeu sem avisar, invalidando os cálculos irrefutáveis dos engenheiros. Com isso, evita-se de cometer injustiça com uma inocente apontada até então como o principal suspeito: a rocha gigante. Quem são os culpados pela situação do pobre e sofrido Daniel Dantas? As escutas telefônicas e as provas ilegais. Quem é o insuportável culpado pela suspeita em relação à conversa amigável entre os secretários da Presidência da República e o advogado petista de Daniel Dantas? O delegado Protógenes Queiroz. Esse homem é muito perigoso. Não tem respeito algum. Onde já se viu grampear o secretário do chefe?
Quem é o maior culpado pela imagem de decadência moral das nossas elites? As decisões do STF privilegiando os ricos? Claro que não. Isso é puro desconhecimento dos complexos mecanismos da ciência jurídica. O culpado é um só. Aliás, culpadas: as algemas. Basta parar de algemar pessoas de bens e daremos um salto moral. Quem é o culpado pelo uso de organismos públicos para financiar partidos políticos no Rio Grande do Sul? O gravador do vice-governador Paulo Feijó. Ainda bem que as forças vivas (nalguns casos, moribundas) da Nação estão pensando em medidas justificadas e eficazes para punir os culpados: redução de escutas telefônicas, restrição à utilização de algemas, combate à 'indústria da multa', afastamento do delegado Protógenes Queiroz para um imperativo curso de aperfeiçoamento pessoal, que o ensine a não escutar conversas dos assessores e amigos do chefe e, especialmente, eliminar propinas ou incentivos a votações em parcelas mensais. Está liquidada a fatura.
Quem é o grande culpado pela violência no Rio de Janeiro? A Polícia? Os traficantes? Os consumidores de drogas? O crime organizado? Não sejamos simplórios nem maniqueístas. É evidente que são as balas perdidas. Basta ver o estrago que causam matando inocentes. São balas vagabundas sem ética nem treinamento adequado. É por isso que os bandidos já estão se armando para usar mísseis teleguiados. A Polícia, com alguns anos de atraso, também chegará lá. Não entendo como se demorou tanto tempo para tomarem essas providências elementares. Como dizem os policiais, havia antecedentes. Como dizem os juristas, havia jurisprudência. Enfim, em linguagem popular, exemplos domésticos. Afinal, todo mundo sabe que o maior culpado pelos adultérios sempre foi o sofá da sala.

juremir@correiodopovo.com.br

sábado, 19 de julho de 2008

Boom de incineradoras torna lixo escasso na Alemanha

Energie, Ian Anderson:

Altos preços da energia convencional tornam incineração do lixo negócio rentável. Boom de usinas de incineração na Alemanha. Despejos da Itália demoram a chegar por razões burocráticas.

O lixo está cada vez mais escasso na Alemanha. O que sobra da seleção de papéis, vidros e embalagens, tornou-se matéria-prima cobiçada para combustão. A tendência é registrada desde 2005, quando passou a ser proibido o despejo de lixo comum em depósitos.

A energia do lixo é usada na combustão, disse Christoph Partisch, economista do Dresdner Bank. Trata-se de um bom negócio, em vista da alta dos preços dos derivados do petróleo: os operadores dos fornos saem ganhando pelo fato de economizarem carvão e óleo.

Além disso, estão livres do pagamento pelas emissões do poluente CO2, pois a decomposição do lixo também causaria emissões. As vantagens explicam a ociosidade já hoje existente na Alemanha.

País terá mais 100 usinas

Para a queima de 14 milhões de toneladas de lixo doméstico a cada ano na Alemanha, existem já hoje 68 usinas de incineração com uma capacidade de 18 milhões de toneladas/ano, informa o Ministério alemão do Meio Ambiente. Segundo a associação das empresas de transformação do lixo, há planos para a construção de mais 100 usinas em todo o país.

Sua implementação no entanto só vale a pena se forem fechados contratos de longo prazo para o fornecimento de lixo, adverte a entidade, que defende a liberalização do mercado. "O lixo deveria ser tratado como qualquer outra mercadoria", disse o porta-voz Karsten Hintzmann. Ele reclama que a importação de lixo careça de autorização.

A dificuldade da importação pode ser exemplificada com o caso de Nápoles. Até que 160 mil toneladas pudessem ser transportadas para a Alemanha, passaram-se alguns meses. Segundo o Ministério alemão do Meio Ambiente, em 2007 foram trazidas para a Alemanha 6 milhões de toneladas de lixo, vindas principalmente dos vizinhos ocidentais. Por outro lado, foram exportadas 1,8 milhão de toneladas.

No estado de Hessen, por exemplo, quando estiverem prontas todas as usinas planejadas, vai faltar 1 tonelada de lixo doméstico para suprir a capacidade das incineradoras. Além das quatro usinas de incineração municipais, estão sendo construídas mais cinco usinas para a produção combustíveis derivados de resíduos.

Um exemplo é a fábrica de Frankfurt-Höchst, que custará 300 milhões de euros. Nela deverão ser incineradas 657 mil toneladas de lixo doméstico por ano para a produção de vapor e energia às empresas químicas.

Lixo da Itália chega devagar

Embora o presidente italiano Silvio Berlusconi tenha declarado na sexta-feira (18/07) o fim da crise do lixo em Nápoles, os contêineres para incineração na Alemanha estão chegando aos poucos.

Segundo Werner Schui, da prefeitura de Bonn, "formalidades burocráticas" causadas pelo rigor na União Européia são responsáveis pelo atraso. No total, está prevista a importação de 160 mil toneladas de lixo doméstico da região de Nápoles.

Sobre os lucros das oito usinas alemãs que queimarão lixo italiano não se fala. Schui garante, no entanto, que não se trata de uma mera ação de ajuda à Itália.

