sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Norbert Elias

Trecho do Volume 2 do trabalho de Norbert Elias “O Processo Civilizador” (publicado originalmente em 1939):

"As regularidades da dinâmica social colocam o governante central e a máquina de administração numa situação curiosa, e ainda mais na medida em que ela e seus órgãos se tornam mais especializados. O governante central e seus auxiliares podem ter alcançado o topo da administração central como proponentes de uma formação social particular, ou podem ter sido recrutados principalmente em determinada classe da sociedade. Mas tão logo alguém atinge uma posição na máquina central e a ocupa por algum tempo, ela lhe impõe suas próprias regularidades. Em graus variáveis, distancia-o de todos os demais grupos e classes da sociedade, mesmo daqueles que o levaram ao poder e nos quais tem sua origem. A função específica cria para o governante central de uma sociedade diferenciada interesses também específicos. Constitui função sua superintender a coesão e segurança do todo da sociedade tal como ela existe e por isso mesmo, preocupa-o manter o equilíbrio de interesses dos demais grupos funcionais. Essa tarefa, que ele simplesmente enfrenta na experiência diária e que lhe condiciona toda a visão da sociedade – esta tarefa, repetimos, basta para afastá-lo de todos os outros grupos de funcionários. Mas ele também tem, como qualquer pessoa, de preocupar-se com sua própria sobrevivência social. Precisa trabalhar para que seu poder social não seja reduzido, e, se possível, aumente. Na medida em que seus interesses, pela peculiaridade de sua função, estão vinculados à segurança e ao funcionamento suave de toda a estrutura social, ele tem que favorecer alguns indivíduos na estrutura, vencer batalhas e negociar alianças, a fim de fortalecer sua posição pessoal. Mas, nesta situação, os interesses do governante central jamais se tornam inteiramente idênticos aos de qualquer outra classe ou grupo. Podem, é verdade, convergir para os de um grupo ou outro, mas se ele se identificar demais com um deles, se a distância entre ele e qualquer grupo diminuir demais, sua própria posição social cedo ou tarde será ameaçada. Isso porque sua força depende, ..., por um lado da preservação de um certo equilíbrio entre os diferentes grupos e de um certo grau de cooperação e coesão entre os diferentes interesses da sociedade, mas também, por outro lado, da persistência entre eles de tensões e conflitos nítidos e permanentes de interesses. O governante central solapa sua própria posição ao usar o poder e capacidade de dar apoio, de que dispõe, para tornar um grupo claramente superior a outros. A dependência de um coordenador supremo e, portanto, sua própria dominação funcional, necessariamente diminui quando um único grupo ou classe da sociedade prevalece inequivocadamente sobre todos os outros, a menos que esse próprio grupo esteja dilacerado internamente. A posição do governante central também é debilitada e solapada se as tensões entre os principais grupos da sociedade se reduzirem a tal ponto que eles possam resolver entre si suas diferenças, e unir-se para empreender ações em comum. (...)
... o governante central e sua máquina formam na sociedade um centro de interesses próprios. A posição que ocupam freqüentemente aconselha uma aliança com o segundo grupo mais poderoso, e não uma identificação com o principal; e seus interesses exigem tanto uma certa cooperação quanto uma certa tensão entre as partes da sociedade. Sua posição, portanto, não depende só da natureza e força da ambivalência entre as diferentes formações que constituem a sociedade; seu próprio relacionamento com cada uma dessas formações é, já, ambivalente."

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

BROMA (CATEI NA INTERNET)

Toca o telefone..
- Alô.
- Alô, poderia estar falando com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
-Quem fala, por favor?
- Edson.
- Sr. Edson, aqui é da Telefônica, estamos ligando para estar oferecendo a
promoção Telefônica linha adicional, onde o Sr. estará tendo direito...
-Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da Telefônica, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, nós estaremos
conferindo alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode.
- De que telefone você está falando? Minha bina não está identificando.
- 103
- Você está trabalhando em que área, na Telefônica?
- Telemarketing Pró Ativo.
- Você tem número de matrícula na Telefônica?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação esteja sendo
necessária.
- Então terei que estar deslingando, pois não posso estar tendo segurança
que falo com uma funcionária da Telefônica.
- Mas posso estar garantindo...
-Além do mais, sempre sou obrigado a estar fornecendo meus dados a uma
legião de atendentes sempre que tento falar com a Telefônica.
- Ok . Minha matrícula é 34591212.
- Só um momento enquanto estamos verificando...
Dois minutos depois :
- Só mais um momento.
- Cinco minutos depois :
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor...
-Pronto, Rosicleide, obrigado por estar aguardando. Qual é mesmo o assunto?
- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para estar oferecendo a promoção de
uma linha adicional, onde o Sr. estará tendo direito a uma linha adicional.
O senhor está interessado, Sr. Edson?
- Rosicleide, vou estar tendo que transferir você para a minha esposa, por
que é ela quem está decidindo sobre alteração e aquisição de planos de
telefones. Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê
do Latino tocando no Repeat - eu sabia que um dia essa droga serviria para
alguma coisa!)
Depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:
- Obrigado por estar aguardando .... pode estar me dizendo seu telefone pois
meu bina não identificou...
- "103!"
-Com quem estou falando, por favor?
- "Rosicleide!"
- Rosicleide de quê?
- "Rosicleide Judite" (já demonstrando certa irritação na voz)
- Qual sua identificação na empresa?
-34591212 (mais irritada ainda! )
- Obrigada pelas suas informações, em que posso estar lhe ajudando?
- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção linha
adicional, onde a Sra. tem direito a uma linha adicional. A senhora está
interessada?
- Vou estar abrindo um chamado e em alguns dias estaremos entrando em
contato para dar um parecer, pode estar anotando o protocolo por favor ....
alô, alôoo!?
- TUTUTUTUTU...
-Desligou... nossa que moça impaciente!