Em Hamburgo já teriam chegado os primeiros carregamento para serem queimados. Um deles teria sido mais complexo, pois exames de rotina apontaram radioatividade no material. "No final, constatou-se que o papel da copiadora de um consultório médico tinha ficado muito próximo a medicamentos radioativos", explicou Schui. (dpa/rw)

Manu Chao & Maradona

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Operação "abafa"


Luciano Martins Costa

O noticiário de hoje sobre o caso do Banco Opportunity mais esconde do que revela, mas dá ao cidadão comum, leitor de jornais e revistas, uma idéia de como o Estado brasileiro pode estar contaminado pela corrupção.

Por mais justificativas que ofereça o comando da Polícia Federal, não há como convencer o mais ingênuo dos indivíduos de que os delegados encarregados da Operação Satiagraha foram afastados do caso pelas razões alegadas.

Por mais que se possa discutir o estilo de certas ações policiais, também não há talento capaz de justificar a pressa em alterar a legislação para tornar mais rigorosos os limites da atuação da Polícia Federal e do Ministério Público.

A propósito, ninguém se reuniu em Brasília para discutir o estilo da Polícia Militar, que continua matando inocentes por todo o Brasil.

O noticiário diz mais pelo que omite do que pelo que revela.

Não há como não fazer uma relação direta entre o afastamento dos delegados, a reunião entre o presidente Lula, o presidente do Supremo Tribunal Federal e o ministro da Justiça para discutir uma lei contra supostos abusos de autoridade e o caso que tem como epicentro o dono do Opportunity.

A confirmação de nomes de autoridades e parlamentares citados na investigação já vinha provocando comichões no Congresso, no Palácio do Planalto e em alguns endereços de ex-poderosos.

O aparecimento de registros de computador que estavam escondidos atrás de uma parede falsa no apartamento do banqueiro Daniel Dantas faz até o Judiciário temer a justiça.

A permanência dos acusados Humberto Brás e Hugo Chicaroni na prisão parece indicar os limites a que o sistema pode chegar: na iminência do escândalo maior, oferecem-se para o sacrifício dois personagens de menor relevância, para amenizar a indignação da sociedade com os sinais de que, mais uma vez, os chefes da máfia que se apropriou do Estado vão ficar livres.

Mas é pouco. Muito pouco.

Raras vezes na nossa história recente o aparelho policial e a Justiça chegaram tão perto de colocar a nu o núcleo da podridão institucional que atrasa o Brasil.

Se as instituições do Estado não são capazes de seguir adiante, cabe à imprensa apoiar o prosseguimento das investigações e contar a história completa à sociedade.

Empresários amigos do Estado

O noticiário dos últimos dias revela que o Estado brasileiro foi assaltado há muitos anos por uma quadrilha que se apropriou do patrimõnio público durante o processo das privatizações e que segue até hoje praticando um capitalismo sem riscos.

O que a imprensa publicou até aqui dá a entender que algumas das grandes fortunas que costumam ser incensadas pelo jornalismo de negócios foram construídas em cima de fraudes em licitações, evasão fiscal e roubo puro e simples.

Consideradas as revelações feitas pela Operação Satiagraha, cabe muito bem o questionamento feito pelo senador Aloísio Mercadante ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: o que o BC estava fazendo enquanto o Banco Opportunity acumulava lucros com atividades ilegais?

Outra questão que merece mais atenção dos jornais: o que fazia a CVM, Comissão de Valores Mobiliários, enquanto se desenrolavam as fraudes denunciadas agora pela Polícia Federal?

O Brasil vem se destacando no cenário internacional pela pujança de sua economia, o processo de modernização da Bolsa de Valores atrai investidores internacionais e consolida um moderno mercado interno de ações.

O País conquistou recentemente o grau de investimento por parte de importantes agências de avaliação de riscos e consolida uma nova reputação como mercado confiável.

A revelação de que as fortunas de Daniel Dantas e de outros heróis do empreendedorismo nacional vicejam à sombra do Estado e à margem da lei revela que a iniciativa privada no Brasil é cheia de iniciativa, mas não é assim tão privada.

Boa hora para a imprensa fazer uma radiografia do capitalismo brasileiro, como fez o Jornal da Tarde há trinta anos, na célebre sére de Ruy Mesquita sobre o socialismo embutido no governo militar.

É hora de quebrar certos santos de pés de barro.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

ARGENTINA EM CRISE


Hay pañuelo, chori, boina y rayban

En Palermo, ayer a la tarde, la puta oligarquía estaba bastante rara. Pienso que no me tengo que dejar llevar por prejuicios.

Martín Caparrós

16.07.2008

Primero pienso que no recuerdo haber visto nunca tanto mocasín, tanto pulóver sobre los hombros en una manifestación. Después pienso que no me tengo que dejar llevar por los prejuicios. Después pienso que en Congreso me encontraría más amigos. Después, que eso no es un parámetro político. (Pero es cierto que me encantaría estar en Congreso creyendo que pongo el pecho para detener a la puta oligarquía que llama al golpe para acabar con el proceso de cambio que está viviendo la Argentina. Si sólo pudiera creerlo, sería casi feliz.)

Acá, en Palermo, esta tarde, la puta oligarquía está bastante rara. Son las tres de la tarde, raya el sol: columnas sindicales pasan tocando bombo entre camperos. Hay banderas de la Sociedad Rural azul y blancas, bandadas de cinturones cuero crudo, sindicatos con Perón y Evita, un núcleo fuerte de banderas rojas, bombachos nuevos bien cardón cosas nuestras, pobres con bolsas y bebitos mocosos, barriles y barriles de tintura rubia, rayban de free shop, rayban falsos del Once, pañuelitos al cuello, esas caras que sólo generaciones de dinero saben construir.

–¡Ya somos más de trescientos mil! Quien quiera oír que oiga, quien quiera ver que vea…
Grita el locutor, y no sé si sabe o no sabe que está citando a Eva Duarte –si quiere apropiársela, o si ella se apropió de él. En todo caso, ya a esta hora, la cantidad de personas es impresionante. Hay dos o tres cuadras de Libertador llenas de gente muy pegada, compacta, amontonada: parece mucha gente. Después, otras seis o siete cuadras de gente más relax, en grupitos que charlan.

–Ay Nacho qué gusto verte acá.
–Pero cómo iba a faltar, Mercedes.
–Sí, ¿no? Éste es nuestro lugar.

En una tarima, a un costado de Libertador, una banda de doce vientos y tambores con overoles, cascos blancos, pieles oscuras y una vaca de plástico, toca Matador.

–¿De dónde sos?
Le pregunto a un trompeta.
–Yo, de Corrientes.
–¿Y todos se vinieron desde ahí?
–No, yo soy de ahí, pero vivo acá.
Le explico que yo quería preguntarle de qué grupo o sindicato era.
–Ah, no sé, a nosotros nos contrataron para tocar acá.
Al fondo de la tarima hay una bandera argentina y peronista que dice Sindicato Carne GBA.
–¿Y cuánto les pagaron?
–No, ni idea.
Me dice, y llega un señor del sindicato que me dice que no, que no les pagaron ni un peso, que vinieron gratis. Yo le digo que claro, muchas gracias.

–Si éste no es el pueblo, ¿el pueblo donde está?
Cantan señoras y señores levemente enfervorizados, y desde los balcones de los pisos de Libertador saludan y tiran papelitos.
–Si éste no es el pueblo, ¿el pueblo dónde está?
Insisten, gritan. Es curioso que una pregunta lleve tanto tiempo planteada sin que nadie consiga contestarla.

El sol sigue, sigue llegando gente, la masa se compacta. El olor a chori, que debe ser uno de los tres o cuatro olores de la Patria, se enrosca y enriquece. Por suerte esto está lleno de personas que me dicen cómo tengo que hacer mi trabajo: anotá, contá todo esto, decí la verdad, che, a ver si por una vez no mienten, contá bien uno por uno vas a ver que somos un montón, por qué no entrevistás a aquél, ese señor de anteojos.

–Yo soy del campo, claro que soy del campo.
–¿Cuánto campo tiene?
–No importa, tengo unos cientos de hectáreas en Pehuajó. Pero te digo que cuando se me inundaron nadie me ayudó. ¿El Estado dónde estaba entonces?

El señor boina verde mayor y muy sereno sentado en un banquito me dice que su campo no se lo robó a nadie, que lo heredó, que es radical como su padre y que no va a permitir que estos hijos de mil putas le afanen a mano armada lo que se gana trabajando.
–A mí nadie me da nada, así que lo que yo gano me corresponde, ¿no?
Es una frase casi stándard: me la repetirán diez, quince, quichicientas veces.
–Ya se van a enterar de que la dignidad del campo argentino no se compra ni se vende.
Grita el locutor.
–Se va a acabar, se va a acabar, la dictadura de los K.
Grita un grupito de jóvenes a mi alrededor: llevan corbatas. Estos deben ser los del golpe. Les pregunto, me dicen que son de la Juventud Radical, y siguen con eso de la dictadura. Pero la media de edad es importante: creo que nunca vi una manifestación con tantos viejos.

–¿Sabés lo que trabajamos nosotros para que ustedes tengan estos parques, estas avenidas?
Me dice un grandote tipo chacarero con un pañuelo medio gastado al cuello y panza bien provista.
–Yo soy de Córdoba, para nosotros venirnos hasta acá es un problema, no sabés lo que nos cuesta dejar aquello, meternos en estas calles, todo este quilombo.
–¿Seguro que no les gusta un poco?
–¿Qué nos puede gustar?
–Bueno, esto de entrar en la ciudad, imponer su presencia.
El hombre está al borde de sonreír pero sabe contenerse a tiempo: son tantos años de gauchesca. –¿Te parece?

Chicos y chicas de izquierda ofrecen periódicos de izquierda a señoras muy puestas que se dan esos besitos cuidadosos, historia de no arruinarse el maquillaje. Las señoras los miran y alguna incluso les contesta no gracias. Todo el tiempo se oye mucho perdón disculpe permiso gracias por favor. Ser amables también marca diferencias de clase.
–¿Y no les da cosita?
–Sí, qué sé yo, digamos que es una experiencia antropológica interesante. Dice, y se ríe nerviosa.
La pecosa tiene veintipico y llegó de Córdoba esta mañana con sus compañeros del Partido Socialista de los Trabajadores. Dice que sí, que por momentos le resulta raro estar acá pero que lo discutieron mucho y decidieron que tenían que venir, que están a favor de las retenciones pero no le creen una palabra al gobierno cuando dice que las van a usar para redistribuir, y que vale la pena apoyar a los pequeños productores.
–La izquierda se está quedando afuera, como siempre, y al quedarse afuera le hace el juego al gobierno. Nosotros creemos que hay que estar, creemos que también hay que pelear por la clase media. Nuestra clase media es inconstante, a veces se bandea a la derecha, a veces a la izquierda, y es importante tratar de traerla para nuestro lado.
Dice, y de algún modo –el tono, la sonrisa– se sigue disculpando.

Hay boinas pampa y gorritos de béisbol: alguna vez se van a transformar en símbolos de algo. La boina hiperlocal, folclórica, que los muchachos más o menos ricos usan para mostrar su apego a viejas tradiciones de la tieya; el gorrito hiperglobal, contemporáneo, que los muchachos más o menos pobres usan para formar parte de algún mundo.
–Como dice Buzzi: a unos nos sacan y a otros no les dan. Eso es lo que hace el gobierno con la guita. Mirá a estos pobres tipos acá, les siguen dando 150 pesos por mes, como hace cinco años. Es una inmoralidad, hermano, una vergüenza.
Me dice un cincuentón Federación Agraria de Reconquista, Santa Fe, parado al lado de un grupo piquetero. Después me da la mano y me deja mormoso. Es feo que te puteen los que te gustan; peor es que te feliciten los que no:
–Vamos, che, tienen que seguir pegando, no me aflojen.