NET (como entrar para a contravenção sem fazer força)

Ele mora em um condomínio classe média, em Porto Alegre, e tem assinatura da NET.

Em um belo dia chuvoso apareceu um funcionário da NET e cortou fisicamente o cabo de três apartamentos, entre os quais o dele. Ele foi se informar com o vizinho “cortado” e soube que dos três, um apartamento havia sido desocupado há tempos e não havia sido solicitado o desligamento do cabo, o que ocasionou o corte. Os cortes dele e do vizinho foram realizados “por engano”.

A esposa dele ligou para a NET e, após a musiquinha de cinco a dez minutos, uma atendente mal humorada disse para ela que todos os que estão em atraso ligam e dizem que já pagaram. Ante a alegação de que estava tudo efetivamente pago, a atendente solicitou que fosse passado um fax com o recibo do pagamento (provavelmente eles não têm controle interno dos pagamentos), o que foi feito.

Passados alguns dias apareceu um funcionário da NET no condomínio e fez a religação. No final do mês veio a conta normal com a cobrança da taxa de religação.

A esposa do meu amigo ligou novamente para a NET (musiquinha de cinco minutos, etc) e foi atendido por uma senhora/senhorita, desta vez bem simpática. Ela explicou que momentaneamente o sistema estava fora do ar e orientou que ela pagasse o bloqueto descontando o valor da religação, pois assim que voltasse o sistema ela iria realizar o ajuste devido. A esposa do meu amigo pagou conforme a orientação.

Aproximadamente uma semana depois ocorreu novo corte do sinal da NET, agora eletronicamente (não ocorreu corte físico do cabo).

A esposa do meu amigo ligou novamente (musiquinha, etc). A atendente, solicitamente, em poucos minutos reestabeleceu o sinal.

No final do mês veio novamente cobrança da taxa de religação.

Meu amigo, conversando com colegas de trabalho, soube que esses acontecimentos eram corriqueiros e foi informado a respeito de um cara que liberava o sinal, cobrando um preço módico. Por estar “puto da cara” entrou em contato com o “picareta”, que liberou o sinal e com a NET, solicitando um pacote mais barato. Foi assim que meu amigo ingressou na contravenção e passou a desfrutar de todos os canais oferecidos pela NET, até os “paga para ver”.

Após alguns meses a NET enviou pelo cabo uma espécie de vírus contaminando os sinais. Meu amigo tentou contatar o “picareta” e, não conseguindo, ele e sua esposa decidiram se render e ligar para a NET para corrigir o problema.

A esposa do meu amigo ligou para a NET e (após a musiquinha) marcou a visita do técnico para o dia seguinte, pela manhã. No final da manhã marcada, como não apareceu ninguém, ela ligou novamente para a NET (musiquinha, etc), quando foi informada que ela havia agendado a visita para o período da tarde. Ela informou que isso era impossível, pois ela estaria trabalhando nesse período. A atendente solicitou um minutinho e foi conversar com a pessoa encarregada da agenda. O problema é que a esposa do meu amigo escutou todo o diálogo, onde o/a carinha da agenda disse coisas do tipo “deve ser uma perua que não tem nada o que fazer”, “deixa ela esperando mais um pouquinho no telefone”, etc. A esposa do amigo tentou interferir na conversa, mas somente ela os escutava. Eles não a estavam escutando.

Quando a atendente retornou, a esposa informou que escutou toda a conversa. Imediatamente a atendente voltou a falar com o/a carinha da agenda, que debochou dela novamente.

Quando a atendente retornou novamente a esposa, emputecida da vida, desopilou seu fígado e desligou o telefone, não marcando mais nada.

No mesmo dia conseguiu falar com o “picareta”, que consertou novamente a NET e ela e seu marido estão vivendo felizes até o próximo vírus.