Pero una rubia mucha papa en la boca, naricita respingo, sombrero, escarapela, me mira atravesado:
–¿Y éste qué hace acá?
Dice, con siglos de desprecio, y me llena el corazón de gozo.
Así está todo, tan confuso.

–¡Hemos juntado quinientas mil personas!
Grita el locutor y todos gritan y aplauden como si le creyeran.
–Argentina, Argentina.
Gritan miles: supongo que seguimos ganando.

Dos golden retrievers con pañuelos patrios dan saltitos. Más allá, un cartel en la punta de un palo: “Somos la tierra y su paisaje. Somos imborrables”. Debe ser bonito tener tanta certeza. ¿Tienen tanta?

–Yo los voté, los apoyaba, pero así como los voté ahora los desvoto.
Me dice una señora de cincuenta clase media porteña modelo Caballito, y me dice que no tiene nada que ver con el campo pero vino para pararle los pies a los del gobierno, que qué carajo se han creído.
–Yo no discuto las retenciones. Discuto que las hayan hecho así de mal, que sea gente que no sabe lo que hace, que no son estadistas, que las van de compadritos.
–Dale, escribí que estamos hartos de que nos saquen lo que es nuestro. Lo que es nuestro, entendés. Escribilo, dale, a ver si te animás.

Están por empezar los discursos, y el locutor habla de Nuestra Señora de Luján, patrona de la Patria:
–¡Un gran aplauso para la Virgen!
Pide el locutor, pero el aplauso es mucho más quedo que el de hace unos minutos, cuando anunció que habían llegado Buzzi y De Angeli. Y entonces el locutor pide al Padre Todopoderoso Misericordioso que en su inmensa bondad nos ha dado esta tierra y estas riquezas que proteja a nuestra Patria e ilumine a los legisladores, y empieza una oración que dice Jesucristo Señor de la Historia. Casi nadie, en mis alrededores, la repite. Me sorprendo, casi me ilusiono. Pero después dice Dios te salve María llena eres y muchos lo corean. El ateísmo nos duró poquito. Detrás de la señora del Monumento se va poniendo el sol. Miles y miles gritan Alfredo, Alfredo.
–En qué lío me metí.
Dice, desde el palco, voz de trinchera campechana, Alfredo De Angeli, y los miles y miles se le ríen.
–¿Qué quieren que les diga?
Dice, y empiezan los discursos.

CRÍTICA DIGITAL

E a Margareth?


Cristóvão Feil:

Ontem, o presidente Lula acordou bem indisposto. Pensou tratar-se dos distúrbios causados pelo fuso horário enfrentado na sua recente viagem ao Oriente. Mas não. Diagnosticou que era o conflito. Ele não pode com conflitos. Ainda com a escova na boca que pingava espuma dental comprada no Japão, o presidente Lula enxerga no fundo do espelho embaçado a Thatcher, que lhe diz de forma clara:

- Presidente, não existe essa coisa de sociedade! – o presidente Lula ainda tentou limpar o vapor do espelho com a manga do pijama de algodão egípcio, mas o que sumiu foi a imagem da dama de ferro.

Chegando ao Palácio do Planalto, o presidente Lula mandou que ligassem para o presidente do STJ, ministro Gilmar Mendes. Depois de conversar com Mendes, manda ligar para o ministro da Justiça, Tarso Genro. No telefone mesmo, determina a Tarso que demita toda a equipe do delegado Protógenes do caso Daniel Dantas:

- Não discuta ministro, é uma condição do Gilmar Mendes para começar a conversar conosco ainda hoje à tarde aqui no Planalto. Eu quero essas demissões sacramentadas ainda agora pela manhã. Passe bem.

À tarde, na vasta mesa de reuniões do gabinete da presidência estão reunidos quatro personagens dispostos ao congraçamento e à lhaneza de propósitos, no melhor espírito do “brasileiro cordial”: o presidente Lula, o presidente Gilmar Mendes, o ministro Nelson Jobim e o ainda atônito, ministro Tarso Genro.

A conversa foi rápida. O presidente Lula iniciou dizendo que os delegados já estavam fora do caso, conforme condição “que você impôs, Gilmar”. Tarso Genro sentia pregos na sua cadeira. Nelson Jobim anotava tudo para depois reproduzir a seus companheiros tucanos e peemedebistas. O presidente Gilmar Mendes, se sentindo agora, mais presidente, mais Gilmar, e mais Mendes, sugeriu que ele e o ministro Genro façam em conjunto uma declaração à imprensa, “assim que sairmos agora do Planalto”.

Os quatro personagens se levantam ao mesmo tempo, apertam-se as mãos e o presidente Lula ainda comenta algo sobre futebol, que ninguém entende. Ao chegar perto da porta de saída do gabinete presidencial, o ministro Gilmar Mendes, cada vez mais presidente, vira-se e pergunta mesmo de longe para o presidente Lula:

- E a Margareth, presidente Lula? – Lula ainda coça a barba do queixo e responde com boca de quem chupou limão.

- Que Margareth, meu presidente?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Campanha contra água mineral


Devido ao seu balanço ambiental negativo, o consumo de água mineral engarrafada deve ser proibido na Suíça, propõe o deputado federal Jacques Neirynck, do Partido Democrata Cristão (PDC).


Devido ao seu balanço ambiental negativo, o consumo de água mineral engarrafada deve ser proibido na Suíça, propõe o deputado federal Jacques Neirynck, do Partido Democrata Cristão (PDC).

"A polêmica tomou as feições de uma caça às bruxas", diz Peter Brabeck, presidente da Nestlé, empresa líder mundial no mercado de água mineral.

Uma campanha iniciada nos Estados Unidos, propondo o consumo de água de torneira em vez de água mineral para proteger o meio ambiente, atinge também a Suíça.

Durante uma conferência em 23 de junho passado, 250 prefeitos dos EUA decidiram que nas suas cidades não será mais comprada água mineral com dinheiro dos contribuintes. Igrejas e organizações estudantis apóiam a "Anti Bottled Water Campaign".

Na Suíça, alguns restaurantes já oferecem jarras de água da torneira aos seus fregueses. O deputado Jacques Neirynck, ex-reitor da Escola Politécnica Federal de Lausanne, quer propor na sessão de outono do Parlamento a proibição da água mineral no país. Ela então só poderia ser comprada sob receita médica.

"São necessárias medidas restritivas para economizar energia. Gasta-se energia demais com a produção da garrafa, o engarrafamento e o transporte. Se não quisermos ter uma nova usina nuclear, temos de renunciar à água engarrafada", argumenta.

120 litros de água mineral per capita

Cada um dos 7,5 milhões de suíços consome cerca de 120 litros de água mineral por ano. O consumo mais do que duplicou nos últimos 20 anos, período em que as importações quase dobraram. Quase um terço do mercado suíço é coberto por água importada.

Segundo um estudo da Esu-Services, de Uster (perto de Zurique), para um litro de água mineral engarrafada e transportada por um longo trajeto são gastos 3,2 decilitros de petróleo.

Dois decilitros de petróleo são gastos por litro quando a água mineral é retirada de uma fonte na Suíça, colocada em garrafa PET (reciclável) e refrigerada antes de ser servida.

Para a obtenção de um litro de água de torneira, não refrigerada, o consumo de energia equivale a 0,3 mililitros de petróleo – mil vezes menos do que para a água mineral em garrafa de vidro, importada e refrigerada.

"A carga para o meio ambiente decorre principalmente da refrigeração, da embalagem e do transporte", diz Niels Jungbluth, gerente-executivo da Esu.

Nestlé rebate críticas

A Nestlé Waters, líder global do mercado, rebate as críticas feitas por políticos e peritos, dizendo que a água mineral de suas marcas representa apenas 0,0009% da água potável consumida no mundo.

Na Suíça, 75% de todas as garrafas PET são recicladas, diz Philippe Oertlé, porta-voz da Nestlé. Ele explicou ao jornal Tagesanzeiger que a empresa reduziu em 22% nos últimos cinco anos o peso da embalagem da água mineral.

Segundo o presidente da Nestlé, Peter Brabeck, "a polêmica tomou as feições de uma caça às bruxas. Quem quiser economizar água por motivos ecológicos tem de tomar mais água mineral e menos água de torneira", disse ao jornal Sonntagszeitung.

Brabeck argumenta que a água engarrafada provoca o menor consumo de água para levar líquido da melhor qualidade ao consumidor. "Como o preço da água de torneira é baixo demais, por motivos políticos, não há como investir o suficiente nas redes. Nos países em desenvolvimento, 70% da água potável é desperdiçada por furos na rede; na União Européia, 30%."

O presidente da Nestlé concorda que existe um direito humano à água. "Cinco litros por pessoa diariamente para beber e 20 litros para a higiene. O que passar disso tem de ser vendido a preço de mercado. Do contrário, serão subvencionadas piscinas em campos de golfe", afirma.

David contra Golias

Uma alternativa pode ser a água do tipo Club Soda (água encanada, filtrada, gaseificada e enriquecida com bicarbonatos, citratos, fosfatos e outros tipos de sais minerais). Ela prejudica cinco a oito vezes menos o meio ambiente do que água mineral, conclui o estudo da Esu.

Segundo Aaron Husy, gerente da Club Soda Distribution, em Vevey, a empresa vendeu até agora um milhão de cilindros de bicarbonato na Suíça – entre 300 mil e 400 lares formam o "núcleo" dos usuários fiéis. Cada cilindro de gás dura cerca de dois anos.

Husy considera-se um "David contra o Golias" das multinacionais que controlam o mercado de água mineral engarrafada: Nestlé Waters, Danone, Coca-Cola e Pepsi. Mas ele diz que já sente o resultado do apelo ecológico da água do Club Soda.

"Hoje somos suficientemente fortes para questionar a venda de garrafas de plástico e vidro, que são ecologicamente problemáticas, sem que sejamos esmagados como uma mosca pelos grandes", disse Husy ao jornal Tagesanzeiger.

swissinfo, Geraldo Hoffmann (com agências e jornais)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Jornal britânico diz ter descoberto identidade de Banksy


O jornal britânico The Mail On Sunday diz ter descoberto a identidade do misterioso artista Banksy.

Segundo o jornal, ele seria Robin Gunningham, de 34 anos, um ex-aluno de uma escola particular.

O jornal diz que identificou Banksy a partir de uma fotografia de um homem ajoelhado com uma lata de tinta spray, tirada na Jamaica há quatro anos.

Banksy, cuja identidade nunca foi revelada oficialmente, é conhecido por seus desenhos de conotação política em edifícios públicos da capital britânica e em outras partes do mundo.

Ele também realizou façanhas como substituir 500 CDs de Paris Hilton por versões "alternativas" em lojas espalhadas pela Grã-Bretanha e colocar uma réplica em tamanho natural de um prisioneiro da base americana na Baía de Guantánamo na Disneylândia, em Los Angeles.

Uma porta-voz do artista se recusou a comentar a reportagem do jornal britânico.

“Nós recebemos esse tipo de ligação o tempo todo”, disse à BBC. “O que vou dizer é o que sempre digo, eu nunca confirmo ou nego essas histórias.”

Até agora, a única coisa que se sabe de Banksy é que o artista nasceu e cresceu na cidade britânica de Bristol.

Rumores de que ele se chama Robin Banks e que seus pais acreditam que ele seja um pintor ou decorador são comuns.

Colegas

Scott Nurse, um ex-aluno da escola de Gunningham, a Bristol Cathedral School, disse ao jornal que seu colega era “extremamente talentoso nas artes”.

“Eu não ficaria surpreso se ele fosse mesmo Banksy”, disse.

Luke Egan, um artista que já realizou uma exposição conjunta com Banksy, inicialmente disse que não conhecia Gunningham, mas depois admitiu que dividiu um apartamento com ele.

Ao ser perguntado pelo jornal se Gunningham era Banksy, ele disse “bem, ele não era na época”.

O pai de Gunningham, Peter, disse que não reconhecia a pessoa na fotografia mostrada no The Mail On Sunday, enquanto a mãe, Pamela, negou ter um filho.

A fotografia tirada na Jamaica pelo fotógrafo Peter Dean Rickards apareceu pela primeira vez na Internet e em seguida no jornal The Evening Standard em 2004.

Na época, o agente de Banksy, Steve Lazarides, disse à revista The New Yorker que a foto não era de seu cliente.

Mas Colin Saysell, um policial que trabalha na prevenção de grafites em Bristol e que seguiu Banksy por anos, disse que a foto era legítima.

Dois anos depois, o artista insistiu que o público jamais deveria descobrir sua identidade.

“Eu não tenho interesse em me revelar”, disse à revista Swindle.

“Eu estou tentando apenas fazer com que os desenhos apareçam bem, eu não quero fazer com que eu mesmo apareça bem.”

“Além disso, é uma aposta segura dizer que a realidade do que sou iria ser uma terrível decepção para alguns moleques de 15 anos por aí”, disse Banksy.

sábado, 12 de julho de 2008

Surrealismo tem novo museu em Berlim


Marcio Damasceno
De Berlim para a BBC Brasil

A capital alemã ganha um novo museu, dedicado ao Surrealismo. A nova instituição, chamada Coleção Scharf-Gerstenberg, mostra um acervo de mais de 250 trabalhos de mestres surrealistas e artistas que influenciaram um dos movimentos artísticos mais singulares do século passado.

A casa abre suas portas ao público nesta quinta-feira, 11 de julho, depois de ter sido inaugurada pelo ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann.

O local da exposição abrigava até 2005 o Museu Egípcio, e está a uma pequena distância do Palácio de Charlottenburg -- antiga residência de monarcas alemães, uma das maiores atrações turísticas do lado ocidental de Berlim. O edifício foi reformado e ampliado a um custo de 10 milhões de euros.

O acervo do museu é baseado em uma coleção privada cedida à capital alemã em regime de empréstimo permanente. A exibição principal, intitulada "Mundos Surrealistas", traz pinturas, gráficos, desenhos e esculturas de autores surrealistas famosos, como Salvador Dalí, René Magritte e Max Ernst.

Ela ilustra, através das artes plásticas, a história e as teorias do movimento fundado pelo intelectual francês André Breton em 1924, com seu Manifesto Surrealista. O estilo privilegia temas abstratos, fantásticos ou ligados aos abismos do inconsciente.

O programa inclui também uma série de filmes, incluindo clássicos como O Cão Andaluz, de Luís Buñuel e Salvador Dalí, assim como películas contemporâneas de cunho surrealista. O novo museu abrigará, ainda, em futuro próximo, mostras temporárias paralelas sobre temas ligados ao Surrealismo.

Charly Garcia

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Direita suíça quer proibir construção de minaretes


A direita nacionalista (UDC) e o partido dos cristãos fundamentalistas (UDF) recolheram quase 115 mil assinaturas para proibir a construção de minaretes na Suíça.

O governo federal já se manifestou publicamente contra a iniciativa popular, criticada no exterior, e vai recomendar aos eleitores e ao Parlamento a rejeição da proposta.

A iniciativa "contra a construção de minaretes", com 114.895 assinaturas de apoio, foi entregue ao Ministério do Interior, em Berna, nesta terça-feira (08/07), pela União Democrática do Centro (UDC) e pela União Democrática Federal (UDF).

Os dois partidos pedem a inclusão na Constituição suíça de um artigo com o seguinte teor: "A construção de minaretes é proibida". Eles argumentam que, com isso, querem impedir um "símbolo de ambição pelo poder e domínio político-religioso".

A iniciativa foi lançada no início deste ano por políticos da UDC (direita nacionalista) e da UDF (cristãos fundamentalistas). O prazo para a coleta de 100 mil assinaturas, necessárias à apresentação oficial da proposta ao governo, ainda iria até 1° de novembro próximo.

Os iniciadores dizem que é preciso impedir a "crescente islamização da sociedade suíça". Minaretes não são símbolos religiosos e sim sinais de uma ambição política pelo poder, disse a deputada federal Jasmin Hutter (UDC), de St-Gallen.

Segundo o ex-deputado federal Ulrich Schlüler, considerado o pai da iniciativa, "a construção de minaretes ameaça a ordem em nosso país". Ele garante que a proposta respeita a liberdade religiosa. Os muçulmanos podem praticar os seus costumes também em mesquitas sem minaretes, disse.

O Conselho Federal (Executivo suíço) condenou mais uma vez a iniciativa. Não há dúvida de que o governo recomenda aos eleitores e ao Parlamento a rejeição da proposta, disse em um comunicado.

Foi a primeira vez desde 1934 que o governo reagiu dessa forma a uma iniciativa popular no dia em que ela foi apresentada oficialmente. O motivo é a pressão internacional sobre o governo em Berna nessa questão.

Em março passado, a Organização da Conferência Islâmica (OIC) advertiu sobre a crescente hostilidade contra o islã e citou também a iniciativa contra minaretes na Suíça.

A proposta foi considerada "inquietante" e abordada no mesmo capítulo em que foi tratado o caso das caricaturas do profeta Maomé publicadas por jornais europeus e o curta-metragem anti-islâmico do deputado holandês Geert Wilders.

Num encontro com o secretário-geral da OIC, Ekmeleddin Ihsanoglu, em janeiro passado, em Madri, a ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, garantiu que o governo não apóia a iniciativa, que já foi criticada pela ONU e pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.
Direito Internacional e Constituição

Caso a iniciativa seja aprovada nas urnas, o que é improvável, não é certo que seja implementada. "Ela é muito absoluta. Proibir qualquer minarete em qualquer lugar seria uma intervenção desproporcional na liberdade religiosa", diz Daniel Thüler, especialista em Direito Internacional da Universidade de Zurique.

Após a autenticação das assinaturas, a Câmara e o Senado terão de decidir se a iniciativa será ou não submetida ao voto popular. Segundo Thürer, é preciso avaliar se ela transgride ou não o Direito Internacional ou os princípios constitucionais.

swissinfo, Geraldo Hoffmann (com agências)

JUSTIÇA RÁPIDA

quarta-feira, 9 de julho de 2008

FALTA DE TEMPO

SALVADOR DALI:

JUREMIR MACHADO DA SILVA

Existem inverdades que se tornam sagradas. Quanto mais indemonstráveis, mais persistentes e repetidas. É clichê dizer que vivemos uma época em que falta tempo para tudo. Jornalistas, por exemplo, adoram justificar isto e aquilo com o argumento da falta de tempo. Faltaria, por exemplo, tempo aos leitores. Nada mais falso. Estamos na era do tempo livre. Nunca se teve tanto tempo disponível. No começo do século XX, ainda se trabalhava uma média de 16 horas por dia, seis a sete dias por semana. Hoje, a média oficial é de oito horas. Em alguns países, como a França, com acertos e erros, já se experimenta a semana de 35 horas de trabalho. Muitas categorias ou indivíduos têm dois dias de folga semanais.
Não existiam eletrodomésticos como agora. As tarefas da casa exigiam de cada mulher jornadas inteiras. Lavava-se roupa no tanque ou no arroio, cozinhava-se em fogão à lenha, passava-se com ferro a carvão. Tudo era manual. Lembro-me de que minha avó e minha mãe, não faz tanto tempo assim, começavam as lides domésticas pelas 7 horas da manhã e só paravam um pouco lá pelas 3 horas da tarde. Depois de um breve descanso, começava o segundo turno e lá iam elas pela noite. As famílias eram numerosas, com elevadas taxas de natalidade. Os homens faziam longas jornadas de trabalho e, chegando em casa ao anoitecer, continuavam na labuta. A iluminação era deficiente e dormia-se cedo. Não sobrava tempo algum.
Hoje, já a partir da classe média baixa, máquinas de lavar e de secar, aspiradores de pó, microondas e outros aparelhos diminuem o tempo empregado nas tarefas manuais. Muita gente nem sabe o que fazer com tanto tempo livre e se deprime. Existem mais oportunidades de lazer. O problema não é a falta de tempo, mas a escolha do que fazer. Não estamos na era da falta de tempo, mas no apogeu do tempo livre. Dentro de algumas décadas, podem apostar, haverá rodízio de trabalhadores, cada um dedicando ao ganha-pão meio turno diário. É certo que boa parte da humanidade ainda trabalha tanto quanto antigamente e pelas mesmas migalhas, tendo ainda de amargar horas de engarrafamento ou longos deslocamentos. Não é, porém, dessa parte que se fala quando se reclama da falta de tempo. É daquela fatia que pode escolher.
Dizem que se lê menos por falta de tempo. Balela. Quem gosta de ler, prioriza a leitura, livrando-se mais rapidamente de outras tarefas. O problema da leitura não é a falta de tempo. É falta de gosto pela leitura. Ninguém é obrigado a passar sete horas por dia na frente da televisão ou outras tantas no Orkut, no MSN ou navegando de um site a outro na Internet. É considerável o número de pessoas que sofre de síndrome de fim de semana, a doença de quem não sabe ficar em casa com tanto tempo livre. A prova de que não falta tempo é a audiência de programas idiotas como 'Faustão' e de quase tudo o que passa na TV. Se houvesse falta de tempo, uma rede de televisão não exibiria cinco novelas por dia com sucesso. Na época dos congelados e do teletudo, o excesso de tempo enche os consultórios dos psicanalistas. Sobra tanto tempo que alguns assumem atividades supérfluas em demasia a ponto de não sobrar tempo para nada. A falta de tempo é uma ilusão dos desocupados. Ou um truque de executivos para valorizar os altos salários que recebem pelo pouco que fazem.

juremir@correiodopovo.com.br

O TEATRO DO DOUTOR CABRAL CUSTA CARO


ELIO GASPARI

O que há no Rio de Janeiro não é uma crise da política e enfrentamento do governador Sérgio Cabral, é a crise da marquetagem do doutor Cabral. Montou-se um teatro, como se a política de segurança pública da cidade fosse um seriado de televisão. A bem da justiça, reconheça-se que nessa arte Cabral não é o único diretor de cena. É apenas o de maior desempenho.
Em menos de um mês, a cidade teve três crimes chocantes. Todos envolveram agentes da ordem e neles se misturaram elitismo, demofobia e inépcia. O que faltou foi Polícia. Primeiro foi a chacina da Mineira. Um tenente e dez militares do Exército entregaram três cidadãos a uma quadrilha de traficantes e assassinos. À primeira vista, havia no Morro da Providência uma ação federal de segurança. Coisa de Nosso Guia. Muita gente boa parecia viver seu momento Tropa-de-Elite: afinal, o Exército subira o morro.
Teatro. O Exército dava segurança aos trabalhadores das empreiteiras (em cujo plantel o 'movimento' tinha uma cota). Há dezenas de obras sem Exército nos morros do Rio. Se isso fosse nada, o desfile era parte do book do senador Marcelo Crivella.
O Comando do Leste confunde cidadãos com 'elementos', mas vá lá. Difícil será entender por que escalava para o Morro da Providência um jovem tenente que morava nas fímbrias das favelas Águia de Ouro e Fazendinha, em Inhaúma. Um primo de sua mulher já estivera preso por tráfico de drogas. Não se deve julgar um oficial saído da Academia das Agulhas Negras pelo seu padrão residencial, muito menos pela parentela. No entanto, uma boa política de recursos humanos recomendaria, em benefício do jovem tenente, que ficasse longe do morro.
Dias depois, o guarda-costas do filho de uma procuradora matou um jovem com um tiro no peito numa briga de porta de boate. O assassino é um PM que trabalha há oito anos na segurança de procuradores do estado. Ele estava havia sete com a família. Nenhum serviço policial sério mantém agentes numa atividade desse tipo durante oito anos. Um guarda-costas com sete anos de casa não é mais um agente policial, é um agregado.
Tanto no Morro da Providência como na porta da boate Baronetti, os crimes foram antecedidos por falhas de gente que está em cargos de comando ou chefia.
Os PMs que mataram o menino João Roberto Amorim Soares achavam que estavam numa cena de enfrentamento, na qual só um lado atira. Decidiram que havia bandidos no carro da família Soares, assim como o tenente da Providência decidiu que a galera da Mineira deveria dar um 'susto' na sua carga. O enfrentamento dessa gente não é com os bandidos. É com o 'outro', um cidadão que repentinamente perde seus direitos em nome de um estado de emergência produzido pela administração do medo a serviço da marquetagem política.
Nenhuma pessoa de bom senso pode achar que está mais segura numa cidade onde um coronel da PM (Marcus Jardim) disse que 2007 deveria ser 'o ano dos três Ps: Pan, PAC e Pau'. Esse mesmo representante das forças da ordem presenteou um funcionário da ONU com uma miniatura do 'Caveirão'. É perigosa qualquer cidade onde o governador diga que uma favela é 'fábrica de marginais'.
Acreditar que os enfrentamentos da Polícia de Sérgio Cabral têm algo a ver com uma política de segurança pública é correr atrás do papel de bobo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Escritor procura origem de suas cuecas e faz viagem pela China


Gillian Murdoch

Alguns viajantes seguem seus corações, outros se guiam pela mente. Mas poucos vão atrás de suas cuecas, como fez o escritor neozelandês Joe Bennett.

A compra de uma embalagem com cinco cuecas de fabricação chinesa levou Bennett a uma viagem reveladora, partindo de uma loja na Nova Zelândia e chegando à China, para decifrar o funcionamento misterioso do capitalismo global.

Ao rastrear o pacote de cuecas de 6,5 dólares até uma fábrica em Xangai, os seringais da Tailândia e os campos de algodão de Xinjiang, no extremo oeste da China, Bennett encontrou as centenas de pessoas que produziram e exportaram suas cuecas.

O autor disse que, embora não tenha descoberto quanto as cuecas de fato custaram para serem feitas, ele aprendeu muito com sua odisséia, intitulada "Where Underpants Come From" (De onde vêm as cuecas). Ele conversou com a Reuters recentemente.

PERGUNTA: Por que cuecas? Por que não procurar a origem de um iPod, uma mangueira de jardim ou qualquer outro produto exportado pela China?

RESPOSTA: Porque eu tinha comprado cuecas, e não uma mangueira. Comprei cuecas, e isso me levou a refletir.

P: Sua viagem nasceu de uma ignorância pós-industrial peculiar: você não fazia idéia de como as cuecas eram produzidas, nem a que preço?

R: Nós no Ocidente vivemos sentados sobre uma almofada de riqueza que poucos de nós podemos justificar, já que não trabalhamos nesses processos industriais, comerciais ou científicos. Algo tão rudimentar quanto produzir algodão — não faço idéia de como é feito. Se a eletricidade parasse de ser gerada, não seria eu quem a faria começar outra vez.

P: Foi sua primeira viagem à China. Você estava receoso quanto ao que poderia encontrar na fábrica de cuecas?

R: Não fui a nenhum lugar em que operários trabalham em condições desumanas. Acredito que as cuecas em questão são produzidas sob condições as mais próximas de éticas quanto é possível se produzir cuecas na China. É claro que as pessoas trabalham muitas horas e ganham menos, mas é em função de uma economia diferente com um mercado de mão-de-obra imenso.

P: Você escreve que, quando era jovem, as cuecas eram todas simples e brancas, sendo que hoje existe um arco-íris de cores e estilos. O que isso nos revela?

R: O boom da promoção da vaidade no Ocidente, e também a enorme ampliação do comércio em qualquer lugar onde é possível ampliar um mercado.

As casas de todo o mundo no Ocidente são repletas de coisas redundantes, que as pessoas compraram numa busca frenética por felicidade, mas nenhuma das quais a proporcionou. Não é por usar cuecas de cetim que você será mais feliz ou terá mais sucesso sexual.

P: O que isso nos revela sobre os consumidores de hoje?

R: São ricos, tolos e sedentos por mais, sempre mais, como burros correndo atrás de uma cenoura inalcançável. Não se compra a felicidade numa loja de departamentos. Mas essa ilusão é de importância crucial para a sociedade de consumo ocidental.

Reuters